quinta-feira, junho 08, 2006

Adeildo, direto de Portugal



A Rádio Bonfim, que fica na cidade de Almerim, Portugal, tem um programa
chamado Manhã Tropical, comandado pelo músico pernambucano Rosildo Oliveira,
que vai ao ar de quatro às oito da manhã - horário do Brasil. Este programa
tem um momento muito especial chamado "CANTA PARAÍBA", onde Rosildo executa
as canções dos nossos músicos paraibanos. é emocionante ver isso por aqui.
Ontem eu dei uma entrevista no programa e fui muito bem recepcionado pelos
nossos patrícios, fiéis ouvintes do Manhã tropical.
a rádio bonfim pode ser ouvida pela NET. é só acessar ao site:
WWW.RADIOBONFIM.COM e clicar no link que corresponde a um headphohe. O sinal
chega alto e claro.
Vale a pena mandar mensagnes para este nosso companheiro que transforma suas
saudades em ações em favor da nossa cena cultural. Esta chama está acesa do
outro lado do atlântico. só falta ver esta chama ardendo nas rádios
paraibanas...
Por favor, escutem e mandem mensagens prá emissora. Vai ser legal!
Quem sabe até esta notícia não seja motivo de uma matéria para os nossos
cadernos de cultura...
Se quiser mandar mensagens prá Rosildo, o seu e-mail pessoal é:
rosildogoyanna@gmail.com

Beijos saudosos

ADEILDO VIEIRA
Almerim, Portugal

quarta-feira, junho 07, 2006

A notícia é: minha tv a cores ficou só verdamarela!





É um fenômeno que se repete a cada quatro anos e que nós, como pentacampeões já deveríamos estar acostumados: quando tem Copa do Mundo, a mídia (principalmente a TV) só fala da “seleção canarinho”. Hoje a Band deu uma matéria sobre a culinária dos croatas! Meu Deus, o que haverá de tão formidável numa pauta como essas? Nos últimos cinco dias a coisa mais importante do noticiário foram as bolhas estouradas nos pés de Ronaldo Fenômeno. Uai, nunca vi jogador de futebol reclamar dos calos... No país do futebol e do carnaval é de se esperar que pés e pernas se tornem celebridades nacionais. Os pés do Ronaldo, as coxas da Juliana...
Obviamente a cobertura de economia, política e ciências sofrerá uma drástica redução. Corrupção, CPI`s, terremoto na Indonésia, tudo isso passa a ser noticiado an passan. Só a Globo tem quase 200 pessoas mobilizadas para o evento na Alemanha. A copa é tão forte que separou (mais uma vez!) o casal mais casal da tv brasileira.
Com o avanço tecnológico, certamente essa será a Copa com a maior cobertura jornalística de todos os tempos. Todo poderio midiático e sua parafernália antropotécnica estará à disposição dos dribles e gols que ocorrerem nos gramados germânicos e de tudo o mais que circundar os gramados do furher.
É também a época de faturar, que o diga as gigantes transnacionais como Visa e Coca-cola. No Brasil, a farra publicitária fica por conta das cervejarias e dos bancos, mas até o mercadinho do bairro aproveita a onda verdamarela da Copa...
Nacionalismo e patriotismo se fundem numa febre coletiva que transforma o país na “pátria de chuteiras”. Ah, se conseguíssemos mobilizar o povo assim para uma reforma agrária, para uma eleição decente, para discutir arte & cultura...

domingo, junho 04, 2006

Zuenir made in PB


Terça-feira, 30 de maio de 2006



Zuenir Ventura

Encantos x progresso

30.05.2006 | São onze horas de sábado e eu estou diante do ponto mais oriental das Américas – aquele de onde, se eu me lançar ao mar e seguir em linha reta, chegarei à África, se alguém não me acudir na segunda braçada. Trata-se de Cabo Branco, em João Pessoa, na Paraíba, uma das partes mais cobiçadas pelos exploradores e corsários até mesmo antes da Descoberta. “A terra é a mais liberal de todas do mundo”, escreveu em “Diálogos das Grandezas do Brasil” um coleguinha cronista ultramarino que esteve por aqui uns quatro séculos antes de mim, um tal de Ambrósio Fernandes Brandão.

Não sei se é porque sou de um país que não tem História – ou melhor, tem mas não a cultiva – toda vez que me encontro em algum sítio histórico como esse fico tocado por um compreensível sentimento do passado. Senti a mesma coisa quando há anos conheci o ponto mais ocidental da Europa, o Cabo das Rocas, em Portugal, de onde eu poderia mergulhar e sair nos EUA, e quando avistei o Cabo da Boa Esperança, lá no extremo sul da África, o ex-Cabo das Tormentas. Não tive como não me lembrar do episódio do Gigante Adamastor dos Lusíadas.

Por serem postos avançados, o assédio dos invasores em geral começa por eles. Em frente a este diante do qual estou agora travaram-se memoráveis batalhas marítimas contra os invasores holandeses, se é que aprendi direito a aula que me dá um de meus cicerones, grande conhecedor da história local. Ele fala com entusiasmo da chamada “pequenina e heróica” Paraíba, que é mesmo tinhosa: além de participar de várias guerras libertárias, teve que sobreviver enfrentando a seca que sempre rondou grande parte de seu exíguo território.

Além dos exemplos passados, a Paraíba viveu dois momentos decisivos na história política contemporânea, quando João Pessoa transformou-se no mártir da Revolução de 30 e quando José Américo – o escritor que inaugurou o romance regionalista, com “A bagaceira” – rompeu a censura em 1945, na ditadura de Vargas, com uma corajosa entrevista a Carlos Lacerda que ajudou a derrubar o ditador.

