domingo, março 01, 2009

Meus irmãos e irmãs


Ao povo paraibano,
Meus irmãos e irmãs,




No início da Quaresma e na abertura da Campanha da Fraternidade, fui pego de surpresa por minha suspensão das atividades de sacerdote desta querida Arquidiocese. Estranhei que a decisão da suspensão do exercício ministerial fosse dada sumariamente e publicizada na imprensa local antes que eu fosse previamente ouvido; pois, já estava certo de que no dia seguinte, eu iria encontrar-me com o Sr. Arcebispo. Somente no dia 26/02/2009, às 16:20h, recebi o comunicado oficial da Arquidiocese. Assim sendo, venho prestar alguns esclarecimentos.
Sou padre desta Igreja particular desde 1976 e venho me dedicando ao meu ministério sacerdotal com muito empenho, assumindo diversas atividades, como pároco, professor e hoje Deputado Federal. Nunca tive dúvida de que minha opção de vida foi o sacerdócio que é vivido em muitas frentes. Tenho a graça de ser representante do povo paraibano, quando coloquei meu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores pleiteando um mandado parlamentar. Fui eleito Deputado Estadual por duas vezes e Federal por duas legislaturas. O que é mais gratificante é o serviço que posso prestar ao povo brasileiro, em especial do meu Estado.
A minha ordenação me configurou à pessoa de Jesus Cristo. A sua causa é a minha causa. Por isso, não temo as ameaças que me fazem. Se sou uma pessoa marcada para morrer, é porque como padre e deputado não posso calar-me diante das injustiças e da violação dos Direitos Humanos. O que me dá forças para continuar denunciando as arbitrariedades, é o Evangelho, é o chamado de Jesus para segui-lo em defesa dos excluídos da sociedade.
A minha suspensão das atividades sacerdotais foi devida a entrevista que saiu na revista eletrônica Congresso em Foco no dia 14 de fevereiro e reproduzida pelo jornal “O Norte”em 26/02/2009. O que está contido na entrevista já é debatido no seio da Igreja. Digo-lhes com sinceridade que não esperava por tal punição que me impede de celebrar a Eucaristia que é o Oxigênio e motivação existencial do meu 'Munus Sacerdotal' na comunhão com Deus com a Igreja e com o povo. Alguns pontos da entrevista merecem algumas considerações que fiz e que estão ausentes no referido jornal, e que agora tenho a oportunidade de esclarecê-los.
Primeiro: O celibato é um valor na vida da Igreja. . Muitos celibatários vivem uma vida exemplar e inspiradora. Portanto, não é o celibato que questiono, mas sua obrigatoriedade. Quando o celibato é imposto e obrigado pode trazer sofrimentos humanos desnecessários. O celibato aceito como carisma é abençoado e o celibato obrigatório e imposto pode se tornar um martírio silencioso. Esse tema já foi bastante discutido na Igreja e continua sendo. Recentemente, o bispo Dom Clemente Isnard falou sobre o assunto num livro intitulado: “Reflexões de um bispo” . E o teólogo americano Donald Cozzens, lançou o livro: “Liberar o Celibato”. Entretanto, o que digo na entrevista não desvaloriza a disciplina do celibato.
Segundo: No que diz respeito aos homossexuais, temos que amá-los como irmãos. Hoje devido a homofobia que é crescente, se impõe, como nunca, o espírito de tolerância. Caso contrário, assistimos a esgarçamentos do tecido da sociedade civil com consequências funestas para o convívio e para o respeito necessários. Como padre e Deputado, luto pela tolerância e contra a discriminação entre os diferentes. Ninguém pode ser alijado dos seus direitos por ser homossexual. Jesus de Nazaré mostrou que o respeito à dignidade humana é o remédio para combater a intolerância e a discriminação.
“Qualquer forma de discriminação nos direitos fundamentais da pessoa, seja ela social ou cultural, ou que se fundamente no sexo, na raça, na cor, condição social, língua ou religião deve ser superada e eliminada, porque é contrária ao plano de Deus”. (GS 29). Jesus na sua pedagogia acolhia a todos, pouco importava quem eram seus ouvintes, bastava que tivessem os ouvidos bem abertos para acolher sua palavra e o coração aberto para iniciar o caminho de adesão ao Reino. Os homossexuais nessa sociedade homofóbica são silenciados. Só se liberta dos preconceitos quem é capaz de restituir a palavra aos silenciados. A tolerância para com os homossexuais é antes de mais nada uma exigência ética. Ela representa o direito que deve ser reconhecido a cada pessoa .
Terceiro: A epidemia de AIDS é uma realidade que desafia a Igreja na sua moral. A moral é uma realidade prática que tem conseqüências. Nos confrontamos constantemente entre a Moral Ideal pregada pela Igreja e a realidade. O ideal da moral da Igreja deve ser vista como metas para onde se orientar. Nessa perspectiva, ninguém se sente culpabilizado ou desobediente por não realizar o proposto, mas sabe para onde se dirigir. O ideal seria que ninguém se contaminasse com a AIDS, mas a realidade é outra. Devido ao número crescente de pessoas vítimas de doenças sexualmente transmissíveis, o preservativo entra como uma questão de saúde pública, como é o caso da gravidez na adolescência. Lembro-me de uma entrevista que o Cardeal Arns disse nos anos noventa que o preservativo era um mal menor. No entanto o cardeal, em nenhum momento desrespeitou a doutrina da Igreja.
Como padre aprendí que o Bispo é o pastor da Igreja, por isso jurei no dia da minha ordenação, obediência ao meu bispo, porém, quero frisar que a obediência no seu sentido teológico envolve a capacidade de dialogar sem submissão. Como lembra Dom Tomás Balduíno “a autoridade da Igreja tem mil caminhos para dialogar com o sacerdócio”
Que o Deus da misericórdia, da ternura, da bondade e do amor me conceda, nesta Quaresma, a serenidade das Bem aventuranças para que eu possa enfrentar esse meu sofrimento, que me levará à alegria da Páscoa.

