terça-feira, setembro 15, 2026

IX ENNEABI movimenta Sousa com cinco dias de debates sobre educação antirracista, cultura e ancestralidade

Evento acontece de 14 a 18 de setembro e reúne conferências, mesas-redondas, oficinas, minicursos, fóruns temáticos e atividades culturais

Componentes da mesa de abertura| fotos: Dalmo Oliveira 


Sousa, no Sertão da Paraíba, recebe de 14 a 18 de setembro o IX Encontro Nacional de Educação para as Relações Étnico-Raciais (IX ENNEABI). A programação reúne atividades acadêmicas, formativas e culturais que colocam em pauta temas como educação antirracista, identidade, ancestralidade, direitos, cultura indígena e afro-brasileira e os desafios enfrentados por instituições de ensino na promoção da igualdade racial.

A abertura ocorreu ontem à noite. Após o credenciamento, previsto para acontecer durante o dia no IFPB/Campus Sousa, a Faculdade GILGAL recebeu, a partir das 16h, a cerimônia oficial de abertura, com o tema “Memórias, Identidades e Lutas por Direitos nos Sertões”. Em seguida, às 18h, será realizada a conferência de abertura sobre educação para as relações étnico-raciais e a atuação dos NEABI’s e NEAB’s. 

Rosana: Igualdade racial não é periférica

Rosana Machado, coordenadora de Ações Afirmativas no Trabalho e na Política, do Ministério da Igualdade Racial, relembrou as políticas públicas destinadas à população negra. "A luta contra o racismo não pode ser  uma ação periférica do Estado. Ela precisar ser central e permanente", disse.

Francisco Roserlândio Nogueira, diretor do campus Sousa, fez uma fala emocionada ao falar sobre suas origens camponesas. Ele enfatizou a importância da política de apoio estudantil nos institutos federais e das universidades públicas, na garantia de alimentação, moradia, transporte e outros direitos para os alunos e alunas.

Mary Roberta: inteligências preservadas

A reitora do IFPB, Mary Roberta Meira Marinho, destacou o papel dos pesquisadores. Ela ressaltou os desafios que a população negra enfrenta ainda na atualidade para ter direito a saber suas origens no continente africano. A dirigente disse que há uma incompreensão sobre a população indígena, como se ela não devesse ter acesso a tecnologia e outros benefícios do mundo moderno.  Ela informou que existe uma parceria em andamento com o Ministério Público Federal  (MPF), para o estabelecimento de cotas de ingresso para população cigana no Instituto. "As inteligências não serão perdidas", frisou.

Programação  

Ao longo dos cinco dias, a programação será distribuída entre a Unidade Sede do IFPB/Campus Sousa, a Faculdade GILGAL e o Centro Cultural Banco do Nordeste, com atividades voltadas a diferentes públicos e áreas de conhecimento.

Na terça-feira (15) haverá discussões sobre formação docente e experiências educacionais. Pela manhã, a programação inclui mesas-redondas sobre os desafios e experiências na formação de professores, com abordagem que vai da educação básica à educação superior, além de debates sobre intercontinentalidades e diálogos emergentes.

No mesmo período, o evento promove uma imersão no território, com visitas a escolas da educação básica, ONGs, movimentos sociais e espaços culturais e comunitários. Os participantes realizarão visita à comunidade quilombola dos Rufinos, em Pombal.

Durante a tarde, uma série de oficinas aborda a relação entre educação, arte, memória e identidade. Estão entre os temas os grafismos indígenas, a cultura do Bumba Meu Boi e do reggae, cestarias amazônicas, fotografia e protagonismo indígena, pintura corporal indígena e africana, pinturas afro-brasileiras, cultura Hip-Hop, capoeira e justiça climática e racismo ambiental.

A agenda do dia termina com a Noite Cultural ENNEABI, a partir das 19h, no Centro Cultural Banco do Nordeste.

Na quarta-feira (16), a programação ganha ainda mais intensidade. Oficinas, minicursos, sessões de pôsteres, sessões temáticas e fóruns ocupam os dois principais espaços do evento.

Representantes da comunidade cigana reivindicam mais espaço na Academia 


Entre as atividades estão oficinas sobre práticas pedagógicas antirracistas, capoeira, cartografia social, turbantes, grafismos multiétnicos e valorização da ancestralidade.

