Terça-feira, Novembro 10, 2009

Sociedade de controle vs. Controle social na 1ª CONFECOM

por Dalmo Oliveira1


Enquanto a sociedade disciplinar se constitui de poderes transversais que se dissimulam através das instituições modernas e de estratégias de disciplina e confinamento, a sociedade de controle é caracterizada pela invisibilidade e pelo nomandismo que se expande junto às redes de informação.
Ana Isabel Lopes e Sónia Santos2

1.Intro(missão)
A noção exata de “controle social” me ocorreu a pouco tempo, depois que assumi oficialmente a militância no movimento de pessoas com doença falciforme, através de duas organizações de que faço parte: a Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH) e a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária na Paraíba (ABRAÇO-PB). Antes disso eu havia tido uma militância light no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba, onde disputei o cargo máximo (e perdi) ano passado.
Desde meados dos anos 80, quando iniciei minha peregrinação ideológica pelo movimento anarquista, ainda na UFPB, desenvolvi uma postura cética, crítica e reticente à toda e qualquer forma de institucionalização da vida pública. Comecei a desconfiar das intenções das igrejas, dos partidos, dos sindicatos, dos grêmios, das escolas, dos tribunais, dos clubes, das sociedades secretas, das polícias, dos governos e da família.
Anarquista que se presa deve duvidar de tudo e de todos mesmo. E a dúvida é a melhor aliada daqueles que fazem jornalismo utópico, jornalismo cidadão, jornalismo de combate. Então sempre achei que, sendo jornalista, havia escolhido a ideologia mais apropriada para essa profissão: a ideologia libertária.
Bem, é em nome dessa “ideologia” que escrevo as linhas em tela. Começo fazendo uma advertência ao amigo leitor: apesar de apontar minhas dúvidas, a partir de reflexões empíricas, e minhas denúncias e reclamações, a partir dos fatos que montam nossa realidade, não tenho a pretensão de ser o corretor universal, isento, neutro ou coisas do gênero.
Tenho minhas preferências, meus vícios, meus próprios defeitos e, claro, minha própria ideologia. E é a partir delas e da complexidade que é minha visão de mundo que faço meus apontamentos. Vamos à reflexão então...

2. Conferências públicas como instrumentos de controle da sociedade atual
No Brasil, as conferências públicas, organizadas pelo governo federal datam de abril de 1941, quando, sob a égide do governo Getúlio Vargas, foram realizadas conjuntamente, no Rio de Janeiro, as 1ª Conferências de Educação e Saúde. De lá para cá muita água correu por debaixo das pontes.
Claro que as políticas públicas nessas duas grandes áreas sociais fizeram mudar substancialmente a realidade nas escolas e hospitais. O SUS e o FUNDEB estão aí para comprovar que é possível regular minimamente serviços públicos tão importantes na vida da maioria dos cidadãos brasileiros.
Não descartamos o esforço da sociedade em tentar impor suas demandas aos governantes plantonistas. Basta lembrar de onde vêm todos os impostos que sustentam as máquinas públicas nacionais. O que nos parece certo, no entanto, é que as conferências funcionam muito mais como apaziguadoras do ímpeto de revolta (e de revolução) das “massas populares”,do que como um dispositivo efetivo de controle social nesses serviços públicos.
Na concepção libertária de gestão social, as assembléias populares deliberativas cumpririam o papel daquilo que hoje é dado às conferências públicas de regulação de alguns setores do modelo capitalista. Nada com magnitudes para além das comunidades, com diversas assembléias ocorrendo para a gestão duma cidade como João Pessoa, por exemplo. Com a diversidade e complexidade de um país como o Brasil, deliberações normativas genéricas acabam nivelando por baixo (ou por cima) grande parte das demandas coletivizadas.
Mas vivemos no Brasil do século 21, em plena vigência do modelo estatal capitalista, onde os dirigentes eleitos de forma “democrática” se arvoram na árdua missão de gerenciar o capital e, ao mesmo tempo, tapiar a massa, garantindo que governam em nosso nome. É nessa realidade onde ocorrem nossas gloriosas conferências.
Elas funcionam na mesma lógica dos processos consultivos que definem, em alguns lugares, os chamados “orçamentos democráticos” ou “orçamentos participativos”, que o Partido dos Trabalhadores começou a exercitar na Prefeitura de Porto Alegre, no final dos anos 80.
É um processo simples e prático: o gestor convoca “representantes” da população para definir as prioridades do orçamento ou das diretrizes das chamadas “políticas públicas”. Na maioria dos casos, os representantes que participam disso são lideranças cooptadas ainda no processo eleitoral que botou o gestor na prefeitura, no governo do Estado ou da República.
De um modo geral, há um limite racionalizado de reivindicações e propostas. Ou seja: eles só vão discutir demandas previsíveis pelo Estado e pelo Capital. Não se pode definir nas conferências, por exemplo, que os medicamentos devam ser distribuídos gratuitamente, ou que é proibido o funcionamento de hospitais e escolas particulares, atividades capitalistas que afrontam em vários itens a própria Constituição do pais.
É por conta desse controle que os teóricos da Educação e de outras áreas das Ciências Sociais afirmam que vivemos numa “sociedade de controle”, sendo que quem detém a guia são os representantes das minorias empresariais (capitalistas) que ocupam parlamentos, tribunais e poderes executivos.

