sábado, outubro 13, 2007

Meninas são principais vítimas da insegurança alimentar na Paraíba

fotos: Dalmo Oliveira

Família se alimenta em rua do conjunto Geisel, em João Pessoa (PB)


por Dalmo Oliveira






"A luta contra a fome e sua possível eliminação da superfície da Terra não constitui utopia, mas um objetivo perfeitamente realizável nos limites da capacidade dos homens e das possibilidades da terra"
Josué de Castro


Uma pesquisa finalizada no ano passado mostra uma realidade cruel da histórica guerra de gêneros. Nos 14 municípios onde os questionários foram aplicados foi verificado que as meninas, com idade inferior aos cinco anos, enfrentam problemas de desnutrição e insegurança alimentar numa proporção bem mais acentuada que os meninos. “A desnutrição foi mais grave entre as meninas, especialmente no indicador de déficit de peso para a idade”, diz o professor Rodrigo Pinheiro de Toledo Vianna, do Departamento de Nutrição, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, um dos coordenadores da pesquisa, iniciada em 2005.
Com o título de “Diagnóstico de Insegurança Alimentar na Paraíba”, a pesquisa é um alerta também para a questão da relação de gêneros numa realidade sociológica marcada pela predominância masculina e suas consequentes extensões, como o patriarcado e o machismo exacerbados. Sem dúvida um sério problema social em cidades do interior nordestino, como aquelas onde a pesquisa de Vianna foi realizada.
Na opinião de Rodrigo Vianna, as meninas são mais afetadas porque acabam recebendo menos atenção dos adultos, enquanto que os meninos usufruem de uma dedicação especial. Do ponto de vista antropológico, o “esquecimento” que atinge as meninas é o reflexo de uma cultura que vê no macho as maiores chances de perpetuação da espécie. As fêmeas seriam, numa percepção evolucionista, “desenhadas” para serem mais quietas, mais calmas, chamando menos atenção para si, necessitando, por isso, de menos recursos. Por outro lado, é a própria fêmea que se encarrega de cuidar e de alimentar os menores, abrindo mão até de sua própria sustentabilidade nutricional. É comum no Nordeste ver meninas a partir dos seis anos cuidando dos irmãos pequenos. Na mesa, na hora das refeições, a menina sofre por causa dessa determinação cultural ao ficar em segundo plano no momento de receber a comida.
Os entrevistadores ouviram cerca de cinco mil famílias nos municípios que em 2002 foram contemplados com as primeiras ações do programa federal Fome Zero. Os municípios pesquisados foram: Araruna, Areial, Aroeiras, Bananeiras, Bernadino Batista, Boqueirão, Cacimba de Dentro, Esperança, Itabaiana, Nova Floresta, Picuí, Queimadas, São José dos Ramos e Umbuzeiro. Rodrigo Vianna diz que nesse último a situação da insegurança alimentar da população é mais caótica, com 22,8% na categoria grave. Pelos dados da pesquisa, a Paraíba possui hoje cerca de 11% de sua população em situação de insegurança alimentar grave.




