segunda-feira, novembro 20, 2006

Hei, me empresta esse disco...

É muito legal quando você recebe de volta algo que havia emprestado a alguém há muito tempo. Um livro, um disco, uma roupa... Foi o que aconteceu comigo recentemente. Tinha ido ao Recife para mais uma atividade acadêmica e levei minha tia, Neves, na carona. Ela ia fazer uma consulta e alguns exames de vista, para tentar livrar-se do glaucoma. Ficamos hospedados no Cordeiro, no apartamento de um amigo antigo dela, Evanildo.
No dia seguinte ele me contou a novidade: “tenho um disco teu aqui do Dire Straits”, disse me entregando o LP duplo em perfeito estado de conservação. Caracas! Que surpresa boa, nem lembrava mais desse disco. Com o “bolachão” de vinil na mão me assolaram logo as lembranças de como aquela raridade chegara até mim. Era o primeiro ano de jornalismo e um dia durante uma das aulas de português, o professor Francelino anuncia na classe que está se desfazendo de alguns LPs, porque estava trocando tudo pela maravilhosa nova tecnologia de CDs.
Naquela época eu era radialista, operador de áudio na Rádio Correio FM, que depois ganhou a alcunha de “Classe A”. Os compact-discs realmente ainda eram coisa de outro mundo. Tanto os cd players quanto os discos eram caríssimos, portanto fora de qualquer possibilidade de entrarem, a curto prazo, em minha lista pessoal de sonhos-de-consumo. O professor trouxe uma relação maravilhosa de discos raros para a turma escolher. Eu não contei conversa: investi uma boa grana na coleção completa (naquela época, 86/87) do Dire. O disco que o Evanildo me devolveu semana passada é o álbum Alchemy, ao vivo e duplo. Maravilhoso, com Sultans of Swing, Romeo and Juliet e Tunnel of love.
Hoje ainda tenho em casa umas três dezenas de discos em vinil, apesar de não ter pick-up para tocá-los. Sou meio saudosista com coisa velha. Livros e revistas também entram nessa mania. Perdi muita coisa emprestando aos amigos oportunistas, esquecidos crônicos ou a gente mal caráter que se aproveitou da minha mania de querer sempre “sociabilizar” tudo aquilo que gosto.
Hoje vivo mais cauteloso. Ainda empresto livros e discos, mas a pessoas que sei que não vão sumir das vistas. Quando é algo que realmente gosto e que é difícil de encontrar outro do mesmo, aí os cuidados são redobrados: anoto e dou um prazo para a devolução. Se farrapar uma vez comigo, nunca mais empresto nada.
Mas como tava dizendo, ainda existe gente boa e honesta. O Evanildo provou isso. Emprestar é, nesse sentido, investir. Apostar no cara que tá tomando emprestado da gente. Emprestar é repartir, dividir, democratizar. Tenho uma boa coleção de livros e cds aqui comigo. Gostaria que muitos mais escutassem esses sons maravilhosos e lessem as idéias fantásticas impressas.
Se tivéssemos certeza de que todos aqueles que nos tomam emprestado alguma coisa, agisse como Evanildo, acho que perderíamos o medo de emprestar. Isso, lógico, tem muito a ver com a idéia de “propriedade”. É meu, e pronto! A posse permanente de obras de arte é, efetivamente, um crime contra a humanidade. Mas a gente vive no capitalismo e aqui é assim mesmo. Comprei, ganhei e deve ficar apenas sob minha guarda.
Tem um ditado antigo aqui no Nordeste que diz: “Quem empresta, nem pra si presta!”. Uma idéia que certamente foi alcunhada por conta dos inúmeros objetos vilipendiados pelos oportunistas do “empresta aí”. Mas se vivêssemos numa sociedade mais comunitária onde a propriedade e o acúmulo fossem ilegais, o empréstimo tomaria o lugar da venda.

