sexta-feira, junho 26, 2009

Mídia ignora conferência pela igualdade racial

Reunião de jornalistas negros ocorreu na sala de imprensa do evento


Morte de Michael Jackson tornou discussão racial brasileira invisível



Jornalistas negros reunidos na segunda Conferência Nacional pela Promoção da Igualdade Racial denunciam a total ausência no noticiário da grande mídia nacional e brasiliense, onde o evento ocorre até o próximo domingo. "Não saiu uma linha nos grandes meios ontem e hoje", diz Dojival Vieira, da Agência AfroPress. O noticiário da mídia convencional preferiu dar ênfase ao falecimento do popstar Michael Jackson.


Os jornalistas negros vão apresentar moção aos conferencistas sobre a importância estratégica da comunicação nas conferências públicas, além de alertar a sociedade para a participação na conferência de Comunicação, agendada para os dias 1,2 e 3 de dezembro também em Brasília.


Vários jornalistas credenciados no evento como delegados também fizeram intervenções nos painéis ocorridos hoje sobre a desregulamentação do diploma da profissão. "Outras categorias estão ameaçadas pelo STF. A sociedade pecisa saber da gravidade e do desrespeito com que a suprema corte do país trata a organização dos trabalhadores, a partir de exigências da iniciativa privada", diz Dalmo Oliveira, delegado pela sociedade civil paraibana.


As comissões estaduais de jornalistas pela igualdade racial (Cojiras) também estão empenhadas em realizar o primeiro encontro nacional de jornalistas negros, que poderá ocorrer ainda este ano em Maceió (AL). "O governo de Alagoas já sinalizou com apoio ao evento. Estamos aguardando o posicionamento da SEPPIR e de outros órgãos do Estado e da iniciativa privada", diz Valdice Gomes, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas.

quarta-feira, maio 06, 2009

Lei de imprensa, já vai tarde!




Duas reações extremas saíram dos discursos na mídia sobre o empastelamento da famigerada “Lei de imprensa”, decretado pelo STF semana passada. A primeira reação vem das “viúvas da Ditadura”, que lastimam o fim da lei, alegando ques os jornalistas perdem privilégios e notoriedade na sociedade brasileira. A outra reação vem do coro daqueles que acham que a antiga normatização já vai tarde, defendendo que a lei só era usada para censurar e perseguir jornalistas.
O STF também aproveitou o episódio para fazer das suas trapalhadas ao determinar que, enquanto não se regulamenta o consagrado “direito de respostas”, a justiça deve analisar, um-a-um, os pedidos das pessoas expostas à situação constrangedora nos veículos de imprensa.
O que importa, na real, é que nos livramos dum entulho autoritário elaborado e posto em vigência no ano em que eu nasci (1967), quando a censura institucionalizou-se no país da “República dos bananas”. A lei funcionava como um dispositivo discursivo que lembrava à sociedade que o jornalista é um tipo perigoso, especial, que precisava de uma lei também especial para domar essa categoria.
Naquele tempo, boa parte dos jornalistas que atuava em redações do eixão Rio-Sampa-BH, e em algumas redações no Nordeste, podia ser considerado pelos censores como “subversivos”. A subversão, aliás, tem sido uma característica dos melhores jornalistas do Brasil e do mundo.
Por outro lado, cresce exponencialmente o uso da imprensa para o ataque descarado à cidadania e às chamadas “minorias”. Basta ligar a TV ou o rádio para ouvir o modo como os profissionais da mídia tratam os acusados de crimes, os usuários de drogas, as pessoas homoeróticas, os praticantes de religiões de matriz africana etc.
A legislação brasileira precisaria avançar e garantir uma normatização não apenas dos “direitos individuais e coletivos de resposta” nos órgãos de imprensa e de comunicação em geral, mas, fundamentalmente, garantias ao controle externo da sociedade sobre os conteúdos da mídia, através de comitês de usuários que atuem dentro das empresas de comunicação.
Uma lei geral de comunicações precisa ser fomentada, para que os meios de comunicação passem a desempenhar o seu legítimo papel social, de defensores da cidadania, das garantias individuais e coletivas e do bem-estar da sociedade. O foco precisaria ser tirado do humano para o sistema. Os crimes de mídia são produzidos por profissionais despreparados, tendenciosos, pretensiosos, a serviço de empresas de comunicação.
A criminalização do jornalista é injusta e só protege as empresas, que são as verdadeiras responsáveis pelos abusos cometidos pelos jornalistas e comunicadores, de um modo geral. Obviamente não vamos postular a inocência dos assediadores midiáticos. Eles também têm culpa e devem ser exemplarmente punidos, mas é necessário que haja a solidariedade compulsória da empresas que receberam concessões públicas para informar à população.

