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terça-feira, janeiro 26, 2010

Jornalista paraibano recebe transplante de células-tronco para recuperação do fêmur


por Fabiana Veloso

Na última quinta-feira, 21, o jornalista paraibano Dalmo Oliveira foi submetido a uma cirurgia inovadora no Hospital Universitário Professor Edgar Santos (HUPES), no Vale do Canela, em Salvador. Portador de anemia falciforme, Dalmo usou células-tronco, retiradas de sua própria medula óssea, para tentar reverter uma necrose da cartilagem que recobre a cabeça do fêmur de sua perna esquerda.

O procedimento foi conduzido pelo ortopedista e professor titular da Universidade Federal da Bahia, Gildásio Daltro, com auxílio de uma equipe multidisciplinar de médicos residentes. Segundo Daltro, 80% dos pacientes com anemia falciforme terão em algum momento lesões ósseas e, destes, 38% têm necrose no fêmur. É nestes casos que o transplante é recomendável, mas Gildásio diz que para fazer o transplante é necessário que a lesão não tenha comprometido totalmente o osso, pois, em estado avançado, não é possível reconstituir o fêmur. Neste caso, a única solução seria a prótese ortopédica.

Para o transplante é retirada uma quantidade de células-tronco do paciente. O material é separado em uma máquina por cerca de 40 minutos, depois é aplicado no local onde o osso foi mais afetado.

A cirurgia de Dalmo durou quase duas horas. Ele recebeu raquianestesia, que consiste na injeção de anestésico dentro do canal que leva a condução das sensações táteis e dolorosas das pernas e barriga ao cérebro.

O jornalista ficou internado por apenas dois dias e já se encontra em recuperação na casa de parentes na capital baiana. “Graças a Deus ocorreu tudo tranqüilo. A equipe é muito competente e capacitada. Agora devo fazer sessões de fisioterapia para melhorar a recuperação da locomoção”, diz Oliveira.

Inicialmente a cirurgia estava marcada para o dia 11, mas teve que ser adiada, por conta de avaliações clínicas mais detalhadas do paciente. “Estamos tentando promover um intercâmbio da equipe do Dr. Gildásio com médicos ortopedistas e hematologistas paraibanos vinculados ao HU da UFPB. Esse conhecimento e essa técnica precisam ser difundidas”, diz o jornalista.

Ele diz que os maiores beneficiados com essa nova técnica cirúrgica são pessoas de baixo poder aquisitivo, usuários do SUS com a doença falciforme, a grande maioria composta por afrodescendentes. “Segundo o médico, a necrose da cabeça do fêmur acomete crianças com anemia falciforme ainda na primeira década de vida. Quanto mais cedo o problema for diagnosticado, mais chances se têm de obter uma cura mais definitiva”, diz Dalmo.