quinta-feira, outubro 05, 2006

As linguagens do jornalismo nosso de cada dia

No início de setembro participei de dois eventos acadêmicos importantes. O primeiro deles foi XXI Jornada Nacional de Estudos Lingüísticos, promovida pelo Gelne (Grupo de Estudos Lingüísticos do Nordeste), que aconteceu aqui mesmo em João Pessoa, entre os dias 03 e 06, no campus um da UFPB. O CCHLA estava repleto de estudante e pesquisadores de várias partes do Brasil, apesar de se tratar de um evento de dimensão “regional”.
Mesmo sendo um encontro destinado principalmente para o pessoal de Letras, o Gelne tem-se tornado cada vez mais um espaço destacado para a discussão sobre a pesquisa comunicacional. Um exemplo disso foi a participação de mais dois colegas meus (Francisco Barreto e Patrícia Paixão), que apresentaram papers relacionados às suas respectivas dissertações.
Como historiador que pesquisa o jornalismo contemporâneo, Barreto trouxe uma discussão interessante sobre o papel da mídia como construtora de “realidades”:

[...] É nesse contexto que está mergulhada parte da sociedade em que vivemos: espremidos contra um muro de informações, vozes e imagens com significados prontos, sem construção ou transmissão de conhecimentos; a imposição do fato como um conhecimento acabado sobre o qual não se pode versar.

Já Patrícia apresentou uma análise sobre um livro do festejado cronista Luis Fernando Veríssimo. Num dos trechos ela diz que:

[...] Para a sociedade brasileira, culturalmente machista, é comum se contar historinhas, piadas ou causos, ou escrever cordéis, com situações em que os homens mentem para as esposas, namoradas, companheiras, mães. As crônicas de As Mentiras que os Homens Contam são uma forma mais refinada, sofisticada e leve de abordar o tema, de reproduzir uma idéia em curso para as pessoas, de uma maneira geral. Daí reforça-se a tese de que a compreensão das categorizações e referenciações no humor, na literatura, só é possível e efetiva para os indivíduos que têm conhecimentos de mundo e competências cognitivas similares e partilhadas.

Em universos discursivos diferentes, os trabalhos de Chico e de Patrícia, mostram como o fenômeno da interdisciplinaridade está presente nos espaços acadêmicos como esse proporcionado pela jornada do Gelne. Lingüística, História, Jornalismo se fundem em busca de respostas para as indagações e observações epistemológicas dos pesquisadores.
Para mim, além de uma excelente oportunidade de intercâmbio teórico e metodológico, o evento mostrou, de fato, a importância crescente dos estudos de linguagem como suporte para as pesquisas comunicacionais e das ciências humanas e sociais de um modo geral.
Utilizando conceituações nascidas no campo da Análise Crítica do Discurso (ACD), tenho buscado explicações para os fenômenos de linguagem que assolam o jornalismo. Minha apresentação, ocorrida no início de uma tarde quente de segunda-feira, levou para uma audiência seleta (especialmente Julia Veloso) observações iniciais de minha pesquisa sobre a linguagem utilizada em relises elaborados por colegas da Embrapa.
O jornalismo científico se tornou nos últimos anos meu objeto de pesquisa preferencial. Tento, através das teorias do discurso, compreender minha própria práxis enquanto jornalista encarregado de divulgar as atividades de uma empresa que lida com pesquisa agropecuária.
O artigo que levei ao Gelne foi uma versão aproximada de um outro que apresentei no dia 09/09 ao Núcleo de Pesquisa em Comunicação Científica e Ambiental, no 29º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), ocorrido em Brasília. Minha “tese” parte das conceituações teóricas de um velho conhecido dos lingüistas: o russo Mikhail Bakhtin.
O artigo explora o conceito de enunciação monológica, utilizado por Bakhtin no seu estudo clássico sobre a Filosofia da Linguagem. Nele, tento unir a Teoria da Enunciação à Teoria Social do Discurso, percorrendo uma trilha metodológica para analisar processos de formação discursiva do discurso científico numa modalidade enunciativa consagrada socialmente – o jornalismo.
Para Bakhtin, “Toda enunciação, mesmo na forma imobilizada da escrita, é uma resposta a alguma coisa e é construída como tal”. A partir disso, imagino que as matérias publicadas na imprensa diariamente, de uma forma ou de outra, podem ser consideradas “respostas discursivas” de determinados atores sociais ou entidades.
Também trabalho com o conceito de enunciação monológica para explicar como os enunciados jornalísticos produzidos pelas assessorias de imprensa tentam forjar um sentido único aos seus discursos publicados pela mídia.
No artigo estamos propondo a idéia de “discurso-usuário” como o resultado da re-textualização de um discurso que faz uso de determinado texto-fonte. No caso do jornalismo científico, o texto-fonte vem do campo da ciência. O discurso elaborado pelos jornalistas torna-se, assim, usuário da discursividade científica. Noutros casos, o jornalismo é usuário de outros discursos-fonte, como o econômico, o político, o religioso etc.
O papel do jornalismo (como parte da mídia e da indústria cultural) na construção de realidades obedece, assim, inequivocamente, uma vinculação com a ideologia, transformando as discursividades específicas em discursividade institucionalizada.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Porque o Seis e Meia foi parar no MAG?

