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Representação dos povos indígenas e negros africanos fundadores históricos da capital da Paraíba (Imagem meramente ilustrativa, artificial, produzida por ChatGPT) |
O estuário do Sanhauá serpenteia lá embaixo, separando o verde da mata com o tom quase marrom de suas águas. Eu fico a imaginar como esse pedaço da cidade foi surgindo. A construção do porto do Capim. Os armazéns iniciais. As primeiras mercadorias, saindo e chegando.
Como Paraíba se fez. As negociações de um convívio forçado com o europeu invasor. E um povo novo foi surgindo, não espontaneamente, sem congraçamentos. Algo entre a vilania e a resiliência. Os aceites e os açoites. O encantamento e a desconfiança com os estrangeiros. A aversão e o asco com os nativos. O medo dos negros.
Foi o rio (o mangue, o braço de mar) que nos deu os caminhos. Até hoje, com trechos de sua margem, suas praias inexploradas. Mas, entre o rio-início e o mar-mundo-atlântico, havia outros rios. E o território se mostrou fértil, interessante, surpreendente.
Eu vim do norte, saindo das terras brejeiras. Re-ocupar a terra onde meu pai nasceu. Resgatar ancestralidades e inventar novas vivências. Tempo dos encontros e da fuga. Desenraizei-me de lá e fiz meus frutos perto do mar-Mãe.
O que nos finca na terra é a memória, os eventos indizíveis. O orgasmo nos perpetua. Valida-nos e lança as sementes dum futuro que não veremos. Às vezes eu saio, vou pra longe. Mas sei que ali tenho um chão. E sobre ele, tenho estrelas que nos visitam de vez em quando.
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Jornalista e servidor público. Natural de Guarabira. Vive, mora e resiste em João Pessoa desde 1985.