João Pessoa PB, 29/02/2009
LUIZ ALBUQUERQUE COUTO - Sacerdote e Dep. Federal.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Encontro com Gil

fotos: dalmo oliveira









 






 

Esse é um relato duma noite meio que mágica, meio que trágica. Mas o que se sobressai mesmo é a magia! Quando encontrei o Gilberto Gil, minutos antes do início do show, ele tabulava uma tranqüila conversa/entrevista com o Sílvio Osias, renomado jornalista de cultura da cidade. Fiquei esperando minha vez e prestando atenção no papo dos dois. Aproveitei para fazer umas fotos desse encontro antropocultural proporcionado por aquele flagrante inesperado.

 

Imaginava, minutos antes, enquanto vínhamos no carro pro local do concerto, o que ele pensaria em se apresentar num canto com emblema tão sui generis: Jacaré Pop. “Porra, botar o Ministro pra tocar no Jacaré é sacanagem! É ou não é Tadeu?”. O cara cansado de tocar em estruturas como as do Canecão... Mas o poeta tem razão, e o bom artista deve ir aonde o povo está. E lá estava Gil e seu público sedento e apaixonado.

 

Quando, enfim, a produção começou a avisar ao Gil que o espetáculo começaria pontualmente às 11h30, e o Sílvio foi embora com sua filha, pude pedir um minuto da atenção de um dos meus maiores ídolos vivos na MPB. Expliquei que também sou jornalista e que trazia algumas “lembranças” para ele. Primeiro dê-lhe um exemplar do último cd do Toninho Borbo,  “Para fins de mercado”, explicando que se tratava de uma nova (e boa!) geração de músicos de Campina Grande.