Por Dalmo Oliveira*

A capital paraibana teria tudo para se transformar rapidamente num dos principais pólos culturais do Nordeste. No ano passado, João Pessoa concorreu com Olinda e Salvador ao título de “Capital Brasileira da Cultura”, instituído pelo Ministério da Cultura. Não tinha chance! É inquestionável, no entanto, a qualidade dos nossos artistas e a excelência dos trabalhos artísticos produzidos pelos filhos dessa terra. Baianos, cearenses e pernambucanos também produzem coisa boa, mas a música, o teatro e as artes plásticas da Paraíba encantam a todos que têm acesso aos produtos da cultura made in PB.

Seria redundante falar aqui apenas das virtudes de gente como Sivuca, Zé Ramalho, Chico César, Adeildo Vieira, Gláucia Lima, Horieb Ribeiro, Roberto e Marcélia Cartaxo, Everaldo Pontes, Luiz Carlos Vasconcelos, Clóvis Júnior, Fred Svendsen, Flávio Tavares, Hermano José e centenas de outros talentos da cultura local.

Como não domino bem os outros campos, fico apenas no campo musical, de onde retiro energias diárias para animar o espírito. Preocupo-me fundamentalmente com as precárias condições em que a cultura paraibana (a música, notadamente) se desenvolve na capital do Estado. Em que pese as novas (e louváveis) iniciativas da Funjope e o trabalho ininterrupto, mas tímido, da Funesc, João Pessoa continua sendo uma das praças mais complicadas para a promoção de shows musicais de porte nacional. Um exemplo claro disso, tem sido as apresentações do Projeto Seis e Meia.

Criado no Rio de Janeiro há mais de dez anos, o Seis e Meia só desembarcou em João Pessoa em 2004, pela iniciativa do agitador cultural e vereador Fuba. Depois do primeiro ano de apresentações no teatro Paulo Pontes (Espaço Cultural José Lins do Rego), o projeto foi relocado em 2005 para a praça de eventos do shopping MAG, na praia de Manaíra. Por detrás do remanejamento estava o acirramento de uma disputa política que só atrapalha o desenvolvimento cultural (econômico e social) da cidade.

Desde o ano passado o governo estadual retirou o apoio ao projeto o que, na prática, significou o fechamento das portas das casas de espetáculos de melhor qualidade da capital (Paulo Pontes e Santa Roza). A prefeitura decidiu então bancar a empreitada, buscando parcerias com a iniciativa privada. Foi assim que o Seis e Meia foi parar num dos piores lugares para a realização de shows musicais como esse do perfil do projeto.

Eu fui assistir pessoalmente quatro apresentações do Seis e Meia depois que ele saiu do Espaço Cultural: Ângela Rorô, Luiz Melodia, Luciana Melo e Jairzinho e, na semana passada, Rita Ribeiro. Desde a primeira vez havia percebido que o novo local é inadequado e representa, na prática, uma falta de respeito aos artistas convidados (tanto os de fora, quanto os de casa!). É fácil perceber isso para quem está acostumado a assistir shows desse tipo em salas como a do Paulo Pontes ou a do Teatro do Parque (no Recife, onde morei por alguns meses de 2005).