Falta à Paraíba um bom esquema de marketing. Ela tem atrativos que a gente acha que só encontra em outras paragens nordestinas – belas praias, rico folclore, artesanato. Só que não se sabe. Eu, por exemplo, desconhecia que a Igreja de São Francisco era “a mais linda do Brasil”, na opinião de Mário de Andrade. Pude ver a fachada, realmente uma jóia do barroco tropical. Mas não por dentro porque ela fica fechada de meio-dia às 14h. Como pode atrair visitantes uma cidade que fecha suas igrejas na hora do almoço de um sábado? O resultado é que o movimento turístico em Natal, Fortaleza, Recife é de dar inveja à pequena João Pessoa, com sérias repercussões em sua pobre economia.

Por outro lado, isso é bom. Como não é um pólo de atração, a cidade conserva-se mais ou menos livre de pragas como a prostituição infantil. Soube que existe, mas não na escala das capitais vizinhas. Não vi na orla e nem nos hotéis o mesmo espetáculo deprimente.

Trânsito tranqüilo, violência sob controle, pouco estresse, possibilidade de morar em casas com segurança (uma bendita legislação impede edifícios nas praias acima de quatro andares) e um mar que não tem tamanho tornam João Pessoa uma cidade com ares de província, o que talvez seja o seu grande charme. O problema é como conciliar progresso com a preservação desses encantos.

zuenir@nominimo.ibest.com.br

sexta-feira, junho 02, 2006

Trairagem


Essa estratégia é do tempo em que a Benetton botava negros diabinhos e loiros anjinhos em altidóres para aumentar a venda de sua malharia. Agora o Andorra Motel (http://www.andorramotel.com.br/), com lojas na estrada de Cabedelo, e em Bayeux, apelou para a provocação e baixaria ao conclamar a rapaziada para a prática da trairagem: “traia seus amigos e venha assistir aos jogos copa com quem você ama”, estampou na propaganda espalhada em pontos-chave da cidade. Já tem gente escrevendo pros jornais para reclamar do “abuso”. Os moralistas certamente vão enxergar no comercial do motel um atentado forte ao pudor coletivo e aos bons costumes da sagrada família pessoense. Mas, aqui pra nós, apologia à traição não é lá uma estratégia boa de marketing, é?... Já não basta o exemplo dos políticos nas próximas eleições!

Intercom nordestino


De 26 a 28 de maio estive em Maceió (AL) para apresentar um trabalho no 8º. Intercom Nordeste. Foi uma viagem agradável, com novos amigos do mestrado no Recife. Saímos de carro da “Veneza” por volta das 10h30 da sexta. Eu havia feito aquele percurso há uns dois anos, vindo de Salvador. Foi quando conheci a pacata Porto da Pedra, típica cidade praieira no litoral norte de Alagoas. Vale a pena fugir da estressada 101 e ir para o sul beirando o litoral alagoano, com as ondas do mar “lambendo as rodas”.
Ficamos na casa do Thiago Paulino em Barra de São Miguel: um luxo! Condomínio fechado com quartos vista-ao-mar. Sem dúvida um dos lugares mais “bacanas” (como diria Aranha) daquela península. Uns 30 minutos nos separava do Cefet, onde rolou o evento, no centro. Definitivamente é um dos litorais mais organizados do Nordeste. A suntuosidade dos edifícios da orla impressiona o turista. Há bares e restaurantes pra todos os gostos por toda parte. Fomos especialmente ao Divina Gula, com atendimento de primeira e uma bela jovem atenciosa checando o atendimento. Nossa mesa ruidosa chamava a atenção dos comensais. No domingo, 28, antes do retorno à Paraíba, encontramos, por acaso, o Akuaba , onde me deliciei com abará e bobó que só baiano sabe fazer. Se for por lá, não deixe de experimentar a cozinha do soteropolitano Osvaldo.
Além do gostoso passeio, a ida a Maceió serviu também para mostrar como anda a pesquisa comunicacional na região. Infelizmente veio pouca gente da Bahia, de Sergipe e do Ceará. Na conferencia de abertura, a professora Ana Maria Fadhul falou sobre a importância de uma regionalização dos estudos sobre a mídia nordestina. Nos bastidores, Fadhul entusiasmou-se pela história do comunicador Mussão. “É um excelente objeto”, garantia.
Interessante também os dados trazidos pelo professor César Bolaño: o Nordeste tem 10,7 milhões de lares com aparelhos de TV. Os senadores com concessões de rádio/tv: ACM-05; Edson Lobão-06; Efraim Moraes-01; Garibaldo-12; Sarney-09; Roseane-10. Outra coisa curiosa é que apenas algo em torno 5% da programação nordestina é produzida na Região, o resto vem do eixo Rio_Sampa e dos states. No campo do cinema, a novidade é o pólo de Fortaleza, segundo da região, atrás de Salvador. Bolaño explica que a partir dos 70`s a região ver ocorrer o fenômeno da “oligopolização” da indústria cultura (principalmente a televisão), que substitui um modelo mais “concorrencial” de mercado. É nesse período que se consolida o império global e se configuram as redes de comunicação modernas.
Na Paraíba, segundo o professor Luis Custódio (UEPB), o ensino de comunicação chega aos 35 anos, com cinco cursos funcionando no estado. Já temos mais de 20 doutores na área e as escolas da UFPB, em João Pessoa, e UEPB, em Campina Grande, se preparam para instalar seus respectivos programas de mestrados. Na capital tudo caminha para estudos de “mídia & cotidiano”, promovendo a interface das pesquisas em Comunicação e Sociologia, sob a batuta do professor Wellington Pereira. A outra linha promissora é a “comunicação & culturas populares”, liderada pelos professore Oswaldo Trigueiro.