No IFPB/Campus Sousa, os minicursos abordam assuntos como tecnologias africanas, práticas antirracistas no ambiente escolar e a presença da cultura, ciência e tecnologia africanas no Sertão brasileiro.

À tarde, a programação inclui minicursos sobre racismo e educação, Maracatu Rural, branquitude, mulheres quilombolas, racismo no futebol, língua indígena Canela, Libras, música negra e a trajetória e implementação dos NEABs e NEABIs. Também está previsto o lançamento de livros do IX ENNEABI.

Outro destaque são os fóruns temáticos, que discutem acesso, permanência e êxito na educação; preservação das culturas de povos indígenas, quilombolas e ciganos da Paraíba; estrutura administrativa dos NEABs e NEABIs; e gestão e captação de recursos para ações de educação antirracista.

Encontro dos NEABI's coloca Alto Sertão paraibano no centro da discussão acadêmica sobre promoção da igualdade racial 

A partir das 08h20, o jornalista Dalmo Oliveira, vai apresentar resumo de uma das abordagens da sua pesquisa de doutorado no Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia (PpgEM) da UFRN. O paper discute “Saberes ancestrais da cosmologia indígena nas mídias digitais: Estudos transmetodológicos sobre impactos sociais e culturais da massificação de artefatos e de redes digitais” e será apresentado de forma oral na Sessão ST 10, que aborda no encontro o tema: Relações Étnico-Raciais em Diferentes Campos do Saber: (re)construindo identidades.

As sessões temáticas ocorrem na Faculdade GILGAL. “Trouxemos um resumo expandido para apresentar aos colegas pesquisadores envolvidos com a área temática Territórios, Saberes e Interculturalidade desse importante evento nacional”, diz Oliveira.

À noite, a Noite Cultural ENNEABI retorna à programação, novamente no Centro Cultural Banco do Nordeste.

Diálogos transdisciplinares e saberes ancestrais

Na quinta-feira (17), o encontro amplia as discussões sobre ancestralidade, cultura e educação. Entre as oficinas previstas estão atividades sobre povos originários sul-americanos, práticas decoloniais a partir de Frantz Fanon, protagonismo estudantil, artesanato indígena, corpo-território, saberes quilombolas, teatro negro e valorização da diversidade capilar.

A programação também prevê rodas de conversa sobre educação para as relações étnico-raciais e sobre internacionalização, identidades e saberes, com um diálogo entre o Sertão paraibano e Camarões.

No período da tarde, uma mesa-redonda discute gestão educacional e educação para as relações étnico-raciais, com foco em ensino, pesquisa, extensão e formação de professores. Os fóruns temáticos continuam e novas oficinas entram na programação, incluindo uma atividade sobre culinária afrobaiana, oralidade e memória nos terreiros de Candomblé.

O encerramento da quinta-feira terá dois momentos noturnos: a Noite Cultural ENNEABI, no Centro Cultural Banco do Nordeste, e a mesa-redonda “Possibilidades e limites do pensamento contracolonial”, na Faculdade GILGAL.

Encerramento acontece na sexta-feira

O IX ENNEABI termina na sexta-feira (18), com duas atividades no IFPB/Campus Sousa. Às 8h, será realizada a Conferência de Encerramento, com o tema “Educação para as Relações Étnico-Raciais: Diversidade, Democracia e Educação Básica”.

Na sequência, às 10h, a Plenária Final discutirá o papel dos NEABI’s e NEAB’s na defesa da educação para as relações étnico-raciais na educação básica.

Com uma agenda que combina produção acadêmica, formação, debates e manifestações culturais, o IX ENNEABI coloca Sousa no centro das discussões sobre educação para as relações étnico-raciais durante cinco dias. A programação contempla desde experiências pedagógicas e formação de professores até manifestações artísticas, saberes ancestrais e discussões sobre políticas e estruturas institucionais voltadas à educação antirracista.





sexta-feira, setembro 11, 2026

Lula no SBT

 


Em 30 minutos ao vivo, o Presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, realizou na noite desta quinta-feira, 10, uma de suas melhores entrevistas televisivas na atual fase da disputa eleitoral para a Presidência da República. Sabatinado pelas jornalistas Basília Rodrigues e Marina Demori, ele respondeu, sem titubear, questões sobre o conflito instalado no STF.