fonte: Rodrigo Vianna/CCS-UFPB



Com relação ao local de moradia, 14% dos domicílios pesquisados que apresentam um quadro grave de insegurança alimentar e nutricional estão situados na zona rural, contra 9% da zona urbana. Do total de domicílios investigados que apresentam problemas de insegurança alimentar, 2.404 casos estão no perímetro urbano, contra 2080 casos na zona rural.
Os pesquisadores dividem a problemática da insegurança alimentar em três níveis: Insegurança alimentar grave, que é o estado onde a família convive com a situação real de fome, obrigando os adultos e as crianças a pular refeições ou até mesmo ficarem até um dia inteiro sem comida. A considerada “moderada”, que significa a restrição na quantidade de alimentos disponíveis para a família, e a insegurança alimentar leve, “que representa o estado de diminuição da qualidade da alimentação das famílias”, explica o nutrólogo da UFPB. “Nas famílias com número de refeições inferiores a três por dia a situação começa a se agravar”, complementa.
Esse é o caso da família do desempregado Manoel Andrade, 34, morador da comunidade Nova República. Encontramos ele e a família perambulando pelas ruas do conjunto Ernesto Geisel e adjacências em busca de alimento e oportunidades de trabalho. A família de Andrade se compõe de quatro crianças mais a esposa, dona Josefa, 27. São crianças com seis, quatro, três e a mais nova de um ano e poucos meses. Três meninos (João, 6, Inácio, 4 e Beto Jr., o caçula) e a menina Jussara, 5. “Os mais velhos ajudam a pedir comida e a gente come tudo junto”, diz a mãe, durante o almoço na calçada. “Acho que os meninos são mais vivos. O novinho ainda tá no colo e a menina me ajuda muito a cuidar dele quando tenho que sair”, relata dona Zefa, a mãe da prole que apresenta um aspecto inegável de desnutrição.
“De vez em quando eu faço bico, limpo quintal, lavo carro, mas emprego fixo faz tempo que não tem. O jeito é botar todos pra pedir na rua”, diz Andrade. Ex-presidiário, com tatuagens na perna direita e no pescoço, o pai de família não é exatamente o modelo padrão de provedor. Mas nem por isso se mostra relapso com os filhos.“Na hora de comer a gente divide o que tem”, comenta.
O menino Júnior está sem roupas. Apesar do calor intenso, a impressão é de que sua nudez está mais relacionada com as péssimas condições da família do que pela elevada temperatura. Perto das 13 horas, as crianças se distraem com pirulitos. Algumas delas acabaram de conseguir pedaços de carne numa mesa no bar de seu Carlos, mais conhecido pelos fregueses como “Bar do Carrá”. “Eles passam de vez em quando aqui, pedindo nas casas. A prefeitura ou o estado deviam fazer alguma coisa com isso”, opina o dono do estabelecimento, contemplando a cena da família se alimentando na rua.