3.Controle social: isso existe?
Os indivíduos que dizem representar organizações não-governamentais e não-capitalistas (associações, sindicatos, cooperativas etc) que participam do jogo das conferências públicas e das assembléias dos orçamentos democráticos, chamados às vezes de “terceiro setor”, são hoje homens e mulheres que dizem estar exercendo o “controle social” nas instâncias da máquina estatal em que recebem permissão para “controlar”.
O que contestamos aqui é: há no Brasil de hoje controle social de fato? Se há, porque uns morrem nas filas dos hospitais e outros têm acesso às mais modernas tecnologias de saúde? Porque negros e índios não podem aprender nas escolas públicas a história de seus povos e a contribuição que deram e dão para a gloriosa nação brasileira? Porque as mulheres do povo não podem abortar nos hospitais públicos, enquanto as boyzinhas das famílias ricas continuam dispensando seus fetos indesejáveis nas clínicas privadas? Porque um jovem pobre pode esperar por um juiz hipócrita na carceragem tendo sido pego com meia dúzia de pedras de crack, enquanto que os jovens ricos entopem frivolamente narizes, veias e pulmões com as drogas que quiserem numa boate da orla? Ou nada disso tem a ver com “controle social”??
É preciso analisar ainda o nível de legitimidade que os agentes do “controle social” dispõem, quando se sabe que grande parte dessas agências são financiadas por interesses corporativos totalmente contrários ao real anseio de democratização da vida social.
Na Paraíba, especialmente, um fenômeno agrava o cenário das lideranças que conduzem a pauta do “controle social” em vários níveis: o monopólio e hegemonização das entidades por indivíduos e grupos que se perpetuam nos cargos representativos dos organismos sociais. Veja o caso do sindicato da minha categoria, por exemplo, cujas “lideranças” estão à frente da entidade há quase 20 anos, mantidos num sistema de reeleição ad infinitum, totalmente esclerosadas em relação aos anseios atuais da grande maioria dos associados.
No caso específico da CONFECOM, é preocupante que a condução das discussões e a própria organização do evento esteja a cargo de grupos político-partidários, organismos corporativistas e entidades com baixa representatividade popular e cidadã. O mais grave ainda é ver que esses grupos utilizam-se de todas as manobras possíveis para afastar das discussões pessoas e entidades legitimamente interessadas na discussão da democratização da comunicação social paraibana e brasileira.
Afastamento que ocorre já pela baixa divulgação pública sobre as finalidades da CONFECOM e que se consolida no momento de credenciamento para participação nos fóruns propositivos e deliberativos. Artifícios utilizados especialmente por aqueles que foram formados nas odes de organizações político-partidárias, autodenominadas “socialistas”, “comunistas” etc. Uma prática que começa nos grêmios estudantis, diretórios acadêmicos e se espalha pelos centros comunitários, sindicatos, associações de moradores e ONGs.
Vista como mais um campo de batalhas entre representantes sociais e representantes do capital, a CONFECOM, torna-se, na prática, o exemplo mais novo da disputa ideológica dentro do próprio campo popular, onde pensamentos antagônicos disputam espaço e poder.
O discurso maniqueísta de alguns desses “representantes” afirma que “nossos inimigos são os capitalistas do empresariado da comunicação”. E que, do ponto-de-vista da sociedade civil “todos devemos juntar forças”. Mas como unificar essa luta se dentro do nosso próprio campo as práticas do golpismo, da manipulação, da centralização, da desfaçatez, da injúria e da covardia continuam dando o tom?
Antes de partirmos para a batalha externa será preciso equacionar as divergências políticas, ideológicas e metodológicas intestinas da nossa própria organização (se assim poderemos chamar esse aglomerado amorfo e antropofágico). É chegada a hora de separar o joio do trigo, construindo na CONFECOM uma representação social mais orgânica e menos fisiológica, afastando do processo indivíduos e grupos vinculados aos interesses meramente político-partidários, comprometidos com os governos de plantão e até com o empresariado midiático.
A delegação paraibana à CONFECOM nacional precisa ser composta de representantes legítimos dos grupos sociais secularmente alijados dos meios de comunicação empresarial, como os indígenas, os quilombolas e a classe trabalhadora do campo e das cidades. Para evitar que os mesmos que representaram a Paraíba nas inúmeras outras conferências continuem ocupando o lugar de quem tem compromisso social de levar e trazer discussões sintonizadas com a real situação dos segmentos sociais excluídos do debate público na terra de Assis Chateaubriand.
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1. Jornalista, servidor público federal, coordenador da ABRAÇO-PB;
2. Da Sociedade Disciplinar à Sociedade de Controle. Disponível em http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/sociedade%20disciplinar/index.htm. Data de acesso: 30/10/2009.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

