
Imagem: augustocury.com.bt
Candidato do Avante aposta em inteligência artificial, empreendedorismo e pacificação, mas a sabatina mostrou que o Brasil exige mais do que boas ideias: exige projeto, números e capacidade de execução
Por Dalmo Oliveira*
A política brasileira precisa de renovação. Mas renovar não significa apenas mudar o discurso: significa apresentar respostas concretas para a desigualdade, diminuição da pobreza, melhoras na Economia, Segurança Pública mais eficaz, Educação de qualidade e os enormes desafios de um Estado que precisa funcionar para a maioria da população.
A participação de Augusto Cury no Jornal Nacional encerrou a série de sabatinas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República e colocou diante do eleitor uma candidatura que procura se apresentar como alternativa à polarização política que domina o país. Ele fez menção a Jesus Cristo como sendo seu maior mentor.
Cury chegou à bancada do telejornal com uma marca própria. Em vez de reproduzir integralmente os discursos tradicionais da esquerda ou da direita, procurou construir uma narrativa baseada em inteligência emocional, educação, empreendedorismo, inovação tecnológica, inteligência artificial e pacificação.
É um discurso sedutor. Mas a eleição presidencial não é uma palestra. E essa talvez seja a principal conclusão que fica depois da entrevista.
Cury trouxe um diagnóstico pronto: existe um cansaço dos eleitores brasileiros diante da polarização política permanente nas disputas há cada quatro anos.
Nesse sentido, Cury se apresenta como uma alternativa interessante. Mas existe uma diferença fundamental entre se esquivar das polarização e poder governar um país dividido ideologicamente.
O conflito político não desaparecerá porque um presidente defenderá a paz. O Congresso continuará fragmentado. Os interesses econômicos continuarão existindo. As desigualdades continuarão produzindo conflitos. Os movimentos sociais continuarão reivindicando direitos. Os empresários continuarão pressionando por melhores condições. E os trabalhadores continuarão exigindo emprego, melhor salário e proteção social.
Governar significa administrar essas contradições. Por isso, a pacificação pode ser um princípio de governo.
Inteligência artificial: futuro ou palavra de ordem?
Cury fez da inteligência artificial uma das principais bandeiras de sua candidatura. E há razão para isso. A IA já está transformando profissões, empresas, universidades, escolas e relações sociais. O Estado brasileiro precisará inevitavelmente discutir como utilizar essa tecnologia. O debate proposto por Cury, portanto, é pertinente. O problema surge quando a tecnologia começa a aparecer como resposta para quase todos os problemas.
Segundo o candidato, a inteligência artificial pode aumentar produtividade. Pode reduzir burocracia. Pode melhorar serviços e ajudar no planejamento público.Mas não consegue sozinha eliminar as desigualdades. Não substitui professores. E nem resolve o problema da fome. Nem constrói moradias ou garante emprego decente. Sozinha não combate o crime organizado.
Os Algoritmos não decidem o orçamento da União. Essa é uma das tarefas do Presidente da República, com ministros e assessores qualificados.
Outra aposta de Cury é o empreendedorismo. O Brasil precisa, sim, facilitar a vida de pequenos empresários e trabalhadores que desejam empreender. Precisa reduzir a burocracia. Melhorar acesso ao crédito, oferecer qualificação. Precisa criar condições para que pequenos negócios sobrevivam e cresçam. Mas existe uma fronteira que não pode ser ignorada: Nem todo desempregado será empresário e nem todo trabalhador quer ser empreendedor. Não se combate a pobreza simplesmente dizendo ao pobre para abrir uma empresa.
Empreendedorismo precisa ser política de desenvolvimento e não substituto de política social. Num país democrático é preciso garantir três condições indispensável: oportunidade econômica, direitos trabalhistas e proteção social.
Mas foi no assunto "economia" que o candidato se mostrou mais incipiente. Cury apresentou propostas para melhorar as contas públicas, combater desperdícios e corrupção, reduzir estruturas administrativas e ampliar a arrecadação. Mas não conseguiu responder a seguinte pergunta: Quanto será economizado? Quanto e como vai fazer para aumentar a arrecadação?? Quais despesas serão reduzidas imediatamente? Quais políticas públicas serão preservadas?
Ele disse que extinguirá entre oito e dez Ministérios, mas não revelou quais e que critérios usaria para isso. Mencionou criar algo (talvez uma Secretaria Especial) para fomento de I.A, um "Ministério da Segurança Pública" e da necessidade de o país quintuplicar sua capacidade de produção de alimentos, sem maiores detalhes. Também asseverou que vai convidar o candidato Ronaldo Caiado para ser seu "xerife".
O Brasil real está esperando
Enquanto os candidatos discutem seus projetos, o Brasil continua enfrentando problemas concretos. A população quer saúde funcionando. Escola pública de qualidade. Segurança pública eficiente, mais empregos, moradia. Segurança alimentar. Expansão do saneamento. E quer um Estado que não apareça apenas na época da eleição. É nesse Brasil real que qualquer projeto presidencial precisa ser testado.
Por isso, a candidatura de Cury terá de avançar da linguagem conceitual para a linguagem da política pública. Os entrevistadores perguntaram ainda se não haveriam conflitos de interesses entre a vinculação de Cury ("embaixador") com instituições privadas e suas propostas para a Presidência da República.
Cury tem uma história pessoal e profissional que lhe permite falar sobre comportamento, educação e inteligência emocional com autoridade. Tem boa capacidade de comunicação. Oferece uma mensagem diferente. Treinada há vários anos nas palestras que dá a platéias refinadas.
Discursos sobre eficiência, promessas de combate à corrupção, propostas de modernização todos os adversários do candidato-palestrante fizeram na sabatina com Cesar Tralli e Renata Vasconcellos durante essa semana.
Porque o Brasil não precisa apenas de alguém que saiba explicar o futuro. Precisa de alguém que saiba construí-lo.
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*Artigo escrito com suporte de ferramenta de I.A, se adiantando às previsões de Augusto Cury.
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