Negros e mestiços mais vulneráveis

A pesquisa também conclui que a prevalência da insegurança alimentar é maior quando há nos domicílios adolescentes e crianças. Outro agravante é quando a pessoa de referência da casa é do sexo feminino, provavelmente pelo fato de serem as mulheres trabalhadoras, historicamente, pior remuneradas que os homens. A situação se agrava ainda mais entre a população negra ou parda e nos domicílios com rendimentos per capita de no máximo um salário mínimo.
Em relação às crianças, a inseguridade alimentar piora na mesma proporção de quanto menor for a escolaridade dos pais. A pesquisa mostrou também que crianças de cor (da raça negra, também chamadas de “parda”, “mulata” ou “morena”) estão mais vulneráveis. Na região Nordeste, 6% das crianças na faixa até cinco anos de idade estão desnutridas, um quadro bem melhor que o da década de 70, quando 50% delas estavam nessa situação.
A pesquisa foi realizada por três professores e dez alunos de iniciação científica de várias áreas, como Nutrição, Enfermagem e Serviço Social. Eles fizeram perguntas do tipo: “Nos últimos três meses a(o) senhora (senhor) teve preocupação de que a comida na sua casa acabasse antes que a(o) senhora(senhor) tivesse condição de comprar, receber ou produzir mais comida?”. Perguntou-se também se nos últimos três meses, algum morador com menos de 18 anos de idade, ficou sem comer por um dia inteiro porque não havia dinheiro para comprar a comida.
“O IBGE fez pesquisa similar e os dados foram muito parecidos. A pesquisa foi conduzida com base na lei de segurança alimentar. Por esses dados, 50% da população estaria em insegurança”, acrescenta o pesquisador da UFPB. Vianna diz que, ao contrário do que ocorria em décadas anteriores, a desnutrição é pequena, mas um dado novo e curioso chamou a atenção dos especialistas: Há um quadro de obesidade crescente. “Dez por cento dos homens adultos estão obesos e 40% tem excesso de peso. Com relação às crianças, seis por cento estão com excesso de peso”, revela o pesquisador.
Ele diz que esse fenômeno nutricional se dá porque a população mantém hábitos ruins de alimentação por falta de recursos, preferindo investir o pouco recurso disponível em alimentos de baixa qualidade nutricional, como o macarrão, e em alimentos super-calóricos e ricos em açúcar. “O que temos é uma bomba-relógio armada para explodir mais adiante, porque estamos saindo de um quadro onde o problema era doenças ocasionadas pela desnutrição, como anemia, para gerar doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e complicações cardiovasculares”, adverte.
Para Rodrigo Vianna, falta política pública para garantir uma alimentação saudável. “A má alimentação aparece por vários aspectos, desde a falta de hábitos alimentares saudáveis até a dificuldade em se conseguir dinheiro para a compra de alimentos de melhor qualidade. Precisamos também melhorar a atenção primária nos sistemas de assistência públicos como o SUS”, aconselha.
A Chamada Nutricional realizada em 2005 no Semi-árido do Nordeste e no Norte de Minas, pelo Ministério do Desenvolvimento Social, também apontou problemas similares aos encontrados na pesquisa da Paraíba. Vianna diz que no ano passado a campanha de vacinação dos índios e quilombolas também encontrou quadros preocupantes de insegurança alimentar e nutricional junto a essas comunidades.
Para saber se há um estado de desnutrição nas crianças os nutricionistas comparam as medidas de dois itens: o déficit de peso e o déficit de altura. O primeiro diz ao investigador se a criança tem passado por privações nutricionais recentes. Já a deficiência na altura das crianças pode mostrar que elas foram submetidas a privações alimentares e de nutrientes durante um período longo de suas existências, chegando, portanto, ao que os especialistas chamam de desnutrição crônica. Os dois tipos de déficits têm uma implicação direta na qualidade de vida e até na espectativa de vida das pessoas. No Brasil, a esperança de vida, ao nascer, é de 71.7 anos. No Nordeste essa espectativa cai para 68.6 e na Paraíba é menor ainda: 67.9.
Foi o livro “Geopolítica da Fome” (Ed. Casa do Estudante do Brasil, Rio, 1954), do pernambucano Josué de Castro, que inaugurou um alerta nutricional para o surgimento, no Nordeste, de um novo biótipo humano, o homem-gabiru, raquítico e pouco maior do que um anão, como resultado de séculos de desnutrição.
Alguns especialistas do problema, como Bertoldo Kruse Grande de Arruda, professor Adjunto do Departamento de Medicina Social da UFPE e membro do Conselho Consultivo Técnico-Científico do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN), analisa a problemática alimentar e nutricional em dois níveis: 1) microeconômico, “Que envolve os fatores estruturais, aponta para medidas de longo prazo, de modo a assegurar uma oferta qualitativa e quantitativa de alimentos, em função das necessidades nutricionais da população”. E 2) macroeconômico, que segundo Kruse abrange os fatores do microambiente, confere elevado peso à demanda, que se faz de modo desigual em virtude, predominantemente, do poder de compra do consumidor, e considera a influência dos fatores ocupacionais, fisiológicos e sobretudo patológicos.
“É imprescindível ter em mente que estes setores se complementam, mutuamente se reforçam e consubstanciam a definição de uma política integrada de desenvolvimento econômico e social. As doenças carenciais não têm uma distribuição aleatória na população. Há um risco de ocorrência que pode ser estimado ou previsto em face de determinadas variáveis. Além dos aspectos relativos à oferta e demanda de alimentos, no caso brasileiro faz-se mister chamar a atenção para alguns condicionamentos que interferem na probabilidade do aparecimento da desnutrição: o predomínio de populações jovens (70% no grupo materno-infantil), com elevado padrão reprodutivo, prole numerosa, franco desequilíbrio na relação entre pessoas economicamente ativas e dependentes, gestações em menores de 20 anos, ou inversamente, em maiores de 35 anos”, acrescenta o pesquisador.
