Confirmou ter recebido o banqueiro Daniel Vorcaro em seu gabinete, que o teria procurado alegando ser alvo de outro banqueiro, que tentava manipular o Banco Central contra o Máster. Lula lembrou às entrevistadoras que o Banco de Vorcaro foi criado durante o Governo Bolsonaro e que foi investigado e fechado pelo seu Governo, depois de constatadas as irregularidades contra o Sistema Financeiro. O petista lembou também que o falecido empresário Sílvio Santos o procurou em determinada situação para pedir ajuda para o banco do fundador do SBT.


Numa alusão óbvia ao escândalo do financiamento do filme Dark Horse, Lula disse se considerar um sujeito de sorte e que seus adversários seriam “azarados”. E ao responder sobre o impacto da crise no STF neste momento, às vésperas da eleição, disse que não tem tempo para ficar preocupado com as pesquisas. “Tem pesquisa para todos os gostos. Existe uma fábrica de pesquisas eleitorais”, comentou.


Na parte mais propositiva da entrevista, Lula respondeu sobre a questão da Educação. Disse que vai investir na ampliação do ensino de tempo integral, inclusive no Ensino Médio. Destacou seu trabalho na criação de novas universidades e de institutos federais. “No Brasil a gente vive uma espécie de esquecimento educacional e eu vou reverter isso. Quero ficar conhecido como o Presidente da Educação”, asseverou.


Outro momento muito assertivo, o Presidente Lula disse que fazer política para ele é uma “causa”, que ele assume em benefício da maioria da população, dos trabalhadores e das pessoas que mais precisam de políticas públicas.


domingo, agosto 30, 2026

Augusto Cury tenta transformar sabatina em palestra motivacional

Imagem: augustocury.com.bt

Candidato do Avante aposta em inteligência artificial, empreendedorismo e pacificação, mas a sabatina mostrou que o Brasil exige mais do que boas ideias: exige projeto, números e capacidade de execução


Por Dalmo Oliveira*


A política brasileira precisa de renovação. Mas renovar não significa apenas mudar o discurso: significa apresentar respostas concretas para a desigualdade, diminuição da pobreza, melhoras na Economia, Segurança Pública mais eficaz, Educação de qualidade e os enormes desafios de um Estado que precisa funcionar para a maioria da população.


A participação de Augusto Cury encerrou a série de sabatinas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República e colocou diante do eleitor uma candidatura que procura se apresentar como alternativa à polarização política que domina o país. Ele fez menção a Jesus Cristo como sendo seu maior mentor.

Cury chegou à bancada do telejornal com uma marca própria. Em vez de reproduzir integralmente os discursos tradicionais da esquerda ou da direita, procurou construir uma narrativa baseada em inteligência emocional, educação, empreendedorismo, inovação tecnológica, inteligência artificial e pacificação.

É um discurso sedutor. Mas a eleição presidencial não é uma palestra. E essa talvez seja a principal conclusão que fica depois da entrevista.

Cury trouxe um diagnóstico pronto: existe um cansaço dos eleitores brasileiros diante da polarização política permanente nas disputas há cada quatro anos. 

Nesse sentido, Cury se apresenta como uma alternativa interessante. Mas existe uma diferença fundamental entre se esquivar das polarização e poder governar um país dividido ideologicamente. 

O conflito político não desaparecerá porque um presidente defenderá a paz. O Congresso continuará fragmentado. Os interesses econômicos continuarão existindo. As desigualdades continuarão produzindo conflitos. Os movimentos sociais continuarão reivindicando direitos. Os empresários continuarão pressionando por melhores condições. E os trabalhadores continuarão exigindo emprego, melhor salário e proteção social.

Governar significa administrar essas contradições. Por isso, a pacificação pode ser um princípio de governo.

Inteligência artificial: futuro ou palavra de ordem?


Cury fez da inteligência artificial uma das principais bandeiras de sua candidatura. E há razão para isso. A IA já está transformando profissões, empresas, universidades, escolas e relações sociais. O Estado brasileiro precisará inevitavelmente discutir como utilizar essa tecnologia. O debate proposto por Cury, portanto, é pertinente. O problema surge quando a tecnologia começa a aparecer como resposta para quase todos os problemas.