 

Depois ofereci uma camiseta de nossa campanha ao Sindicato dos Jornalistas da Paraíba. Com a frase “Jornalismo combina com ética”. Expliquei que o produto fora produzido com tecidos do algodão da variedade naturalmente colorido, desenvolvido pela Embrapa, que, por coincidência ou não, também fica na Rainha da Borborema.

 

E por último, tirei da sacolinha um exemplar duma cartilha sobre anemia falciforme, recém lançada na cidade de Salvador, numa parceria da ABADFAL com as secretarias municipais de Saúde e de Educação de lá, especialmente pensada para o público escolar.

Gil falou que conhece a hemoglobinopatia que possuo. “Atinge mais nós pretos, né!?”, disse-me o Ministro. Daí revelei que queremos desenvolver um projeto para a mídia televisiva e internet com depoimentos de personalidades nacionais afrodescendente e de outras etnias, explicando para a população, em rápidos spots, aspectos da doença falciforme, que hoje é, reconhecidamente, o maior problema de saúde pública brasileiro e, mesmo assim, a população não tem informação.

 

“Procurem-me quando estiver tudo pronto. Pode me procurar”, disse Gil. Dê-lhe boas-vindas à Paraíba, agradeci e sai. Fui curtir o show magnífico que ele e sua mágica banda realizaram naquela noite, para um púbico, digamos, modesto prum cara como o Gil. O que se seguiu foram DUAS horas inteiríssimas de uma apresentação absolutamente inesquecível para mim.

 

Só quem curte muito o Gil sabe o transe que rola enquanto ele canta e toca. O que vi foi um músico incansável sobre o palco, que encerrou o espetáculo aos pulos, como se estivera na beira-mar de Ondina, arrastando o povo no seu Expresso 2222. Dá gosto de ver aquele negro chegar a esse ponto da carreira e da vida como ele chegou, na manha, na resistência e na coragem.

 

Admiro Gilberto Gil pelo rastaman que sempre foi, e agora mais que nunca com suas dreadlocks exuberantes, reconhecendo neste artista uma espécie de militância, um certo sacerdócio, atéico e fervoroso, ao mesmo tempo. O papo que ele levara com o Osias antes do início do show, tinha a ver com essa viagem filosófica-existencialista, sobre Deus etc. “Alguém me disse uma vez, é preciso refletir sobre a morte e o que ela realmente significa para cada um de nós”, comentava o artista. Uma das músicas executadas no show do Jacaré Pop foi “Não Tenho Medo da Morte”, do mais novo disco, Banda Larga Cordel, com músicas inéditas de Gil, depois que Quanta, em 1997. Veja o que diz a letra:

Não tenho medo da morte/mas sim medo de morrer/qual seria a diferença/você há de perguntar/é que a morte já é depois/que eu deixar de respirar/morrer ainda é aqui/na vida, no sol, no ar/ainda pode haver dor/ou vontade de mijar

A morte já é depois/já não haverá ninguém/como eu aqui agora/pensando sobre o além/já não haverá o além/o além já será então/não terei pé nem cabeça/nem figado, nem pulmão/como poderei ter medo/se não terei coração?

Não tenho medo da morte/mas medo de morrer, sim/a morte e depois de mim/mas quem vai morrer sou eu/o derradeiro ato meu/e eu terei de estar presente/assim como um presidente/dando posse ao sucessor/terei que morrer vivendo/sabendo que já me vou/ então nesse instante sim/sofrerei quem sabe um choque/um piripaque, ou um baque/um calafrio ou um toque/coisas naturais da vida/como comer, caminhar/morrer de morte matada/morrer de morte morrida/quem sabe eu sinta saudade/como em qualquer despedida.