Vianna, retrato da insegurança alimentar na PB

terça-feira, setembro 11, 2007

Seminário discute importância da cobertura de ciência e tecnologia na mídia regional
















O jornalista Dalmo Oliveira vai falar sobre jornalismo científico
na comunicação corporativa


Jornalismo científico na mídia regional é o tema central do seminário que acontece na próxima quarta – feira, 12 de setembro, a partir das 15 horas, no auditório da Embrapa Algodão, no bairro do Centenário, em Campina Grande. O evento tem o apoio da Embrapa e da Universidade Estadual da Paraíba.
Três painelistas abordarão temas relacionados à questão: o primeiro deles será o professor Cidoval Sousa (UEPB), que vai falar sobre “Educação & Divulgação científica”. Em seguida é a vez do professor Luíz Custódio (UEPB), que vai discorrer sobre “Mídia regional e notícia rural”. Para finalizar, o jornalista Dalmo Oliveira (Embrapa) apresenta considerações sobre o “Jornalismo científico na Comunicação empresarial”.
“Cada vez mais a mídia regional vê crescer sua importância no âmbito da comunicação social. Campina Grande é um exemplo rico dessa realidade, onde veículos locais e jornalistas formados na própria cidade assumiram há um bom tempo esse papel de protagonistas da divulgação midiática”, diz Dalmo Oliveira, assessor de comunicação da Embrapa e diretor do sindicato dos jornalistas no Estado.
Ele ressalta que o jornalismo científico e a divulgação de ciências na mídia regional ainda acontece de forma espontânea e pouco sistemática. “Esse tipo de cobertura precisa ser profissionalizada nos veículos locais já que Campina Grande é, inegavelmente, um pólo reconhecido de produção científica e tecnológica”, afirma.

domingo, setembro 02, 2007

Seminário vai discutir assédios na categoria






Um dos problemas mais sérios que afeta a categoria dos jornalistas profissionais será tema do primeiro evento de uma série promovida pelo Movimento Novos Rumos: as diversas modalidades de assédio enfrentadas diariamente por esses profissionais nos seus locais de trabalho ou no exercício da profissão.
Para discutir com profundidade o assunto, acontece no próximo dia 10 de setembro, a partir das 20 horas, no auditório da Associação Paraibana de Imprensa (API), o seminário “Assédios da mídia”. Os organizadores do evento convidaram três especialistas no assunto que vão abordar os diversos aspectos da questão.
A feminista Estelizabel Bezerra vai abordar o tema “Relações de gênero & jornalismo”; o professor do curso de Jornalismo da UFPB, Wellignton Pereira, fará palestra sobre “Assédio moral: as fontes da humilhação” e o jurista Alexandre Guedes, da comissão estadual de Direitos Humanos, falará sobre “Os assédios no prisma dos direitos humanos”.
“O evento pretende, fundamentalmente, abrir uma discussão na categoria sobre as pressões emocionais e psicológicas que o trabalhador do jornalismo na Paraíba enfrenta no exercício profissional, seja nas relações trabalhistas nas redações ou no cotidiano da profissão quando esse profissional se depara com autoridades despreparadas”, diz Dalmo Oliveira, um dos organizadores do evento.
“Sabemos de relatos de humilhação, de assédio moral e sexual, de pressão psicológica e outras formas de desmoralização do jornalista, praticados dentro e fora das redações. Queremos enfrentar o problema de frente, com base científica e sociológica, entendo que essa é uma questão que assola todos os trabalhadores”, acrescenta Oliveira.
Ele diz que o exercício profissional do jornalismo é uma atividade, por si só, estressante e repleta de exigências morais e de comportamento. “Os jornalistas trabalham com prazos curtos, com cobranças rígidas de tempo e de precisão. A profissão faz o trabalhador lidar cotidianamente com autoridades, representantes públicos, e outros públicos, o que coloca o jornalista em rota de colisão com interesses sociais e econômicos diversos”, comenta.
“Fora toda essa pressão característica da profissão, o jornalistas ainda enfrenta dentro das redações os assédios dos colegas, dos chefes, dos superiores, dos empresários. Há casos em que as pessoas simplesmente desistiram da profissão e mudaram de atividade. É uma profissão que exige características subjetivas como ‘boa aparência’ e alta performance em aspectos como dicção, articulação das idéias, pro-atividade e protagonismo”, diz Dalmo.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Eleição da Fenaj mostrou desinteresse de jornalistas pelo sindicalismo na PB