Em primeiro lugar, ali não há propriamente um palco. Os artistas são obrigados a se apresentarem sobre uma espécie de tablado de pouco mais de meio metro de altura, o que os deixa quase na mesma perspectiva da assistência. Grossas colunas dificultam a visão ampla do “palco”, impedindo vários ângulos de visão do público e, principalmente, dos profissionais da imprensa encarregados em capturar as imagens dos shows.

Por se tratar de um salão de festas (talvez mais apropriado para bailes de debutantes ou festas de formaturas), os assentos (cadeiras plásticas) ficam dispostos num mesmo nível, o que torna a assistência ainda mais complicada (principalmente para a gente de baixa estatura que senta nas fileiras posteriores). Mas os problemas do Seis e Meia no MAG não param por aí: o camarim para os artistas foi improvisado numa sala de apoio, sem banheiro ou qualquer coisa que pareça uma mesa de maquiagem. Sem conforto, apertado e mal localizado (no caminho dos sanitários), o “camarim” do MAG é vergonhoso.

Enquanto que as versões do projeto no Recife e em Natal ocorrem nos luxuosos e tradicionalíssimos Teatro do Parque e Alberto Maranhão (respectivamente), em João Pessoa artistas e público são submetidos às condições vexatórias do salão do MAG. A capital paraibana, nesse caso, está em desvantagem até em relação à Campina Grande, onde o projeto também passou a ocorrer, tendo o Teatro Severino Cabral como palco. Para quem não sabe, o teatro campinense é considerado uma das melhores acústicas do país. Ah, acústica é um palavrão no salão de festas onde o Seis e Meia acontece em João Pessoa.

A localização do MAG é outro problema. Situado na orla norte da cidade, o lugar onde o Seis e Meia está acontecendo é um dos locais menos indicado para abrigar shows de um projeto que tem em sua proposta inicial oferecer, a preços populares, atrações nacionais em concertos abertos por músicos locais.

Mais do que revelar como as picuinhas políticas paroquiais atrapalham o crescimento cultural da cidade, a realização do Seis e Meia no MAG shopping evidenciou entre os consumidores de cultura daqui a emergência que João Pessoa tem pela instalação de um teatro municipal. A gente merece!


Texto escrito originalmente para o Portal das Entidades

segunda-feira, agosto 14, 2006

Se eu fosse Deus... (Quem é o inimigo?)

Por Dalmo Oliveira

Se eu fosse Deus deletaria de vez dos nossos vocabulários a palavra “inimigo”. A palavra e seu sentido. Talvez nem a tivesse criado, apesar dos aperreios de Lúcifer...
Inimigo não é apenas o contrário de amigo, é muito mais grave. É o que quer destruir você, ou aquele a quem você quer destruir de uma vez por todas. Com essa nova onda destrutiva no Líbano, passei a refletir mais sobre essa história dos inimigos.

Sou leigo sobre a causa do morticínio entre árabes e judeus. Não sou mulçumano nem anti-semita. Mas, cá pra nós, existe inimizade mais feia que aquela do Oriente Médio? Quando Deus desenhou a idéia de inimigos ele pensou na relação entre árabes, judeus e mulçumanos. Um ódio recíproco inexplicável, de origem mística desconhecida. Como se fossem os descendentes de Cahin e Abel, digladiando-se ad infinitum.

A inimizade tem algo de anti-humano. É como se você negasse a humanidade do outro. Como se o outro não merecesse ser humano. O não humano não merece respeito e essa lógica que leva o homem a ser tão agressivo com a natureza. Destruímos tudo ao nosso redor, sem o menor remorso. Tratamos a natureza como nosso maior inimigo e muitas vezes o próprio homem se torna parte dessa vingança.

A inimizade é um sentimento horrível, semelhante à vontade de autodestruição. Ter inimigos é sentisse morto a cada dia. Como se não pudesse olha no espelho. Só em pensar no inimigo dá um embrulho no estômago. Um frio na alma. Quando se cruza com o inimigo você perde o dia. Inimizade estraga felicidade, causa rugas, dar dor de cabeça. Você já imaginou quanto tempo se perde na relação com os inimigos. O que se deixa de fazer enquanto maquina revanches e armadilhas aos nossos inimigos.

