domingo, agosto 30, 2026

Augusto Cury tenta transformar sabatina em palestra motivacional

Imagem: augustocury.com.bt

Candidato do Avante aposta em inteligência artificial, empreendedorismo e pacificação, mas a sabatina mostrou que o Brasil exige mais do que boas ideias: exige projeto, números e capacidade de execução


Por Dalmo Oliveira*


A política brasileira precisa de renovação. Mas renovar não significa apenas mudar o discurso: significa apresentar respostas concretas para a desigualdade, diminuição da pobreza, melhoras na Economia, Segurança Pública mais eficaz, Educação de qualidade e os enormes desafios de um Estado que precisa funcionar para a maioria da população.


A participação de Augusto Cury encerrou a série de sabatinas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República e colocou diante do eleitor uma candidatura que procura se apresentar como alternativa à polarização política que domina o país. Ele fez menção a Jesus Cristo como sendo seu maior mentor.

Cury chegou à bancada do telejornal com uma marca própria. Em vez de reproduzir integralmente os discursos tradicionais da esquerda ou da direita, procurou construir uma narrativa baseada em inteligência emocional, educação, empreendedorismo, inovação tecnológica, inteligência artificial e pacificação.

É um discurso sedutor. Mas a eleição presidencial não é uma palestra. E essa talvez seja a principal conclusão que fica depois da entrevista.

Cury trouxe um diagnóstico pronto: existe um cansaço dos eleitores brasileiros diante da polarização política permanente nas disputas há cada quatro anos. 

Nesse sentido, Cury se apresenta como uma alternativa interessante. Mas existe uma diferença fundamental entre se esquivar das polarização e poder governar um país dividido ideologicamente. 

O conflito político não desaparecerá porque um presidente defenderá a paz. O Congresso continuará fragmentado. Os interesses econômicos continuarão existindo. As desigualdades continuarão produzindo conflitos. Os movimentos sociais continuarão reivindicando direitos. Os empresários continuarão pressionando por melhores condições. E os trabalhadores continuarão exigindo emprego, melhor salário e proteção social.

Governar significa administrar essas contradições. Por isso, a pacificação pode ser um princípio de governo.

Inteligência artificial: futuro ou palavra de ordem?


Cury fez da inteligência artificial uma das principais bandeiras de sua candidatura. E há razão para isso. A IA já está transformando profissões, empresas, universidades, escolas e relações sociais. O Estado brasileiro precisará inevitavelmente discutir como utilizar essa tecnologia. O debate proposto por Cury, portanto, é pertinente. O problema surge quando a tecnologia começa a aparecer como resposta para quase todos os problemas.

Segundo o candidato, a inteligência artificial pode aumentar produtividade. Pode reduzir burocracia. Pode melhorar serviços e ajudar no planejamento público.Mas não consegue sozinha eliminar as desigualdades. Não substitui professores. E nem resolve o problema da fome. Nem constrói moradias ou garante emprego decente. Sozinha não combate o crime organizado.

Os Algoritmos não decidem o orçamento da União. Essa é uma das tarefas do Presidente da República, com ministros e assessores qualificados.

Outra aposta de Cury é o empreendedorismo. O Brasil precisa, sim, facilitar a vida de pequenos empresários e trabalhadores que desejam empreender. Precisa reduzir a burocracia. Melhorar acesso ao crédito, oferecer qualificação. Precisa criar condições para que pequenos negócios sobrevivam e cresçam. Mas existe uma fronteira que não pode ser ignorada: Nem todo desempregado será empresário e nem todo trabalhador quer ser empreendedor. Não se combate a pobreza simplesmente dizendo ao pobre para abrir uma empresa.

Empreendedorismo precisa ser política de desenvolvimento e não substituto de política social. Num país democrático é preciso garantir três condições indispensável: oportunidade econômica, direitos trabalhistas e proteção social.

Mas foi no assunto "economia" que o candidato se mostrou mais incipiente. Cury apresentou propostas para melhorar as contas públicas, combater desperdícios e corrupção, reduzir estruturas administrativas e ampliar a arrecadação. Mas não conseguiu responder a seguinte pergunta: Quanto será economizado? Quanto e como vai fazer para aumentar a arrecadação?? Quais despesas serão reduzidas imediatamente? Quais políticas públicas serão preservadas?