Segundo o candidato, a inteligência artificial pode aumentar produtividade. Pode reduzir burocracia. Pode melhorar serviços e ajudar no planejamento público.Mas não consegue sozinha eliminar as desigualdades. Não substitui professores. E nem resolve o problema da fome. Nem constrói moradias ou garante emprego decente. Sozinha não combate o crime organizado.

Os Algoritmos não decidem o orçamento da União. Essa é uma das tarefas do Presidente da República, com ministros e assessores qualificados.

Outra aposta de Cury é o empreendedorismo. O Brasil precisa, sim, facilitar a vida de pequenos empresários e trabalhadores que desejam empreender. Precisa reduzir a burocracia. Melhorar acesso ao crédito, oferecer qualificação. Precisa criar condições para que pequenos negócios sobrevivam e cresçam. Mas existe uma fronteira que não pode ser ignorada: Nem todo desempregado será empresário e nem todo trabalhador quer ser empreendedor. Não se combate a pobreza simplesmente dizendo ao pobre para abrir uma empresa.

Empreendedorismo precisa ser política de desenvolvimento e não substituto de política social. Num país democrático é preciso garantir três condições indispensável: oportunidade econômica, direitos trabalhistas e proteção social.

Mas foi no assunto "economia" que o candidato se mostrou mais incipiente. Cury apresentou propostas para melhorar as contas públicas, combater desperdícios e corrupção, reduzir estruturas administrativas e ampliar a arrecadação. Mas não conseguiu responder a seguinte pergunta: Quanto será economizado? Quanto e como vai fazer para aumentar a arrecadação?? Quais despesas serão reduzidas imediatamente? Quais políticas públicas serão preservadas?

Ele disse que extinguirá entre oito e dez Ministérios, mas não revelou quais e que critérios usaria para isso. Mencionou criar algo (talvez uma Secretaria Especial) para fomento de I.A, um "Ministério da Segurança Pública" e da necessidade de o país quintuplicar sua capacidade de produção de alimentos, sem maiores detalhes. Também asseverou que vai convidar o candidato Ronaldo Caiado para ser seu "xerife". 

O Brasil real está esperando


Enquanto os candidatos discutem seus projetos, o Brasil continua enfrentando problemas concretos. A população quer saúde funcionando. Escola pública de qualidade. Segurança pública eficiente, mais empregos, moradia. Segurança alimentar. Expansão do saneamento. E quer um Estado que não apareça apenas na época da eleição. É nesse Brasil real que qualquer projeto presidencial precisa ser testado.

Por isso, a candidatura de Cury terá de avançar da linguagem conceitual para a linguagem da política pública. Os entrevistadores perguntaram ainda se não haveriam conflitos de interesses entre a vinculação de Cury ("embaixador") com instituições privadas e suas propostas para a Presidência da República. 

Cury tem uma história pessoal e profissional que lhe permite falar sobre comportamento, educação e inteligência emocional com autoridade. Tem boa capacidade de comunicação. Oferece uma mensagem diferente. Treinada há vários anos nas palestras que dá a platéias refinadas. 

Discursos sobre eficiência, promessas de combate à corrupção, propostas de modernização todos os adversários do candidato-palestrante fizeram na sabatina com Cesar Tralli e Renata Vasconcellos durante essa semana.

Porque o Brasil não precisa apenas de alguém que saiba explicar o futuro. Precisa de alguém que saiba construí-lo.

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*Artigo escrito com suporte de ferramenta de I.A, se adiantando às previsões de Augusto Cury.

sexta-feira, agosto 28, 2026

Coluna Elejó

Eclipse I

Imagem: da Assessoria

Era para ser apenas mais uma daquelas entrevistas-massacre que o pessoal da Globo costuma fazer às vésperas de uma eleição para a Presidência da República: perguntas desconfortáveis de cunho pessoal dando a tônica. Só que, desta vez, esqueceram de combinar com o time adversário. Então, ontem à noite, Lula eclipsou o brilho das estrelas Renata Vasconcellos e Cesar Tralli, durante 40 minutos no horário nobre da TV aberta brasileira.


Eclipse II

Firme, preparado e consciente daquela oportunidade midiática, o candidato do PT colocou em dúvida a escolha de perguntas que a dupla titular de atacantes do JN selecionou para ocupar quase 50% da sabatina ao vivo. Provavelmente, as respostas de Lula não tenham sido dirigidas, necessariamente, aos jornalistas ali na sua frente, mas aos elaboradores do discurso institucional que a Rede Globo construiu desde 1989, quando o JN colocou no ar sua visão sobre o debate entre Lula e Fernando Collor.