A história da humanidade poderia ser escrita pelo prisma das histórias de inimizades. Às vezes, um grande amor pode se transformar numa inimizade indizível. Irmãos se tornam inimigos mortais. A inimizade causa até parricídio. Mas o que transforma as pessoas em inimigos mortais? Nos dias de hoje, certamente sentimentos como ganância, ciúme, inveja são o principal alimento das inimizades.

A vida moderna, plena de situações de competição, de escassez de oportunidades, de frustrações de vários matizes, oferece o clima ideal para a inviabilidade da amizade. O inimigo mora ao lado. Está na rua, no metrô, na fila do banco. Essa sensação de estarmos cercados por inimigos é o principal alimento do terrorismo. No livro 1984, George Orwell descreve um cenário onde a crença no ser humano havia desaparecido. Um estado totalitário fomenta o medo ao próximo. A única relação confiável é com o “big brother”, uma entidade fictícia, que concentra, por meio do terror, toda a atenção e confiança das pessoas.

O rosto do inimigo nem sempre está vinculado à barba e aos turbantes. Nos EUA os cidadãos de Oklahoma descobriram que o principal inimigo não era um estrangeiro vingativo, mas um compatriota revoltado. O principal inimigo pode ser o chefe de estado, o líder religioso ou o político corrupto. Como disse Bob Marley: Seu maior inimigo poder ser o seu melhor amigo e seu melhor amigo, ser seu pior inimigo. Pode ser você mesmo!

segunda-feira, junho 19, 2006

Intercom proclama Embrapa “instituição paradigmática”

O Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, outorgado anualmente pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM – a pesquisadores e instituições científicas, foi atribuído, este ano, na categoria “maturidade acadêmica”, à Professora Adísia Sá, pioneira do ensino e da pesquisa em comunicação no Estado do Ceará. Como “liderança emergente” venceu o jovem doutor Elias Machado, presidente da Sociedade Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo.

O troféu de “grupo inovador” foi conquistado pelo Programa Cadernos de Comunicação, mantido pela Secretaria Especial de Comunicação da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Houve empate na votação da categoria “instituição paradigmática”, sendo consideradas vencedoras as duas entidades inscritas: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA e a Faculdade de Comunicação da PUC Minas.

A entrega solene dos diplomas aos vencedores do Beltrão 2006 será realizada na noite de 7 de setembro, na capital federal, no auditório da FINATEC, campus da Universidade de Brasília, durante o XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.



Júri



Instituído em 1997, o prêmio Luiz Beltrão pretende homenagear o pioneiro da pesquisa científica em comunicação no Brasil, bem como sinalizar às novas gerações, reconhecendo a excelência do trabalhado realizado nas universidades por docentes e pesquisadores, bem por entidades que fomentam estudos ou desenvolvem projetos comunicacionais relevantes para o desenvolvimento sócio-cultural.



Os candidatos ao prêmio, em cada uma das categorias, são indicados anualmente pela comunidade acadêmica da área, cabendo a decisão final a um júri presidido pelo fundador da INTERCOM, Prof. Dr. José Marques de Melo. Integram esse colegiado, composto por 18 personalidades, os antigos e o atual presidente dessa associação, bem como pelos vencedores da categoria maturidade acadêmica em anos anteriores (Moacir Pereira, Sergio Caparelli, Sergio Mattos, Muniz Sodré, Antonio Costella, Carlos Eduardo Lins da Silva, Ana Arruda Callado e Murilo César Ramos).



A coordenação geral do Prêmio Luiz Beltrão está a cargo da Profa. Dra. Maria Cristina Gobbi, diretora-suplente da Cátedra UNESCO/Metodista de Comunicação. Informações adicionais: mcgobbi.unesco@metodista.br



Perfis dos vencedores em 2006



1. Grupo Inovador



Programa “Cadernos de Comunicação” - Secretaria Especial de Comunicação Social da Prefeitura do Rio de Janeiro



Criado em 2001 pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Prefeitura do Rio de Janeiro, o Programa “Cadernos de Comunicação” representa uma iniciativa inovadora no campo da extensão universitária. Sua finalidade é disseminar o conhecimento novo produzido pelas faculdades de comunicação, através de versões simplificadas dos TCCs – Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação –, Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado.