Jornalista deposita cédula na última eleição da Fenaj (Foto: Fabiana Veloso)





A última eleição da Fenaj na Paraíba deixou várias lições, porém a mais preocupante diz respeito à representatividade do nosso sindicato. Dos 979 sócios, filiados à entidade, foi constituído um “colégio eleitoral” de apenas 204 jornalistas aptos ao voto. Destes, só 159 pessoas compareceram às urnas. Em Campina Grande foram só 35 votantes! O que dizem esses números (oficiais da apuração da própria Fenaj)? Eles revelam que pouco mais de 20% dos jornalistas filiados ao sindicato capitaneado por Land Seixas, Edson Veber e Lúcia Figueiredo (eleitos pela chapa 1 na Fenaj) mantém atualizada sua situação com a tesouraria da entidade (aos cuidados de Marcos da Paz). Ou seja, mais de 80% dos jornalistas profissionais paraibanos, filiados ao sindicato, não demonstram qualquer interesse em quem vai estar ou deixar de estar na direção da principal entidade nacional representativa dessa categoria.
As causas da inaptidão para a votação e do desinteresse pela vida sindical tem origens diversas. A maioria dos filiados não consegue participar das eleições sindicais simplesmente porque jamais conseguiram quitar o débito de mensalidades, que hoje é de R$ 18,00 por mês. Não que sejamos uma categoria de velhacos inadimplentes. O fato é que nos últimos dez anos o sindicato não conseguiu desenvolver um modelo de cobrança e arrecadação eficiente. Essa é a causa administrativa. O desinteresse se dá porque a maioria não confia mais na direção do sindicato. Essa é a causa política e mais grave!
Para quem trabalha com carteira assinada nas grandes empresas (Tvs, rádios, O Norte, Correio, Sistema Paraíba) ou em alguns órgãos do serviço público estadual ou municipal e que autorizou o desconto sindical em folha, não existe muita dificuldade para manter-se adimplente com a entidade. Mas para todos os demais filiados que estejam fora do mercado tradicional de jornalismo, pagar as mensalidades tornou-se uma verdadeira missão impossível.
A primeira dificuldade é encontrar a sede do sindicato aberta. O segundo desafio é marcar horário com o presidente Land Seixas ou com o tesoureiro. A situação é tão esdrúxula que até os componentes da atual diretoria estão devendo ao sindicato. Dá pra imaginar um quadro desses... Eu mesmo só consegui quitar minha situação no dia da eleição, preenchendo o cheque n° 900245 da Caixa Econômica, no valor de R$ 150,00, referente a cerca de dez meses de inadimplência. Outros diretores sequer votaram porque continuam devendo.
Manter parte dos filiados inadimplente não é apenas desleixo e inaptidão administrativa da direção do sindicato. É, mais que isso, uma manobra estratégica de Land e seus asseclas para manter possíveis adversários sem condições de participar da vida sindical.
É com esse tipo de mentalidade e com esse modelo de sindicalismo que estamos lidando. Um modelo que prefere arruinar as finanças da entidade para garantir uma hegemonia maquiada e anti-democrática. Na maioria das vezes (nas eleições) a situação de inadimplência se transforma em arma de cooptação dos jornalistas “desgarrados”. Funciona mais ou menos assim: “Liquidamos teus débitos e você vota na gente...”. Se o conselho fiscal da entidade fizesse uma auditoria independente poderia achar um certo descompasso entre a receita de entrada de caixa e a lista de sócios inadimplentes no balancete de julho.
Assim, para Land é cômodo que mais de 80% dos filiados estejam em débito com o “nosso” sindicato. É cômodo também para aqueles que passam o ano inteiro sem contribuir e nas vésperas da eleição recebem o “perdão” da dívida contributiva ou facilidades para quitar os débitos.
Em toda essa trama, há um fato que não se comenta muito e o que mais me deixa preocupado: é que o número de jornalistas paraibanos não filiados ao sindicato pode ser até duas vezes maior que o de colegas sindicalizados. Ou alguém lembra quando foi a última grande campanha de filiação desencadeada por nossos gloriosos sindicalistas?
Digo campanha mesmo, com cartazes, e-mails etc. Pois essa mensagem vai servir para isso. Uma campanha de filiação em massa dos jornalistas que atuam na Paraíba. Se você possui registro profissional, procure o sindicato e se filie. Ligue para Land. O celular dele é o 9979.20 46. E diga: “Estou seguindo o conselho de Dalmo e quero me filiar para votar contra você na próxima eleição!”. Em anexo te mando o modelo de ficha de filiação. É só preencher, imprimir, assinar e entregar.
E para os que estão devendo ao sindicato e não sabem como pagar, outra dica: deposite R$ 18,00 por mês na CAIXA ECONÔMICA, conta 63909, agência 0036. Depois é só mandar um fax do comprovante para o Fone/Fax: (83) 3222-5632, ou uma xerox para: Rua Índio Pirajibe, 98 - 1º andar – Centro - CEP:58011-200 - João Pessoa/PB. Se o fax tiver quebrado ou sem papel você ainda pode escanear o comprovante e mandar para o email .
E vamos acabar de vez com essa história de "sindicato dos jornalistas amigos de Land Seixas".