Ele disse que extinguirá entre oito e dez Ministérios, mas não revelou quais e que critérios usaria para isso. Mencionou criar algo (talvez uma Secretaria Especial) para fomento de I.A, um "Ministério da Segurança Pública" e da necessidade de o país quintuplicar sua capacidade de produção de alimentos, sem maiores detalhes. Também asseverou que vai convidar o candidato Ronaldo Caiado para ser seu "xerife". 

O Brasil real está esperando


Enquanto os candidatos discutem seus projetos, o Brasil continua enfrentando problemas concretos. A população quer saúde funcionando. Escola pública de qualidade. Segurança pública eficiente, mais empregos, moradia. Segurança alimentar. Expansão do saneamento. E quer um Estado que não apareça apenas na época da eleição. É nesse Brasil real que qualquer projeto presidencial precisa ser testado.

Por isso, a candidatura de Cury terá de avançar da linguagem conceitual para a linguagem da política pública. Os entrevistadores perguntaram ainda se não haveriam conflitos de interesses entre a vinculação de Cury ("embaixador") com instituições privadas e suas propostas para a Presidência da República. 

Cury tem uma história pessoal e profissional que lhe permite falar sobre comportamento, educação e inteligência emocional com autoridade. Tem boa capacidade de comunicação. Oferece uma mensagem diferente. Treinada há vários anos nas palestras que dá a platéias refinadas. 

Discursos sobre eficiência, promessas de combate à corrupção, propostas de modernização todos os adversários do candidato-palestrante fizeram na sabatina com Cesar Tralli e Renata Vasconcellos durante essa semana.

Porque o Brasil não precisa apenas de alguém que saiba explicar o futuro. Precisa de alguém que saiba construí-lo.

/////////////

*Artigo escrito com suporte de ferramenta de I.A, se adiantando às previsões de Augusto Cury.

sexta-feira, agosto 28, 2026

Coluna Elejó

Eclipse I

Imagem: da Assessoria

Era para ser apenas mais uma daquelas entrevistas-massacre que o pessoal da Globo costuma fazer às vésperas de uma eleição para a Presidência da República: perguntas desconfortáveis de cunho pessoal dando a tônica. Só que, desta vez, esqueceram de combinar com o time adversário. Então, ontem à noite, Lula eclipsou o brilho das estrelas Renata Vasconcellos e Cesar Tralli, durante 40 minutos no horário nobre da TV aberta brasileira.


Eclipse II

Firme, preparado e consciente daquela oportunidade midiática, o candidato do PT colocou em dúvida a escolha de perguntas que a dupla titular de atacantes do JN selecionou para ocupar quase 50% da sabatina ao vivo. Provavelmente, as respostas de Lula não tenham sido dirigidas, necessariamente, aos jornalistas ali na sua frente, mas aos elaboradores do discurso institucional que a Rede Globo construiu desde 1989, quando o JN colocou no ar sua visão sobre o debate entre Lula e Fernando Collor.


Eclipse III

No confronto de ontem, os entrevistadores impuseram uma discussão que tratou mais de acusações (que Lula chamou de ilações) contra seu filho mais velho, Fábio Luís, seu ex-chefe de Gabinete, Marcola, e ao senador baiano Jaques Wagner (PT). A estratégia discursiva foi óbvia: abordar o tema da corrupção atacando gente muito próxima ao Presidente. Mas o candidato entrevistado tirou de letra, mesmo perdendo tempo precioso do programa televisivo.


Eclipse IV

A entrevista poderia ter sido mais propositiva do que aquele arremedo de interrogatório proferido por Tralli e Vasconcellos. Não houve questões sobre enfrentamento às emergências climáticas, mesmo num momento de tragédia na região do Nepal e do Tibet. O jornalismo da Globo também “esqueceu” de indagar o petista sobre as discussões do fim da escala de trabalho 6X1 que está tramitando no Congresso Nacional. Outro tema importante negligenciado na entrevista diz respeito à soberania nacional e as relações internacionais do Brasil, especialmente frente aos tarifaços do Governo do Presidente estadunidense Donald Trump.


Eclipse V

Enquanto, lá fora, a Terra encobria a luz do Sol sobre a Lua, Lula ofuscava a tentativa de manipulação da Central Globo de Jornalismo. Se a entrevista fosse de, pelo menos, 60 minutos o eclipse lular teria sido total. 