Segmentados em suas séries - Memória e Estudos - os Cadernos da Comunicação são publicadas mensalmente de forma alternada. Cada edição tem uma tiragem de 10 mil exemplares, distribuídos gratuitamente para os alunos e professores dos cursos de Jornalismo das faculdades de Comunicação sediadas na cidade do Rio, além dos jornalistas que integram o Sistema de Comunicação Social da nossa Prefeitura e profissionais de imprensa que nos solicitam. Esta publicação também chega a algumas faculdades de outros Estados brasileiros e até do exterior, como Alemanha, Portugal, México, Canadá e Estados Unidos.



2. Instituição Paradigmática



Embrapa e FCA-PUCMinas



Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Instituição vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que viabiliza soluções para o desenvolvimento sustentável do campo, por meio de geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias. A empresa atua por meio de Centros de Pesquisa utilizando diferentes estratégias e meios de comunicação para divulgar e transferir tecnologia e conhecimento científico que colabora para a melhoria da agricultura brasileira.



Hoje a Embrapa possui 25 profissionais de comunicação em seu quadro que fizeram pós-graduação. Na origem do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) estava um convênio firmado com o Ministério da Agricultura, destinado fundamentalmente a capacitar pessoal de nível superior que atuava em extensão rural. Muitos dos primeiros alunos do programa eram funcionários da Embrapa que procuravam conhecimento que pudesse ser aplicado na melhoria da comunicação para transferência de tecnologia junto ao homem do campo.



A mais recente iniciativa da empresa é a publicação Comunicação Social em Ciência e Tecnologia – Estudos da Embrapa – que reúne 16 artigos referentes às dissertações de mestrado e teses de doutorado elaboradas pelos profissionais de comunicação da Embrapa.



Faculdade de Comunicação e Artes da PUC-Minas



A FAC da PUCMinas tem sido paradigmática na formação profissional da área de comunicação, principalmente por seu entrosamento com o mercado, através de vários projetos, e por seu protagonismo laboratorial, articulando ensino com pesquisa e extensão. Fundada em 1971, no Campus Coração Eucarístico(Belo Horizonte) da então Universidade Católica de Minas Gerais, ressaltam-se em sua trajetória o arrojo no que diz respeito a propostas inovadoras tanto no sentido de modelos alternativos para a reflexão e exercício da comunicação, quanto seu ativo papel como interlocutora, junto a outras instituições de ensino congêneres, sobre os caminhos da comunicação em seus mais diversos aspectos.



Desde o ano de 1997, são oferecidos no Instituto de Educação Continuada (IEC), da PUC Minas, cursos de especialização como Jornalismo e Práticas Contemporâneas, Gestão de Comunicação Integrada e Cinema. Há que se ressaltar, no entanto, uma vitoriosa experiência de cursos de especialização in company, oferecidos para a Rede Globo Minas (já concluído) e para o jornal Hoje em Dia (em curso), exclusivamente com professores da FCA. Atualmente, está sendo oferecido, pela segunda vez consecutiva, na modalidade à distância, um curso de especialização destinado exclusivamente a funcionários da Companhia Vale do Rio Doce, que atuam em diversos estados brasileiros.



A FCA mantém atualmente projetos ligados diretamente à Pró-Reitoria de Extensão com a inserção direta dos alunos junto a diferentes comunidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Destacam-se: Projeto Beira-Linha, junto a comunidades carentes da região leste da cidade; Projeto Criança Esperança – atuação conjunta com a Rede Globo na cidade.





3. Liderança Emergente



Elias Machado Gonçalves (UFBA/UFSC) – Universidade Federal da Bahia, em fase de migração para Universidade Federal de Santa Catarina.



Jornalista e Doutor em Jornalismo pela Universidade Autônoma de Barcelona e tem se destacado com sua dinâmica atuação tanto como professor-pesquisador-orientador, como editor da Revista especializada em Jornalismo “PAUTA GERAL”, que fundou em 1993. Possui vários livros e trabalhos publicados.