 

Eu acho que estava cursando a 7ª série do antigo ginasial, no Colégio Santo Antonio, em Guarabira, quando uma de minhas melhores amigas da época, Ismênia, me perguntou, do nada, o que eu achava do Gilberto Gil. Lembro muito claramente que ela fez essa pergunta porque estávamos, na hora do recreio, perto de um lugar onde o rádio tocava “Andar com fé”. Naquele momento eu não sabia o que responder para a menina dos meus olhos. Depois saquei que ela perguntara aquilo provavelmente porque comparava minha negritude e similitude com a do cantor baiano. Mena está no meu imaginário, então, como uma das primeiras pessoas a tocar, sutilmente, através do Gil, na questão racial que me acompanharia a vida inteira.

  




















com a galera, curtindo o show

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Outro tiro ideológico na memória paraibana







Por Dalmo Oliveira[1]

 

O assassinato por si só já é algo inumano. Mas quando se mata outra pessoa por motivos ideológicos, aí é que enxergamos em que tipo de humanidade estamos metidos. Os tiros em Manoel Bezerra de Mattos Neto, desferidos por um encapuzado no último dia 24 numa casa de praia em Pitimbu, litoral sul da Paraíba, não tiraram a vida violentamente apenas de um homem. Eles feriram mortalmente, mais uma vez, a dignidade humana do povo da Paraíba.

Lembro-me dumas matérias que escrevi quando estava no jornal O NORTE, a partir dos relatórios que a Comissão Pastoral da Terra (CPT), coordenada à época pelo destemido Frei Anastácio, mostrando os números da pistolagem no campo paraibano e das mortes nos conflitos pela posse da terra. A violência ideológia não é coisa recente por aqui. Ela se repete num ciclo macabro, movida por diversas matizes da disputa social.

Apagar testemunhas e delatores é uma prática comum em todas as organizações criminosas. Quem nunca assistiu um bom filme sobre a máfia, retratanto aspectos da violência instaurada nas diversas camadas sociais? Uma trama que envolve, invariavelmente, policiais criminosos, criminosos impiedosos, vítimas inocentes e “cabras marcados para morrer”.

Para o pesquisador Geovani Jacó de Freitas, da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará, também membro do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e da Violência (Covio) e autor de Ecos da Violência: narrativas e relações de poder no Nordeste canavieiro (2003), esse tipo de brutalidade social e cognitiva, sempre marcou as relações entre grupos sociais distintos no tecido social paraibano.

Homens assassinam homens desde os irmãos mitológicos Caim e Abel. A sanha criminosa manifestava-se apenas nas motivações instintivas naquele tempo. Era o ódio pelo ódio, e a vontade de destruir o objeto do nosso ódio animal. Mas logo as motivações se transformariam, à medida em que o homem passou a se agregar mais e mais nas chamadas sociedades primitivas.

A história do ódio e do assassinato sempre alimentou os best-sellers mundiais. De Dostoiewisk a Dráuzio Varela, todos os grandes escritores retratam e relatam episódios onde a violência do ser humano aniquila outros. Mas um crime é um crime e não há como criar eufemismos e subterfúgios para os assassinos. Claro que um cara como Hitler, que efetivamente deva ter disparado poucas vezes, mas foi o responsável maior pelo extermínio de tantos homens, mulheres e crianças, não pode ser comparado ao cara que disparou a doze na no peito e na cara do Manoel de Mattos.

Hitler matou e mandou matar por causa de uma ideologia de supremacia racial. O assassino de Pitimbu matou por encomenda. Talvez nem tivesse tanto ódio assim de sua vítima, mas cumpria uma missão, como os soldados do Füher. Uma missão claramente ideológica, movida pelo claro conflito de classes.

A gangue que atua na região onde foram denunciadas as ações de grupos de extermínio na divisa PB/PE se move ideologicamente. O banditismo desse grupo é alimentado por razões para além do crime pelo crime. Há uma razão ideológica semelhante àquela que vitimou, João Pedro Teixeira, Margarida Maria Alves, Chico Mendes, e a irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA).

Não é simplesmente um crime por terra, mas um assassínio calculado e programado para desestimular e destruir aqueles que se posicionam em defesa da maioria expropriada pelos latifúndios, ou pelos que se levantam contra o tráfico de drogas e de armas. Uma cadeia criminosa que alimenta outra.