 

Adeus à Michèle

Imagem: Arquivo do CIESPAL

Quando os fascistas chilenos bombardearam o palácio presidencial La Moneda, em 1973, Michèle Mattelart já estava de volta à França, mas havia deixado em Santiago o esposo, Armand, e o filho. Considerada uma das grandes pensadoras da Escola Latino-americana das Ciências da Comunicação, segundo Alberto Efendy, que conheceu os Matterlat no período pré-golpe de Estado, ela "optou por amar, aprender e ser latino-americana na luta concreta pela justiça, pela autêntica democracia participativa e popular e, em especial, pela construção de conhecimento e saberes no campo da comunicação social". Falecida no último sábado, 22, em Paris, Michèle deu uma contribuição inestimável ao pensamento social, com uma abordagem de gênero que poucas puderam produzir nessas últimas cinco décadas.

 





segunda-feira, agosto 24, 2026

Coluna Elejó

Sucupira é aqui

Imagem obtida por I.A

O episódio da semana passada envolvendo um ex-Governador e um ex-militar bêbado, num comício numa praça no bairro Bancários, me lembrou a comédia do dramaturgo Dias Gomes, "O Bem Amado", em que a personagem Odorico Paraguaçu não tinha sossego em suas aparições públicas. Seria cômico, não fosse trágico. A ocorrência sinaliza que teremos uma eleição das mais conturbadas. Seria recomendável que as forças de segurança redobrassem a atenção em eventos desse tipo nas principais cidades paraibanas.

Sucupira é aqui II

O primeiro debate na TV Aberta, ocorrido ontem à noite na Bandeirantes, com ausência de três presidenciáveis (Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema), também lembrou cenas da novela de Gomes, principalmente por causa da performance do candidato Renan Santos (Missão) que fez as vezes do bebum chato que passa o tempo todo chamando o político de "ladrão". 

Tô fora!

O fato de Lula e do filho de Bolsonaro boicotarem o evento patrocinado por um pool de veículos de comunicação, entre os quais Jovem Pan e o Grupo Estadão, pode ser até justificável, do ponto de vista do marketing das respectivas campanhas. Não deixa de ser, entretanto, um desrespeito aos eleitores e eleitoras. A ausência de Zema, por outro lado, causou estranheza e suscita rumores de que o candidato mineiro está prestes a abandonar a disputa. 

Missão, impossível!!


O debate na TV Band exibiu também o despreparo do candidato à Presidência da República do partido Missão, Renan Santos. Raivoso, misógino, falastrão e, acima de tudo, inconsequente. A impressão que tivemos é de Santos entrou na campanha eleitoral apenas para esculachar o rival do PT.


sexta-feira, agosto 14, 2026

Coluna Elejó

 
Antibióticos vitaminados 

Imagem: arquivo pessoal | Amanda Barros num

 momento de trabalho


Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) anunciaram terem descoberto na natureza 
um composto que potencializa a eficácia de medicamentos já em uso farmacológico. A descoberta promete mitigar infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos e foi publicada na revista Microbial Pathogenesis, anunciando o potencial do eugenol, presente no cravo-da-índia, em combinação com antibióticos convencionais no combate à bactéria Klebsiella pneumoniae, um dos vilões propulsores de infecções hospitalares graves. A pesquisadora Amanda Vieira de Barros (UFPE) e o pesquisador e professor Umberto Fulco (UFRN) ressaltam que a nova alternativa terapêutica não deve substituir antibióticos tradicionais, mas potencializá-los. (com informações de Amanda Menezes – NPAD/UFRN).

 

 

 

 RN pode manter legado de paraibana

Fotos: Bruno Póvoa | Cadu durante entrevista

O candidato ao Governo do Estado pelo PT, Cadu de Lula, tem um pouco mais de um mês agora para convencer o eleitorado potiguar que é mais futuro manter o legado da Governadora Fátima Bezerra, elegendo-o, do quê arriscar uma mudança com seus rivais.  Ex-secretário da Fazenda na gestão da paraibana Fátima Bezerra (PT), ele destacou ontem, numa sabatina da TV local, seu compromisso de dar continuidade às políticas da gestão da atual Governadora, especialmente a questão do equilíbrio fiscal e a parceria estratégica com o presidente Lula para garantir investimentos estruturantes no Rio Grande do Norte.  

