Evento acontece de 14 a 18 de setembro e reúne conferências, mesas-redondas, oficinas, minicursos, fóruns temáticos e atividades culturais
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| Componentes da mesa de abertura| fotos: Dalmo Oliveira |
Sousa, no Sertão da Paraíba, recebe de 14 a 18 de setembro o IX Encontro Nacional de Educação para as Relações Étnico-Raciais (IX ENNEABI). A programação reúne atividades acadêmicas, formativas e culturais que colocam em pauta temas como educação antirracista, identidade, ancestralidade, direitos, cultura indígena e afro-brasileira e os desafios enfrentados por instituições de ensino na promoção da igualdade racial.
A abertura ocorreu ontem à noite. Após o credenciamento, previsto para acontecer durante o dia no IFPB/Campus Sousa, a Faculdade GILGAL recebeu, a partir das 16h, a cerimônia oficial de abertura, com o tema “Memórias, Identidades e Lutas por Direitos nos Sertões”. Em seguida, às 18h, será realizada a conferência de abertura sobre educação para as relações étnico-raciais e a atuação dos NEABI’s e NEAB’s.
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| Rosana: Igualdade racial não é periférica |
Rosana Machado, coordenadora de Ações Afirmativas no Trabalho e na Política, do Ministério da Igualdade Racial, relembrou as políticas públicas destinadas à população negra. "A luta contra o racismo não pode ser uma ação periférica do Estado. Ela precisar ser central e permanente", disse.
Francisco Roserlândio Nogueira, diretor do campus Sousa, fez uma fala emocionada ao falar sobre suas origens camponesas. Ele enfatizou a importância da política de apoio estudantil nos institutos federais e das universidades públicas, na garantia de alimentação, moradia, transporte e outros direitos para os alunos e alunas.
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| Mary Roberta: inteligências preservadas |
A reitora do IFPB, Mary Roberta Meira Marinho, destacou o papel dos pesquisadores. Ela ressaltou os desafios que a população negra enfrenta ainda na atualidade para ter direito a saber suas origens no continente africano. A dirigente disse que há uma incompreensão sobre a população indígena, como se ela não devesse ter acesso a tecnologia e outros benefícios do mundo moderno. Ela informou que existe uma parceria em andamento com o Ministério Público Federal (MPF), para o estabelecimento de cotas de ingresso para população cigana no Instituto. "As inteligências não serão perdidas", frisou.
Programação
Ao longo dos cinco dias, a programação será distribuída entre a Unidade Sede do IFPB/Campus Sousa, a Faculdade GILGAL e o Centro Cultural Banco do Nordeste, com atividades voltadas a diferentes públicos e áreas de conhecimento.
Na terça-feira (15) haverá discussões sobre formação docente e experiências educacionais. Pela manhã, a programação inclui mesas-redondas sobre os desafios e experiências na formação de professores, com abordagem que vai da educação básica à educação superior, além de debates sobre intercontinentalidades e diálogos emergentes.
No mesmo período, o evento promove uma imersão no território, com visitas a escolas da educação básica, ONGs, movimentos sociais e espaços culturais e comunitários. Os participantes realizarão visita à comunidade quilombola dos Rufinos, em Pombal.
Durante a tarde, uma série de oficinas aborda a relação entre educação, arte, memória e identidade. Estão entre os temas os grafismos indígenas, a cultura do Bumba Meu Boi e do reggae, cestarias amazônicas, fotografia e protagonismo indígena, pintura corporal indígena e africana, pinturas afro-brasileiras, cultura Hip-Hop, capoeira e justiça climática e racismo ambiental.
A agenda do dia termina com a Noite Cultural ENNEABI, a partir das 19h, no Centro Cultural Banco do Nordeste.
Na quarta-feira (16), a programação ganha ainda mais intensidade. Oficinas, minicursos, sessões de pôsteres, sessões temáticas e fóruns ocupam os dois principais espaços do evento.
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| Representantes da comunidade cigana reivindicam mais espaço na Academia |
Entre as atividades estão oficinas sobre práticas pedagógicas antirracistas, capoeira, cartografia social, turbantes, grafismos multiétnicos e valorização da ancestralidade.