E como se não bastasse a brutalidade dos derradeiros assassinatos, ainda se fomenta o extermínio de tantos quantos denunciem a criminalidade, como o ex-deputado Frei Anastácio e o deputado federal Luiz Couto. Não estamos falando de um acerto de contas, mas de uma organização covarde contra a população indefesa paraibana e brasileira.

Para estancar a matança só há uma solução: da um basta no silêncio cúmplice e covarde. Contra a estupidez das armas, só a mobilização solidária do povo oprimido.

 



[1] Graduado em jornalismo pela UFPB, ex-repórter de O NORTE, mestre em Comunicação pela UFPE.

sábado, dezembro 20, 2008

PMJP vai capacitar servidores da saúde para anemia falciforme na Capital

foto: Mazinho Gomes


Usuários do SUS com anemia falciforme cobraram atenção da secretaria de Saúde da PMJP









Identificar pessoas com a doença falciforme na região metropolitana de João Pessoa. Essa deve ser uma das primeiras ações da Secretaria de Saúde da capital para 2009. A decisão foi anunciada na última segunda-feira, 15, pela supervisora do Setor de Atenção à Saúde da entidade, Márcia Rique, durante reunião com os coordenadores da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH), Marcelo Cidalina e Dalmo Oliveira.
“A idéia é mobilizar profissionais de saúde ao Programa Saúde da Família para identificar e atender pessoas com a doença falciforme que residam próximas aos postos de atendimento nos bairros”, diz Márcia Rique. A ASPPAH vai repassar à secretaria dados cadastrais de portadores do problema atendidos pelo Hemocentro e pelo laboratório de hematologia do Hospital Universitário Luciano Wanderlei. “A busca ativa de pacientes falciformes será a única maneira de iniciarmos um programa municipal de atenção especial aos cidadãos que sobrevivem com o problema”, diz Dalmo Oliveira.
No dia 7 de janeiro representantes da secretaria e da associação voltam a se reunir para definir os primeiros eventos de capacitação na rede municipal da saúde. Inicialmente haverá um trabalho de sensibilização nas reuniões matriciais nos cinco distritos de saúde da capital. “Vamos atuar juntos aos apoiadores do Saúde da Família”, diz Rique.
A parceria entre a ONG e a secretaria de saúde de João Pessoa pretende levar informações sobre anemia falciforme para todas as 180 equipes do programa Saúde da Família. “Nosso maior problema atualmente é a falta de informação sobre a doença, tanto junto à população, quanto no meio dos profissionais de saúde”, revela Marcelo Cidalina, coordenador administrativo da ASPPAH.
Os membros da associação de pessoas com doença falciforme reivindicaram também que o município defina um hospital de sua rede como referência para a população da capital no acompanhamento, tratamento e aconselhamento sobre esse tipo de anemia. A secretaria acenou que essa unidade hospitalar deverá ser o novo Hospital Municipal, no bairro de Mangabeira, na zona oeste da capital.
“Não temos hematologistas no nosso quadro, mas poderemos adequar o hospital para receber esse público especial. Vamos providenciar a sensibilização e capacitação dos médicos e enfermeiras”, diz o Dr. Anderson, supervisor daquela unidade, também presente à reunião.
“Há um entendimento já com a secretaria de saúde do Estado para definir o hospital Arlinda Marques, em Jaguaribe, como a unidade hospitalar referência no cuidado das crianças com o problema do sangue que é genético e hereditário”, adianta Cidalina. “E as internações de complexidades média e alta vão ficar por conta do HU da UFPB”, acrescenta.