quinta-feira, julho 26, 2007

Portadores de anemia falciforme reestruturam associação na Paraíba














Portadores de anemia falciforme reestruturam associação na Paraíba
*por Dalmo Oliveira


Pessoas com a doença falciforme, familiares, médicos e outros profissionais de saúde realizam neste sábado, 28, a partir das 9h, no auditório principal do Hospital Universitário da UFPB, em João Pessoa, assembléia geral da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH), para eleição da nova coordenação executiva e aprovação da reformulação do estatuto social da entidade.
“Estamos promovendo uma adequação do estatuto à nova legislação que regulamenta esse tipo de organização civil. Um dos pontos interessantes é o fim do modelo presidencialista, substituído pelo colegiado, ampliando a democratização na gestão da entidade”, diz o jornalista Dalmo Oliveira, componente da nova diretoria.
Em toda Paraíba a ASPPAH estima que algo em torno de 3% da população portadora da doença ou do traço falcêmico. “A diferença é que as pessoas com o traço não manifestam os sintomas da doença, mas podem gerar filhos doentes se reproduzirem com outras pessoas que também tenham o traço da anemia falciforme”, explica Marcelo Cidalina, outro membro da associação.
Entre os médicos que se dedicam ao problema na capital paraibana destaca-se o hematologista Alexandre Magno Pimentel que vem desenvolvendo há mais de dez anos ações de diagnóstico e tratamento a partir do laboratório de hematologia do Hospital Universitário da UFPB. Ele é membro do conselho técnico da ASPPAH e diz que uma das tarefas imediatas da associação deverá ser o de gestão junto aos órgãos dos governos municipais e estadual para implantação na rede pública da segunda etapa do teste do pezinho para recém-nascidos. “O diagnóstico precoce é a principal arma contra a doença que provoca alto índice de mortandade nos primeiros anos de vida”, revela Alexandre.
A idéia da associação é divulgar o problema junto à população, mobilizar os órgãos públicos e profissionais de saúde e apoiar os portadores desse mal que na Paraíba ataca boa parte da população, notadamente aquela com herança genética africana. “Queremos integrar a Paraíba no esforço pela implantação da Política Nacional de Atenção Integral à Pessoa com Doença Falciforme, já assegurada pelo Ministério da Saúde”, diz Dalmo.
Os membros da ASPPAH dizem que a elaboração de ações de fomento à atenção integral às pessoas com doença falciforme só será possível com políticas públicas voltadas para a organização do serviço de saúde prestado aos pacientes dessa patologia. “A necessidade de uma política de atenção integral à pessoa com doença falciforme se faz urgente no Brasil através de uma discussão ampla e aberta sobre redução dos riscos à saúde ligados a desigualdades étnicas, regionais e sociais. É preciso desenvolver ações para resgatar a identidade e a auto-estima das pessoas com essa doença”, acrescenta Oliveira.