Eclipse III

No confronto de ontem, os entrevistadores impuseram uma discussão que tratou mais de acusações (que Lula chamou de ilações) contra seu filho mais velho, Fábio Luís, seu ex-chefe de Gabinete, Marcola, e ao senador baiano Jaques Wagner (PT). A estratégia discursiva foi óbvia: abordar o tema da corrupção atacando gente muito próxima ao Presidente. Mas o candidato entrevistado tirou de letra, mesmo perdendo tempo precioso do programa televisivo.


Eclipse IV

A entrevista poderia ter sido mais propositiva do que aquele arremedo de interrogatório proferido por Tralli e Vasconcellos. Não houve questões sobre enfrentamento às emergências climáticas, mesmo num momento de tragédia na região do Nepal e do Tibet. O jornalismo da Globo também “esqueceu” de indagar o petista sobre as discussões do fim da escala de trabalho 6X1 que está tramitando no Congresso Nacional. Outro tema importante negligenciado na entrevista diz respeito à soberania nacional e as relações internacionais do Brasil, especialmente frente aos tarifaços do Governo do Presidente estadunidense Donald Trump.


Eclipse V

Enquanto, lá fora, a Terra encobria a luz do Sol sobre a Lua, Lula ofuscava a tentativa de manipulação da Central Globo de Jornalismo. Se a entrevista fosse de, pelo menos, 60 minutos o eclipse lular teria sido total. 

 

Adeus à Michèle

Imagem: Arquivo do CIESPAL

Quando os fascistas chilenos bombardearam o palácio presidencial La Moneda, em 1973, Michèle Mattelart já estava de volta à França, mas havia deixado em Santiago o esposo, Armand, e o filho. Considerada uma das grandes pensadoras da Escola Latino-americana das Ciências da Comunicação, segundo Alberto Efendy, que conheceu os Matterlat no período pré-golpe de Estado, ela "optou por amar, aprender e ser latino-americana na luta concreta pela justiça, pela autêntica democracia participativa e popular e, em especial, pela construção de conhecimento e saberes no campo da comunicação social". Falecida no último sábado, 22, em Paris, Michèle deu uma contribuição inestimável ao pensamento social, com uma abordagem de gênero que poucas puderam produzir nessas últimas cinco décadas.

 





segunda-feira, agosto 24, 2026

Coluna Elejó

Sucupira é aqui

Imagem obtida por I.A

O episódio da semana passada envolvendo um ex-Governador e um ex-militar bêbado, num comício numa praça no bairro Bancários, me lembrou a comédia do dramaturgo Dias Gomes, "O Bem Amado", em que a personagem Odorico Paraguaçu não tinha sossego em suas aparições públicas. Seria cômico, não fosse trágico. A ocorrência sinaliza que teremos uma eleição das mais conturbadas. Seria recomendável que as forças de segurança redobrassem a atenção em eventos desse tipo nas principais cidades paraibanas.

Sucupira é aqui II

O primeiro debate na TV Aberta, ocorrido ontem à noite na Bandeirantes, com ausência de três presidenciáveis (Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema), também lembrou cenas da novela de Gomes, principalmente por causa da performance do candidato Renan Santos (Missão) que fez as vezes do bebum chato que passa o tempo todo chamando o político de "ladrão". 

Tô fora!

O fato de Lula e do filho de Bolsonaro boicotarem o evento patrocinado por um pool de veículos de comunicação, entre os quais Jovem Pan e o Grupo Estadão, pode ser até justificável, do ponto de vista do marketing das respectivas campanhas. Não deixa de ser, entretanto, um desrespeito aos eleitores e eleitoras. A ausência de Zema, por outro lado, causou estranheza e suscita rumores de que o candidato mineiro está prestes a abandonar a disputa. 

Missão, impossível!!


O debate na TV Band exibiu também o despreparo do candidato à Presidência da República do partido Missão, Renan Santos. Raivoso, misógino, falastrão e, acima de tudo, inconsequente. A impressão que tivemos é de Santos entrou na campanha eleitoral apenas para esculachar o rival do PT.