sábado, abril 25, 2009

Empresários do jornalismo boicotam audiência do MEC no Recife

foto: Dalmo Oliveira

Audiência ouviu sugestões de diversos setores


por Dalmo Oliveira


As duas principais entidades nacionais agregadoras de empresas jornalísticas, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Radio e Televisão (Abert) não enviaram representantes à segunda rodada de audiências públicas promovida pela Comissão de Diretrizes de Jornalismo do MEC, realizada nesta sexta-feira, 24, na cidade do Recife (PE). Mesmo com justificações enviadas no dia anterior aos organizadores do evento, a ausência da representação empresarial foi encarada por alguns participantes da audiência como boicote.

“Espero que essa ausência não signifique que essas entidades sejam contra a formação superior, já que são contra a obrigatoriedade do diploma. Acho um desrespeito ao trabalho que esse grupo voluntário está desenvolvendo no sentido de qualificar o ensino de jornalismo”, disse Sérgio Murillo, presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj).

O professor Edgar Rebouças (UFPE) também estranhou a ausência do empresariado, exatamente nesta segunda audiência, cuja discussão estava centrada na questão do mercado de jornalismo no Brasil. Foi de Rebouças também a proposta para que o MEC se inclua no rol de ministérios envolvidos nas discussões por ocasião da primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), agendada para os dias 1, 2 e 3 de dezembro em Brasília.

Mesmo sem contar com a presença dos empresários do jornalismo, a audiência, realizada num anfiteatro da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), recebeu a colaboração de diversos setores interessados na reforma do currículo dos cursos de jornalismo. Além de profissionais e professores de Pernambuco, o evento contou com a participação de delegações da Paraíba e de Alagoas.


PARAÍBA REPRESENTADA


Dalmo Oliveira e Fabiana Veloso, ex-diretores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba, participaram da audiência na condição de coordenadores da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO-PB). Os jornalistas paraibanos destacaram a preocupação de que o novo currículo não transforme a formação de jornalistas em “profissionais multimídias”.

“Nosso maior cuidado é de que não ocorra um esvaziamento deontológico da profissão de jornalista em favorecimento de um currículo que prepare tão somente trabalhadores multimídias, entendendo que as mídias são simplesmente as plataformas para a prática do jornalismo e não a razão central desta prática”, disse Oliveira aos membros da comissão de notáveis nomeada pelo MEC.

Já Fabiana fez uma fala em defesa da manutenção de disciplinas que tratem da ética jornalística. Ela também pediu atenção especial para o aperfeiçoamento do ensino de técnicas e teorias ligadas à produção de imagem, especialmente no que diz respeito ao fotojornalismo.

“Na Paraíba há uma invasão dos radialistas sem formação alguma no mercado para jornalismo, com comentários anti-éticos, como se fossem jornalistas. São situações que nos envergonham cotidianamente”, informou Veloso à platéia. Ela também noticiou os eventos preparatórios na Paraíba para a CONFECOM, sob a coordenação do Conselho Regional de Psicologia, em parceria com diversas entidades não-governamentais do estado.

A atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Estado da Paraíba não enviou representantes ao evento.


ALTERNATIVAS DE MERCADO


Com o vácuo deixado pelo boicote dos empresários, a audiência teve mais tempo para discutir alternativas de mercado para o exercício da profissão. Carlos Henrique Carvalho, secretário-executivo da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (ABRACOM), por exemplo, revelou que as 310 empresas associadas empregam hoje cerca de 13 mil profissionais de comunicação em todo Brasil, sendo que destes, mais de 60% são jornalistas.

Já Cláudio Magalhães, da Associação Brasileira de Tvs Universitárias (ABTU), fez uma fala a respeito do mercado de comunicação pública, especialmente no universo das emissoras de televisão das universidades, que hoje são 44 em todo país. “Essas emissoras produzem atualmente 240 horas de programação inédita a cada semana. O Brasil é o único país onde ocorre uma grave discrepância na relação entre os produtores e veiculadores de conteúdos para a TV. Na maioria dos países, uma parte das empresas produz e a emissoras se responsabilizam apenas pela veiculação. No Brasil as emissoras fazem as duas coisas. Se nós conseguíssemos desvincular a produção da veiculação, o mercado para jornalistas iria crescer significativamente”, defende Magalhães.


FENAJ DEFENDE CURSO COM MAIOR CARGA HORÁRIA


O presidente da Fenaj, Sergio Murilo, entregou à comissão um documento com as propostas da federação e dos sindicatos de jornalistas. Ele ressaltou que a entidade defende a consolidação de cursos superiores de jornalismo sem que haja divórcio com a grande área da Comunicação Social.