AVISO AOS LEITORES

foto: dalmo oliveira
a dança das caianas




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Sexta-feira, Setembro 11, 2009

UFPB sedia congresso internacional sobre o filósofo alemão Jürgen Habermas


A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) promove, de 16 a 18 de setembro, em João Pessoa, o Congresso Internacional Habermas – 80 anos, para comemorar o aniversário de 80 anos do filósofo alemão Jürgen Habermas, um dos mais importantes pensadores vivos da atualidade. O evento reunirá pesquisadores e professores do Brasil, França, Bélgica e Espanha.

Entre os conferencistas, está o cientista político Sérgio Paulo Rouanet, que criou a Lei Rouanet na época em que foi secretário de Cultura da presidência da República, no inicio da década de 90. Ele fará a palestra de abertura, com o tema ‘Habermas Hoje’, a partir das 8h, no auditório 412 do Centro de Educação.

A lista de palestrantes – 14 no total – também inclui o belga André Berten, o espanhol Domingo Garcia-Marzá, o francês Rubem Mendes de Oliveira e a brasileira Bárbara Freitag, uma das principais tradutoras do alemão para o português, das obras do filósofo.

Os participantes terão a oportunidade de conhecer um pouco da obra de Habermas nas palestras e mesas-redondas, que vão abordar temas ligados à religião, comunicação, educação, ética, direitos humanos e filosofia. Também serão apresentados trabalhos enfocando as teorias do filósofo.

“A relevância do pensamento e da obra de Jürgen Habermas não se restringe à filosofia, mas a um legado teórico multidisciplinar de problemas nas Ciências Humanas, cujos objetivos buscam compreender a vida cotidiana em sociedade”, disse o professor da UFPB, Edmilson Alves de Azevedo, um dos organizadores do congresso.