No IFPB/Campus Sousa, os minicursos abordam assuntos como tecnologias africanas, práticas antirracistas no ambiente escolar e a presença da cultura, ciência e tecnologia africanas no Sertão brasileiro.
À tarde, a programação inclui minicursos sobre racismo e educação, Maracatu Rural, branquitude, mulheres quilombolas, racismo no futebol, língua indígena Canela, Libras, música negra e a trajetória e implementação dos NEABs e NEABIs. Também está previsto o lançamento de livros do IX ENNEABI.
Outro destaque são os fóruns temáticos, que discutem acesso, permanência e êxito na educação; preservação das culturas de povos indígenas, quilombolas e ciganos da Paraíba; estrutura administrativa dos NEABs e NEABIs; e gestão e captação de recursos para ações de educação antirracista.
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| Encontro dos NEABI's coloca Alto Sertão paraibano no centro da discussão acadêmica sobre promoção da igualdade racial |
A partir das 08h20, o jornalista Dalmo Oliveira, vai apresentar resumo de uma das abordagens da sua pesquisa de doutorado no Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia (PpgEM) da UFRN. O paper discute “Saberes ancestrais da cosmologia indígena nas mídias digitais: Estudos transmetodológicos sobre impactos sociais e culturais da massificação de artefatos e de redes digitais” e será apresentado de forma oral na Sessão ST 10, que aborda no encontro o tema: Relações Étnico-Raciais em Diferentes Campos do Saber: (re)construindo identidades.
As sessões temáticas ocorrem na Faculdade GILGAL. “Trouxemos um resumo expandido para apresentar aos colegas pesquisadores envolvidos com a área temática Territórios, Saberes e Interculturalidade desse importante evento nacional”, diz Oliveira.
À noite, a Noite Cultural ENNEABI retorna à programação, novamente no Centro Cultural Banco do Nordeste.
Diálogos transdisciplinares e saberes ancestrais
Na quinta-feira (17), o encontro amplia as discussões sobre ancestralidade, cultura e educação. Entre as oficinas previstas estão atividades sobre povos originários sul-americanos, práticas decoloniais a partir de Frantz Fanon, protagonismo estudantil, artesanato indígena, corpo-território, saberes quilombolas, teatro negro e valorização da diversidade capilar.
A programação também prevê rodas de conversa sobre educação para as relações étnico-raciais e sobre internacionalização, identidades e saberes, com um diálogo entre o Sertão paraibano e Camarões.
No período da tarde, uma mesa-redonda discute gestão educacional e educação para as relações étnico-raciais, com foco em ensino, pesquisa, extensão e formação de professores. Os fóruns temáticos continuam e novas oficinas entram na programação, incluindo uma atividade sobre culinária afrobaiana, oralidade e memória nos terreiros de Candomblé.
O encerramento da quinta-feira terá dois momentos noturnos: a Noite Cultural ENNEABI, no Centro Cultural Banco do Nordeste, e a mesa-redonda “Possibilidades e limites do pensamento contracolonial”, na Faculdade GILGAL.
Encerramento acontece na sexta-feira
O IX ENNEABI termina na sexta-feira (18), com duas atividades no IFPB/Campus Sousa. Às 8h, será realizada a Conferência de Encerramento, com o tema “Educação para as Relações Étnico-Raciais: Diversidade, Democracia e Educação Básica”.
Na sequência, às 10h, a Plenária Final discutirá o papel dos NEABI’s e NEAB’s na defesa da educação para as relações étnico-raciais na educação básica.
Com uma agenda que combina produção acadêmica, formação, debates e manifestações culturais, o IX ENNEABI coloca Sousa no centro das discussões sobre educação para as relações étnico-raciais durante cinco dias. A programação contempla desde experiências pedagógicas e formação de professores até manifestações artísticas, saberes ancestrais e discussões sobre políticas e estruturas institucionais voltadas à educação antirracista.