A Fenaj defende a duração mínima de quatro anos para a formação de jornalistas nas universidades, com cursos de duração mínima de 2.700 horas/aula. O sindicalista defendeu inclusive que essa carga horária possa aumentar para 3.200 horas/aula. Uma proposta semelhante foi apresentada pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, Ayrton Barbosa Maciel Júnior, que defende o acréscimo de mais um ano à formação dos jornalistas, onde o acadêmico de jornalismo possa fazer uma espécie de especialização em áreas que pretende atuar, como economia, ambiente, ciências, esporte etc.

Murilo falou também da sugestão que está sendo ventilada para que os jornalistas possam ter dupla diplomação. Para ele não há problemas que um médico, um advogado ou historiador possa ingressar no curso de jornalismo. “O que queremos é uma medida de mão dupla, onde também haja facilidades para que o jornalista formado também possa ingressar noutros cursos superiores para dominar melhor determinados assuntos de interesse público”, argumenta.

Ele reforçou a tese de que a desregulamentação da profissão e a flexibilização dos currículos de jornalismo podem representar um desastre à organização trabalhista da profissão e uma ameaça real ao direito da sociedade em receber informações apuradas com um mínimo de critério técnico/científico.

A Fenaj não é contra ao estágio acadêmico em jornalismo desde que ele não seja obrigatório e que não favoreça a precarização da profissão, como ocorre na atualidade. Por fim, o representante dos trabalhadores fez uma reivindicação para que o MEC promova uma quarta audiência pública para divulgar o relatório final da comissão de notáveis.


IGUALDADE RACIAL


A presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, Valdice Gomes da Silva, fez uma fala relacionada à questão das ações afirmativas no currículo dos cursos de jornalismo. Ela apresentou um documento elaborado por comissões de jornalistas pela igualdade racial, que funcionam atreladas aos sindicatos de jornalistas de Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e São Paulo.

“É preciso fazer com que a Lei 10.619 alcance também o ensino superior de jornalismo, para evitar que os alunos aprendam a produzir notícias com sentidos negativos atribuídos às minorias raciais. O estudante de comunicação termina o curso com uma visão elitista da sociedade”, comentou a sindicalista.

Já Cristina Brito, do Cesmac, defendeu a proposta de que o MEC implante a avaliação dos egressos dos cursos de jornalismo para aferir a qualidade dos recém-formados.


A representante do MEC, Cleonice Ehmes, disse que a próxima audiência deve ocorrer no final de maio, no auditório da OAB em São Paulo (SP). Ela disse que a comissão recebeu mais de 100 propostas para a revisão curricular do curso superior de jornalismo.


A mesa foi composta pelo presidente da Comissão de Especialistas do MEC, jornalista e professor José Marques de Melo, pelo professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e também membro da Comissão, Alfredo Eurico Vizeu Pereira Junior, por Eduardo Barreto Vianna Meditsch, da Universidade Federal de Santa Catarina, por Luiz Gonzaga Motta, da Universidade de Brasília; Manuel Carlos da Conceição Chaparro, da Universidade de São Paulo, por Sergio Mattos da Universidade Federal do Recôncavo Baiano e por Lúcia Maria Araújo, do Canal Futura.

terça-feira, abril 21, 2009

Lula, Pilatos, o diploma de jornalismo e o decreto da Confecom

 
 
 

 
 
Heitor Reis (*)
 
 
Após uns 75 dias de prolongada e absoluta embromação, o governo Lula, se decidiu por publicar o decreto que convoca a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).
 
O fato de ter demorado tanto para que fosse convocada a primeira, demonstra a proporção das forças que estão atuando por detrás dos bastidores, no sentido de impedir qualquer milímetro sequer na direção da democratização da comunicação. Daí, empurrar uma decisão tão simples, com a barriga!
 
No setor da saúde, já foram realizadas treze conferências, com caráter deliberativo. Em função do estado atual do sistema público e da selvageria do sistema privado, tiveram resultados pífios. Mero processo de catarse coletiva, com objetivo apenas de se discutir tudo e resolver não fazer coisa alguma do que for deliberado. Reduz a possibilidade de convulsôes sociais, num processo teatral em que muitos se sentem verdadeiramente empoderados para decidir o destino da Nação. Com direito a um turismo patrocinado pelo Estado. Talvez possamos mensurar algo de positivo em tudo isto daqui a algumas décadas, quando, talvez, estaremos colhendo resultados da conscientização por ele provocada. O pior de tudo: Do jeito em que as coisas estão, isto é um avanço!
 