A programação completa do evento pode ser conferida no site www.logosdedalos.com/gphermes/habermas2009. No endereço, também podem ser feitas as inscrições, que custam R$ 50 para professores, pesquisadores e profissionais, R$ 10 para estudantes de graduação e R$ 20,00 para estudantes de pós-graduação. O dinheiro deve ser depositado no Banco do Brasil, agência 1619-5 e conta corrente 593.882-1. O comprovante do depósito (escaneado) deve ser enviado por e-mail para o endereço ch80anos@hotmail.com ou apresentado na hora do credenciamento.

O evento está sendo organizado pelo grupo de pesquisa Hermes, formado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFPB, em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Piauí, e pelo Centro de Educação da UFPB.

Teoria Critica - A obra de Jürgen Habermas dá continuidade ao esforço empreendido pela primeira geração da chamada Escola de Frankfurt, grupo de filósofos e cientistas sociais de tendências marxistas, que fundou o Instituto de Pesquisa Social, em 1924. O grupo originou o que veio a se denominar de Teoria Crítica e criou conceitos como “indústria cultural” e “cultura de massa”.

A Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, na figura de Habermas, prossegue na tarefa de tentar compreender os dilemas e impasses que persistem no atual estágio de evolução da sociedade moderna.

Entre as obras do filósofo, destacam-se: Reflexões Sobre o Conceito de Participação Pública, Evolução Estrutural da Vida Pública, Teoria e Práxis, Lógica das Ciências Sociais, Conhecimento e Interesse, Técnica e Ciência como Ideologia, Consciência Moral e Agir Comunicativo, Entre Faticidade e Validade e Teoria da Ação Comunicativa, a maior obra do autor.

Assessoria de Imprensa

Paula Brito

8707-5272

Contatos:

Professor Edmilson Alves de Azevedo (eazevedo@hs24.com.br)
Professor Bartolomeu Leite da Silva (blsic@hotmail.com)

Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFPB (posfil@cchhla.ufpb.br)

Telefone: (83) 3216-7205

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Mafalda na praça


Muleca argentina agora eternamente sentada
na pracinha onde morava seu criador Quino
Para quem está ou vai à Buenos Aires freqüentemente a grande nova atração da cidade fica no bairro de San Telmo, onde foi inaugurada recentemente uma estátua da gloriosa Mafalda, um dos principais ícones do imaginário Argentino, criado pelo fabuloso Quino, que vivia exatamente no prédio que fica na esquina onde a estátua da pentelhinha das HQs portenhas foi instalada. As tiras publicadas também em vários livros foram publicadas entre 64 e 73. No Brasil, a Mônica, do Maurício de Souza, repetiu a fórmula de histórias em quadrinhos utilizando personagens infantis femininos impulsivos e geniais.
Para saber mais procure “Toda Mafalda”, Editorial De La Flor. www.edicionesdelaflor.com.ar/

Conferência pública de C & T discutirá financiamento da pesquisa brasileira

Cientistas e jornalistas mantêm uma relação tensa dividida entre a admiração mútua e a desconfiança permanente. O físico Ildeu de Castro, do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, é um estudioso destas tensões. Ele falou um pouco sobre seu trabalho para cerca de 60 jornalistas agora pela manhã durante o Curso de Jornalismo Científico - Ciência & Mídia, sob o patrocínio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O evento termina hoje no Recife Mar Hotel, na capital pernambucana.

Castro deu informe da realização da conferência nacional de ciência & tecnologia, que ocorrerá em maio do ano que vem, na capital federal. Ele disse que é importante que o evento discuta políticas públicas de financiamento para difusão científica.

O pesquisador reconhece que a formação dos cientistas é deficiente, como também é a formação dos jornalistas. Para Castro, o jornalismo poderia informar melhor sobre o “empreendimento da ciência”. Galileu e Einstein foram citados por eles com0 grandes divulgadores de ciências, falando de suas experiências nos livros que escreveram.

“Os cientistas dão muita ênfase à precisão, por isso muitos têm medo que os jornalistas transformem suas pesquisas em notícias sensacionalistas”, comenta Castro.