O que é anemia falciforme?

A Anemia Falciforme tem origem desconhecida, mas provavelmente desenvolveu-se na África, há milhões de anos atrás. As evidências levam a crer que a doença surgiu como autodefesa do organismo humano para se proteger da malária, doença comum e muito séria nas regiões de clima quente. É uma doença genética e hereditária, causada por uma anomalia da hemoglobina dos glóbulos vermelhos do sangue. A hemoglobina é a responsável pela retirada do oxigênio dos pulmões, transportando-o para os tecidos. A falcemia faz com que os glóbulos vermelhos percam a forma discóide original, enrijecendo-os e dando-lhes um formato de “foice”, daí a denominação "falciforme".
A forma comum da Anemia Falciforme (Hbss) acontece quando uma criança herda um gene da hemoglobina falciforme da mãe e outro do pai. É necessário que cada um dos pais tenha pelo menos um gene falciforme, o que significa que cada um é portador de um gene da hemoglobina falciforme e um gene da hemoglobina normal.
Quando duas pessoas portadoras do traço falciforme resolvem ter filhos, é importante que saibam que para cada gestação há a possibilidade, na razão de um para quatro, de que a criança tenha doença falciforme. Esse mesmo casal poderá gerar até 50% de sua prole transmitindo-lhe o traço da falcemia. As chances de gerarem crianças com hemoglobina normal é de um em quatro.
No Brasil estima-se que em cada grupo de 100 pessoas 3 sejam portadoras do traço de Anemia Falciforme. Um em cada 500 negros brasileiros nasce com uma forma da doença. Outras denominações são: anemia por hemácias falciformes, anemia de células falciformes, drepanocitosis, anemia drepanocítica, falcemia e hemoglobinopatias SS e SC, em referência específica para ambas as formas genéticas.
Embora haja uma maior incidência na raça negra, os brancos, particularmente os que são provenientes do mediterrâneo (Grécia, Itália, etc.) Oriente médio, Índia, também desenvolveram a mutação no gene da hemoglobina e apresentam a doença.



Reprodução humana

A Anemia Falciforme não deve ser confundida com o traço falciforme. Possuir o traço falciforme significa que a pessoa é apenas portadora da doença, o que possibilita uma vida social normal. Como a condição de portador do traço falciforme é um estado benigno, muitas pessoas não estão cientes de que o possuem. A falcemia transformou-se na atualidade num importante problema de saúde publica, nos países onde o número de portadores é expressivo, como no Brasil. Diante deste quadro é possível deduzir que a miscigenação racial existente no Brasil está gerando a continuidade desta anemia.
“Talvez não seja exatamente a miscigenação racial a grande responsável pelo alastramento do problema no país, mas a falta de uma cultura médica a respeito da falcemia. No sistema público de saúde não se vê qualquer campanha de esclarecimento para a população. No interior do país ainda é possível encontrar profissionais de saúde que desconhecem o problema ou tem pouquíssima informação a esse respeito”, comenta Dalmo.
Como a doença ataca mais severamente as crianças ainda no primeiro ano de vida, é bastante comum o caso de óbitos sem que a causa real tenha sido detectada. Geralmente é durante a segunda metade do primeiro ano de vida de uma criança que aparecem os primeiros sintomas da doença.
Os interessados em maiores informações podem ligar para o telefone (83) 9154.1535 ou escrever um correio eletrônico para o endereço asppah@gmail.com.