O notável Altamiro Borges analisa o cenário do decreto da Confecom anunciado no Fórum Social Mundial, em janeiro, dentro do artigo "Conferência de Comunicação gera disputas"  [http://altamiroborges.blogspot.com/2009/03/conferencia-de-comunicacao-gera.html ]
 
Miro é um dos rarissímos jornalistas lúcidos e ousados o suficiente para afirmar que estamos numa ditadura da mídia! [http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=26080 ]
 
Aliás, caso alguém conheça uma escola de comunicação que ensine tal coisa aos seus alunos, eu gostaria de saber, para demonstrar amplamente que, mesmo sobre este assunto, tão delicado para o poder econômico, ainda é possível alguma permissão para se dizer a verdade. Se não houver, constataremos estar mais distantes do paraíso ainda!
 
Ao que tudo indica, apesar da ousadia e idealismo dos participantes, este assunto também não foi abordado, com a devida ênfase, no Encontro do Fórum Nacional de Professores de Comunicação, realizado este fim de semana em Belo Horizonte. Nem poderia ser! Afinal, o sistema de ensino de um Estado privatizado pela minoria deve fortalecer ideologicamente o interesse dos poderosos.
 
A cobertura do evento foi realizada pela Revista PQN, Rede Abraço de Rádios e Rádio FAE da UFMG se encontra em www.pqn.com.br . PQN é Pão de Queijo Notícias. Uma revista com sabor mineiro para nutrir comunicadores do Brasil inteiro.
 
Este quadro nos demonstra que jornalistas e seus mestres têm muita dificuldade para enfocar a luta de classes que ocorre na sociedade brasileira e planetária, em todos os setores, bem como no setor que deveriam pesquisar, ensinar e aprender. Talvez o termo mais adequado seja "derrota de classe" que propriamente uma luta.... Seus alunos recebem o diploma, mas permanecem acreditando que estamos numa democracia de fato, quando se trata apenas de uma de direito; que a República não é umaReparticular; e que o Brasil é uma federação  e não um estado unitário.
 
Sociólogos, historiadores, filósofos, psicólogos, jornalistas e todos os demais profissionais de nível universitário geralmente são incapazes de questionar uma letra da realidade que os cerca, tornando-se meros autômatos para abastecer a engrenagem de uma empresa capitalista e satisfazer egoisticamente seus interesses materialistas particulares, apesar das santas, benditas, honrosas, extremamente espetaculares e quase inexistentes exceções. Analfabetos políticos, como diria Bertolt Brecht!http://prod.midiaindependente.org/pt/red/2009/04/445051.shtml ; http://www.consciencia.net/2004/mes/01/brecht-analfabeto.html ]
 
 
 
 
O diploma, então, se torna mera garantia de que o profissional foi treinado tacitamente, durante anos, para reduzir, ao máximo, a possibilidade de fazer algo que prejudique o interesse dos senhores do Estado, do sistema de ensino e da mídia. O poder do profissional isolado e da categoria como um todo é absurdamente fraco em relação à potência do patrão ou da classe empresarial em despedí-lo, colocá-lo numa lista para que ninguém jamais o admita, caso respeite os mais elementares princípios da ética. Então, ele é obrigado a fazer tudo que Perseu Abramo condena na grande imprensa, sem que seja preparado para lutar contra isto pela escola que o diplomou! http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=55 ]
 
O poder dos movimentos sociais segue o mesmo padrão, em geral e no caso específico da Confecom, em relação ao dos financiadores de campanha eleitoral dos políticos e aliciadores de funcionários públicos. "Lobbyists" para os súditos idomáticos do maior país terrorista da face da Terra.
 
Com o Estado oligárquico e autoritário (Marilena Chauí), os presidentes sendo meros motoristas da elite (Dom Mauro Moreli e João Pedro Stédile) e 74 % de analfabetos e semianalfabetos, não poderia ser diferente... O presidente de uma "república" das bananas e dos bananas seria totalmente louco, caso ousasse mais que um decreto jogando o problema real para quem já acredita que a democratização da comunicação já está sendo feita e que a Confecom é absolutamente desnecessária. [http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=530IPB002 ]
 
Como Pilatos, Lula lavou suas mãos e assinou um decreto de uma simplicidade franciscana, que seus assessores precisaram de dois meses e meio para escrever, deixando o pepino para o ministro da Globo e da Abert - Associação Brasileira de Radio e Televisão resolver o resto com a sociedade. O "como"!
 