Cadu ressaltou que o estado deixou de ser o mais violento do país, posicionando Natal como a capital mais segura do Nordeste. Ele promete a contratação de novos policiais e a implementação de um sistema de videomonitoramento em todo o estado e o uso de inteligência integrada para combater o crime organizado. Assegurou que aumentará os investimentos na Saúde pública dos atuais 12% para 16% do orçamento e anunciou a criação de um novo programa: "Saúde no Tempo Certo" e descentralizando cirurgias e exames para os hospitais regionais. Com 21 anos de serviço público e experiência direta na recuperação financeira do RN, o candidato convidou a população a conhecer nos próximos dias mais detalhes de seus projetos, que podem ser encontrados nesse endereço

  

Fardados na disputa

Nas eleições desse ano quase seis por cento das candidaturas serão oriundas de algum setor das Forças Públicas de Segurança (militares e civis). O dado é do TSE é foi alvo de recente matéria especial da Agência Pública. Serão mais de 20 mil candidaturas em todo o país. O fenômeno cresceu entre os anos de 2018 e 2022 e as razões são óbvias. Os eleitos no pleito passado fizeram crescer nas casas legislativas pautas punitivistas, de facilitação de acesso às armas e de mais recursos públicos para as organizações públicas de segurança. Na contramão de sociedades mais sintonizadas com pautas de pacificação e de desmilitarização, o Brasil prossegue extremamente vinculado à lógica militaresca e represssora. Um sintoma visível disso é a medição de policiais nas famílias. Em capitais nordestinas como Alagoas e Natal essa presença reflete uma cultura de aposta no crescimento de uma sociedade vigiada e altamente repressora, especialmente nas áreas consideradas mais violentas, ou seja: nos subúrbios.

 

 Adeus à Laura

Imagem: perfil de Instagram da atriz

A teledramaturgia e o teatro perdem um de seus maiores expoentes. Laura Cardoso (1927 - 2026) está sendo velada em São Paulo. Ele faleceu em casa, no Sumaré, após sentir-se mal. Registrada como Laurinda de Jesus Balleroni, estreou na TV em 1952 na TV Tupi. Participou de novelas como "Brilhante", "Pão Pão, Beijo Beijo", "Mulheres de Areia" e "A Viagem".

 

quinta-feira, agosto 13, 2026

Coluna Elejó

Doutora Cátia

Imagem: https://www.catiadefranca.com.br/

O perfil oficial da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) divulgou a notícia de que seu Conselho Universitário (Consuni) aprovou, nesta segunda-feira (10), a concessão do título de Doutora Honoris Causa à cantora, compositora, instrumentista e escritora paraibana Cátia de França. A proposta foi apresentada pela pró-reitora de Extensão, Bernardina Freire, e do coordenador de Extensão Cultural, Alexandre Santos. O título é uma distinção concedida pela Universidade a pessoas cuja trajetória tenha contribuído de forma relevante para a sociedade, as artes, a cultura ou outras áreas de interesse acadêmico e social. No caso de Cátia de França, a proposta destaca sua contribuição para a cultura paraibana e nordestina e a presença de sua obra na construção da memória e da identidade cultural. Desde que a Reitora Terezinha Domiciano assumiu os destino da UFPB, a instituição tem laureado nomes da cultura e da intelectualidade merecedores do Honoris Causa, como Zé Katimba, Oliveira de Panelas e Luis Couto.

Aerogeradores

Imagem: Pinterest

Uma distância mínima de 1,5 quilômetro entre aerogeradores e edificações de uso público, coletivo e privado, como residências, escolas, unidades de saúde e igrejas. É que determina o Projeto de Lei nº 2.061/2024, de autoria da deputada estadual Cida Ramos (PT). Para pressionar  o Governo da Paraíba a sancionar sem vetos a proposta já aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) realiza nesta sexta-feira,14, a partir das 9h, na Praça dos Três Poderes, em João Pessoa, um ato público convocando agricultoras, agricultores, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e comunidades rurais. A regulamentação proposta no PL busca estabelecer parâmetros de proteção para as populações que vivem nos territórios onde são instalados empreendimentos de energia eólica. 

 Pena capital

 

Imagem: Vatican News | Atef Najib, chefe de Segurança, escuta sentença no tribunal

Um tribunal em Damasco (Síria) condenou à Pena de Morte o ditador foragido Bashar al-Assad. Maher, irmão caçula, recebeu a mesma condenação. Ambos estão foragidos, provavelmente na Rússia, desde dezembro de 2014, quando um levante popular depôs a ditadura que massacrou, calcula-se, cerca de 500 mil pessoas naquele país em 14 anos de guerra civil. Os al-Assad governaram a Síria com mão-de-ferro por quase três décadas. O tribunal sírio condenou os ditadores por vários crimes, entre os quais o homicídio doloso de cidadãos com menos de 15 anos de idade, além de tortura e outras brutalidades cometidas contra seus opositores.