quinta-feira, agosto 06, 2026

Paraíba raising


Representação dos povos indígenas e negros africanos fundadores históricos da capital da Paraíba

 (Imagem meramente ilustrativa, artificial, produzida por ChatGPT)

por Dalmo Oliveira*

O estuário do Sanhauá serpenteia lá embaixo, separando o verde da mata com o tom quase marrom de suas águas. Eu fico a imaginar como esse pedaço da cidade foi surgindo. A construção do porto do Capim. Os armazéns iniciais. As primeiras mercadorias, saindo e chegando.

Como Paraíba se fez. As negociações de um convívio forçado com o europeu invasor. E um povo novo foi surgindo, não espontaneamente, sem congraçamentos. Algo entre a vilania e a resiliência. Os aceites e os açoites. O encantamento e a desconfiança com os estrangeiros. A aversão e o asco com os nativos. O medo dos negros.

Foi o rio (o mangue, o braço de mar) que nos deu os caminhos. Até hoje, com trechos de sua margem, suas praias inexploradas. Mas, entre o rio-início e o mar-mundo-atlântico, havia outros rios. E o território se mostrou fértil, interessante, surpreendente.

Eu vim do norte, saindo das terras brejeiras. Re-ocupar a terra onde meu pai nasceu. Resgatar ancestralidades e inventar novas vivências. Tempo dos encontros e da fuga. Desenraizei-me de lá e fiz meus frutos perto do mar-Mãe.

O que nos finca na terra é a memória, os eventos indizíveis. O orgasmo nos perpetua. Valida-nos e lança as sementes dum futuro que não veremos. Às vezes eu saio, vou pra longe. Mas sei que ali tenho um chão. E sobre ele, tenho estrelas que nos visitam de vez em quando.

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Jornalista e servidor público. Natural de Guarabira. Vive, mora e resiste em João Pessoa desde 1985. 






quinta-feira, abril 07, 2022

COMUNICADO PÚBLICO

 

COMUNICADO PÚBLICO



Ao completar onze anos de filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba, comunico a decisão de me retirar de suas fileiras em caráter definitivo. Os motivos são vários, mas pesa, sobejamente, a situação atual de governança instalada desde a chegada à presidência da legenda do atual mandatário do Diretório Estadual. Despreparado, desagregador e autoritário, trata-se de uma “liderança” extremamente subserviente às diretrizes fisiologistas do Diretório Nacional do partido, uma figura que é, tão somente, o típico carreirista burocrático partidário, adestrado pelo Baixo Clero das Tendências mais autocráticas, que tornaram o PT uma espécie Soviet supremo, deslocado e fora de época, com os piores ranços de um trotskismo arcaico, obsoleto e autofágico.


Não era pra ser assim! O PT que conheci, nos anos 80’s do século passado, atraia a juventude universitária prometendo ser algo diferente, uma construção coletiva e coletivizada. Um partido que tinha como ideólogos um Paulo Freire, uma Luíza Erundina, um Frei Betto, Darcy Ribeiro e tantos outros pensadores e pensadoras brilhantes. Foi-se degradando, se burocratizando e perdendo suas características mais libertárias e inovadoras.


O desrespeito às minorias sempre será o erro crasso dos centralistas. Lembro-me, perfeitamente do processo que culminou (praticamente) na expulsão do ex-governador Ricardo Coutinho em meados dos anos 90’s. Atitudes que afastaram outras lideranças Brasil afora, como Erundina, Cristóvão Buarque e Marina Silva.


Na Paraíba, com a conquista dos primeiros mandatos eletivos e depois com as cadeiras do Executivo na capital e no Palácio da Redenção, o partido foi vendo ser gestadas a primeiras levas dos chamados “militantes profissionais” que passaram a dominar “democraticamente” as principais instâncias decisórias do partido, afastando as lideranças mais orgânicas. Quando ingressei no PT esse processo já estava cristalizado.


De toda maneira, ainda era no interior do partido que podíamos pensar e propor políticas públicas para o conjunto da sociedade paraibana e, talvez até, brasileira. Mas havia outro inimigo oculto infiltrado: a cooptação de ativistas livres e o aparelhamento dos organismos populares do controle social.


A luta intestina das Correntes, o foco exclusivo no processo eleitoral, o “autismo” em relação às autênticas demandas das bases sindicais e populares, o sufocamento da democracia radical, o deslumbramento com as benesses do Poder, a promiscuidade ideológica nos relacionamentos e acordos com setores à Direita são algumas das distorções programáticas que levam o PT à vala comum dos partidos convencionais e conservadores.

É para não continuar compactuando com esse estado de coisas que saio agora, aproveitando a “volta dos que não foram”, dos que traíram nossos eleitores e suas próprias consciências e biografias. Infelizmente (ou felizmente) meu estômago não suporta a farsa, a dissimulação. Talvez seja ingenuidade minha, mas não serei conivente com os oportunistas em pele de cordeiro.


Hasta siempre! para companheiras e companheiros que, por diversos (e sinceros) outros motivos seguem nesse barco.


Veja vídeo com mais detalhes











terça-feira, agosto 31, 2021

Embrapa amplia conservação de recursos genéticos vegetais no campo

 Marília Burle é a convidada do mais novo episódio do Terra & Alimento. Ela lidera o projeto em rede Conservaln que integra várias iniciativas no Brasil sobre essa temática.


Burle conta para nossos ouvintes como essa iniciativa da Embrapa se articula com as redes de guardiões de sementes, tendo como plataforma institucional o Sistema de Curadorias de Germoplasma da Embrapa, criado há mais de três décadas.


No início de agosto, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia coordenou o primeiro  workshop de acompanhamento do projeto Conservação in situ/on farm de recursos genéticos vegetais e integração com a conservação ex situ.


Na conversa com o jornalista Dalmo Oliveira, Marília Burle revelou que a expectativa é fortalecer a conservação da riqueza vegetal na biodiversidade do Brasil. O projeto pretende também ampliar a interação com a conservação desses recursos genéticos vegetais nos chamados “bancos de germoplasma” realizada nos laboratórios da Embrapa.


Marília destaca o fato de o projeto contar com a participação de 19 Unidades, preservando diferentes culturas e espécies. A iniciativa de pesquisa em rede tem ainda lideranças da Embrapa Clima Temperado (no Rio Grande do Sul) e da Embrapa Alimentos e Territórios (em Alagoas).


terça-feira, dezembro 08, 2020

Elejó: uma coluna sonora para bons entendedores

Dalmo: podcasts antirracistas na web

Depois de uma temporada de seis anos nas páginas dominicais do Jornal A União, a Coluna ELEJÓ, do jornalista e ativista social DALMO OLIVEIRA, volta a enriquecer a opinião pública paraibana. Agora apenas em áudio, através das ondas democráticas das rádios QUINTAL WEB, ZUMBI e GANGA ONLINE." A ideia é produzir dois episódios semanais indo ao ar no bloco das 18 horas", diz Oliveira.

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