Testagem e cuidados especiais
Outra notícia importante relacionada à doença falciforme na Paraíba diz respeito à testagem dos recém-nascidos já a partir do teste-do-pezinho. A secretaria de saúde do Estado, através da Gerência do Ciclo da Vida, está finalizando a implantação da 2ª fase do teste na rede pública estadual. “Depois que pudermos detectar a doença falciforme no nascimento dos bebês, vai diminuir o índice de óbitos entre os recém-nascidos, porque logo eles vão receber todos os cuidados especiais indispensáveis às crianças com o problema”, diz Dalmo.
A 2ª fase do teste-do-pezinho já permite que estados como Minas, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, por exemplo, já saibam a incidências da anemia falciforme em suas populações. “Estimamos, de forma pouco empírica, que a proporção de bebês nascidos vivos com o problema atinja uma em cada grupo de 1.300 crianças nascidas vivas na Paraíba”, avalia o ativista, que tem também um primo com a doença falciforme.
A parceria entre a ASPPAH e a secretaria municipal prevê também a produção de peças para a mídia sobre o problema. “A idéia é usar os grandes meios de comunicação (TV, rádio, outdoor, internet) para começar a explicar aos cidadãos que os portadores desta hemoglobinopatia podem usufruir de uma condição de vida e sobrevida em níveis normais, bastando acessarem os cuidados básicos especiais necessários para os acometidos pelo problema”, diz Oliveira.
A ASSPAH pretende ainda obter uma sede própria, que possa servir também como casa-abrigo, para apoiar os pacientes do interior que estejam em tratamento na capital. “Estamos iniciando uma discussão para dividir um espaço com a comunidade franciscana no Castelo Branco”, revela Marcelo Cidalina.

terça-feira, outubro 21, 2008

Encaminhamentos pela democratização da comunicação na Paraíba


Auditório Aruanda foi palco das discussões na UFPB









Por uma semana nós discutimos e analisamos alguns aspectos sobre a democratização da Comunicação na Paraíba. Em dois momentos eu participei das discussões, que se concentraram entre o auditório Aruanda e em salas do Decomtur da UFPB. No dia 14, duas “Roda de diálogos” promovidas pelos organizadores abordaram a problemática.
Pela manhã fizemos uma análise acerca da reativação do Fórum Metropolitano de Comunicação Social. José Moreira, presidente da regional da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO), que atuou como facilitador da Roda, fez um breve histórico sobre a luta das emissoras comunitárias no Estado. Ao final agendou-se uma reunião que ocorre nesta terça-feira, 21, na sede da ONG Amazona, em João Pessoa.
A pauta da reunião deve tratar da produção de meios alternativos para divulgação das ações articulações do movimento pela democratização da comunicação. Certamente um site deverá ser construído para esse fim. “A idéia é construirmos um portal que funcione também como Observatório da mídia local”, diz Alexandre Santos, do coletivo COMjunto, um dos realizadores da 3ª Semana.
Uma outra proposta é a realização de um evento que discuta mais detalhadamente os direitos da cidadania paraibana frente à mídia convencional. “Há um consenso de que é preciso dar um basta nos abusos que os comunicadores de rádios e tvs cometem, principalmente, na cobertura da chamada área policial”, comentou a jornalista Jany Mary Alencar, da Amazona.
Os participantes também observaram a necessidade de se levar essa discussão para a sociedade em atos públicos a serem agendados para os próximos meses. “Se a população não se der conta da necessidade de uma mídia mais democrática e de uma maior democratização dos próprios meios de comunicação, dificilmente conseguiremos mudar as coisas da forma como elas estão”, disse Dalmo Oliveira, ex-diretor do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba.
De Pernambuco, Luís Lourenço, diretor de programação da TVU da UFPE, trouxe sua experiência junto à Associação Brasileira de Emissoras Públicas (Abepec). Ele lembra que a Lei das Telecomunicações já completou 40 anos e que não há uma lei ordinária sobre essa questão desde que o Governo Federal resolveu separar a legislação que cuida das chamadas “teles” e a regulação jurídica para radiodifusão.






Participantes da rodas de diálogos amarraram estratégias