Atual presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), tem demonstrado espírito de liderança e competências como produtor de conhecimento.



A atuação de Elias Machado pode ser constatada numa simples navegação pela Internet. Digitando-se seu nome completo em algum navegador de pesquisa (tipo Google) encontraremos uma enorme quantidade de trabalhos, citações e entrevistas concedidas.



4. Maturidade Acadêmica



Adísia Sá (UFC) – Universidade Federal do Ceará



Fundadora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (1965), Adísia Sá completou 50 anos de jornalismo em 2004, merecendo o reconhecimento da sua corporação de ofício. Nacionalmente conhecida pela autoria da História da Federação Nacional dos Jornalistas, contida no Livro O Jornalista Brasileiro, lançado em 1985, revisto e atualizado em 1999, a jornalista cearense foi também a primeira mulher a assumir a função de ombudsman na imprensa nordestina. Essa experiência, desenvolvida no jornal “O Povo”, onde ela trabalha há muitos anos foi revisitada criticamente no livro “Clube dos Ingênuos” (1988).



Sua carreira acadêmica foi iniciada como professora de Filosofia. Mas o ingresso no jornalismo profissional (1954) a conduziu ao campo emergente da comunicação. Tanto assim que ela lançou os cursos livre de Jornalismo no início da década de 60, obtendo grande aceitação e influindo na decisão da universidade federal de criar um curso universitário, cuja direção lhe foi confiada pelo Reitor da UFC. Sua titulação deu-se segundo os cânones do regime antigo, tendo conquistado os diplomas de Livre Docente pela Universidade Federal Rural de Pernambuco e de Professor Titular pela Universidade Federal do Ceará.



Dada a importância de suas contribuições para a área da Comunicação Social, no Ceará e no Brasil, e o exercício incansável da profissão de jornalista a Fanor – Faculdades Nordeste, situada em Fortaleza, instalou a Cátedra Adísia Sá de Jornalismo, em fevereiro de 2.004, com o objetivo de promover discussões permanentes sobre a ética na comunicação.



Em 2005 ela foi homenageada pela Universidade Federal do Ceará com a publicação do livro "Adísia Sá - Uma biografia", de autoria de Luíza Helena Amorim.



O que é a Intercom ?



Fundada na cidade de São Paulo (1977), a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM – conquistou prestígio nacional e legitimidade internacional pelo seu trabalho sério, plural e persistente no sentido de consolidar o campo acadêmico da comunicação. Faz parte da rede nacional de sociedades científicas capitaneadas pela SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – e da rede mundial liderada pela IAMCR – International Association for Media and Communication Research.



Seus congressos anuais chegam a reunir 5.000 participantes, oriundos de todas as regiões brasileiras e de países vizinhos, evidenciando a credibilidade que desfruta na comunidade universitária. Afluência significativa também ocorre nos simpósios nacionais ou regionais, nos colóquios bi-nacionais e nos seminários temáticos. Esses eventos são apoiados pelas agências nacionais de fomento científico: CAPES, CNPq, FINEP, FAPESP ou por agências internacionais como a UNESCO, bem como pelas empresas privadas.



Além do Prêmio Luiz Beltrão, a INTERCOM promove quatro outros concursos destinados a incentivar os pesquisadores em processo de formação intelectual:



PRÊMIO VERA GIANGRANDE– destinado a estudantes de graduação que tenham apresentado trabalhos na INTERCOM Júnior – Jornada de Iniciação Científica em Comunicação.



PRÊMIO LIGIA AVERBUCK– destinado a estudantes de especialização que tenham apresentado trabalhos na ALTERCOM – Jornada de Inovação Científica e Alternativas Comunicacionais.



PRÊMIO FRANCISCO MOREL– destinado a estudantes de mestrado que tenham apresentado trabalhos nos NPs INTERCOM – Encontro de Núcleos de Pesquisa em Ciências da Comunicação.



PRÊMIO FREITAS NOBRE– destinado a estudantes de doutorado que tenham apresentado trabalhos nos NPs INTERCOM – Encontro de Núcleos de Pesquisa em Ciências da Comunicação.



fonte: http://www.intercom.org.br/premios/beltrao2006.shtml