Coincidentemente, isto ocorre uma semana após a confraternização do ex-operário com os empresários do setor, dia 08/04, quando, em paralelo, a Anatel - Agência Nacional de Comunicação destruía toneladas de equipamentos adquiridos com a poupança popular e sequestrados das rádios comunitárias. 
 
O Encontro Nacional de Comunicadores (sobre educação) foi realizado num parceria entre o Ministério da Educação e a associação das emissoras comerciais. http://www.abert.org.br/novosite/clipping/clipping_resultados.cfm?cod=124093 ]
 
 
 
Até o momento, não obtive uma única informação que contrarie a impressão que tenho de que ele excluiu conveniente as emissoras educativas, universitárias, legislativas e comunitárias. Mas será criado canal direto dos radiodifusores com o ministro da educação, repassando, teoricamente sem censura, os questionamentos de seus ouvintes e telespectadores. Mas continuo aguardando... [http://www.abert.org.br/novosite/primeira_pagina/comunicadoresnac.cfm ]
 
Não obstante, há uma diferença fundamental entre Lula e Pilatos: Enquanto este deixou a decisão por conta do povo, o outro entregou o ouro para os bandidos, ou melhor, para um legítimo representante da elite do poder econômico que lhe financiou a campanha. O próprio pesquisador que empresta seu nome para a fundação do PT concluiu que a grande imprensa é inimiga do povo brasileiro e do jornalismo, coisa que Lula prefere negligenciar.
 
Po outro lado, ele sabe o que o espera, caso saia do limite lhe permitido pelos poderosos... O mesmo destino de Jango, Juscelino, Tancredo, Zuzu Angel, etc., numa versão mais sofisticada, de acordo com nossa época. Por que não um Legacy arranhando o aerolula sobre a selva amazônica? Isto caso já não houvesse acontecido algo assim, antes...
 
Volto a insitir neste ponto! Será que a conservadora e semianalfabeta sociedade brasileira, bem como os movimentos sociais, estão dispostos a pagar o preço compatível para conquistar ademocratização da comunicação, jornalistas independentes para realizar um bom trabalho e reduzir o  lucro do "voraz animal capitalista" (Delfim Netto)? http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=529DAC001 ]
 
Na opinião deste modesto micróbio bacteriano intestinal que vos escreve, a resposta é um retumbante "não"! Se os movimentos sociais tivessem realmente interesse concreto neste assunto, estariam há anos dentro das rádios comunitárias, trabalhando para que fossem realmente como deveriam ser, tornando-as um meio de comunicação com a massa operária e ignara, libertando-a das garras do sistema opressor que domina a quase todos e defendendo-as contra o fechamento.
 
Um exemplo patente disto é minha tentativa de entrevistar José Genuíno, na época presidente do PT. Após responder teatralmente à grande mídia e eu perceber que ninguém tinha mais nada a perguntar, ousei uma pergunta, como representante das rádios comunitárias. Estávamos exatamente no "Encontro do PT com os Movimentos Sociais" (2005), em São Paulo, capital. Ele respondeu: Mais tarde, darei uma entrevista exclusiva para as emissores comunitárias, coisa que, por mais que tentasse, não consegui. Foi um desencontro, na realidade.
 
Com o doce Dulce, foi diferente! Dispensou-nos meia hora numa transmissão ao vivo pela rede mundial de computadores, suportando pacientemente minha abordagem contundente. Tudo isto antes do inferno astral em que o PT entrou. O Silvinho, sentado ao meu lado, no computador da sala de imprensa, se esquivava de mim como o diabo da cruz! Devia estar negociando alguma propina...
 
Lamentavelmente, quem dá o devido valor aos meios de comunicação são exatamente aqueles dos quais uma minoria consciente procura redistribuir a riqueza, a renda e o poder de entrar nas mentes alienadas de nosso povo. Os revolucionários de fato e os da esquerda festiva ainda têm muito a aprender com os capitalistas! Mas, enquanto isto, permanecerão com uma opção preferencial por esmolear alguns segundos na grande mídia, apesar do que defendeu Perseu Abramo. Exceto durante a campanha eleitoral, para o qual as emissoras comunitárias lhes são tremendamente úteis. No governo, mandam fechá-las a taxa de umas 1.200 por ano!
 
Afinal, continúa valendo a lei universal que diz: Cada povo tem a comunicação e a conferência que merece!
 
 

 
 
(*) Heitor Reis é um subversivo e um indivíduo perigoso do ponto de vista dos milicos e de Gilmar Mendes.  Engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e em defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org) e articulista. Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais ("Copyleft"). Contatos: (31) 9208 2261- heitorreis@gmail.com - 20/04/2009