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sexta-feira, abril 08, 2011

API traz jornalista da Rede TV para palestra sobre ética

Marcela e Kennedy: ética no jornalismo em pauta 

A convite da API, com apoio do SEBRAE e da Faculdade Maurício de Nassau, jornalista Kennedy Alencar, da RedeTV, discutiu ética em palestra ontem, dia 7, em João Pessoa. Na abertura, Alencar disse que veio por conta própria, para evitar comprometimento com os apoiadores do evento. "Não sou paletrista", disse.
Mineiro, ex-articulista do Painel da Folha de S. Paulo, morando em Brasília, Kennedy cobriu a guerra no Kossovo. Alencar, que estudou Direito, mas não concluiu, declarou, para uma platéia repleta de estudantes de jornalismo, que é contra obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão. Ele disse, entretanto, que defende a melhoria das escolas superiores de jornalismo. Alencar reconheceu importância do Código de Ética da Fenaj, ressaltando a responsabilidade social da profissão e condena sensacionalismos.
Ele confessou que ainda não está convencido da necessidade do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), mas acha que deve ser composto por representantes de vários segmentos e entidades da sociedade civil, como OAB. Demonstrando visão neoliberal sobre as empresas jornalísticas, ele disse ser legítimo "vender" o produto notícia, como maneira de garantir independência em relação ao Estado e interesses corporativos. “É importante que os jornais operem no azul, para garantir liberdade editorial”, diz.
Alencar falou também sobre Wikileaks, argumentando que o jornalista não pode cometer crimes para obter informações, mas pode usar informações obtidas com crimes cometidos por terceiros. Citou o caso do vazamento de documentos confidenciais patrocinado por militares estadunidenses.
A palestra de Alencar, a rigor, não trouxe novidades, mas agradou a estudantada que veio de Campina Grande. A organização vacilou no ordenamento das perguntas do debate. Alencar levou uma penca de perguntas para responder por email (kalencar@uol.com.br). Vários jornalistas que queriam fazer perguntas orais não tiveram oportunidade.
Rubens Nóbrega, Luiz Torres, Joanildo Mendes, Maria Helena Rangel e Dercio Alcântara eram alguns medalhões do jornalismo presentes ao evento. A sensação que ficou é de que Alencar não estava preparado para discutir o tema proposto pela API. Talvez tivesse sido mais proveitoso se ele falasse sobre a relação mídia e poder, tema em que está mais familiarizado.
Alencar: 20 anos nos bastidores da grande imprens(Fotos: Dalmo  Oliveira)

O presidente do Sindicato dos Jornalistas surpreendeu a todos ao anunciar que está matriculado em curso de jornalismo na Maurício de Nassau. O representante do Sindicato anunciou debate sobre ética no jornalismo paraibano, amanhã (sábado), 9h30, no auditório da OAB-PB. 

Os jornalistas e a saúde

Por Dalmo Oliveira*

O Dia do Jornalista, 7 de abril, ficou ainda mais ofuscado esse ano na Paraíba por conta das comemorações do Dia Internacional da Saúde, celebrado nesta mesma data. Nos quatro jornais impressos que circulam no estado a data da saúde hegemonizou os espaços publicitários em meio ao noticiário convencional e às propagandas de automóveis.
Apenas o jornal estatal, A União, trouxe um editorial refletindo sobre nossa categoria. Um texto aparentemente favorável, mas que no finalzinho declara uma certa dispensabilidade do diploma para o exercício da profissão. Não sei exatamente as causas, mas esse ano, injustificavelmente, o “nosso” sindicato não fez circular sua posição sobre a data.
Como estamos vivendo um momento em que a saúde pública está na ordem-do-dia, é oportuno que aproveitemos essa data para refletir um pouco sobre como anda a saúde coletiva da nossa categoria, exposta cotidianamente a todo tipo de pressão.
Nesse aspecto, acho que a saúde mental dos jornalistas no exercício da profissão continua sendo a área mais afetada nesses trabalhadores. De qualquer forma, já foram maiores os índices de alcoolismo e de uso abusivo de drogas no seio dessa categoria laboral. Problemas que empurram esses profissionais para as dependências químicas – álcool liderando com folga.
É preciso, no entanto, apontar para o foco originário dos maiores problemas mentais (ou comportamentais) desses trabalhadores: o ambiente extremamente estressante e competitivo das redações, com suas rotinas em tempo exíguo, cobranças diárias de resultados (textos) e a presença crescente do assédio moral.
Não é difícil encontrar gente que desistiu da profissão depois de alguns anos de trabalho nas redações. Jornalistas demitidos sem justa-causa, apenas por reivindicar publicamente seus direitos, ou por se aproximar da entidade sindical. Jovens repórteres humilhadas diariamente pelo assédio machista de chefes e de fontes. Rapazes e moças oprimidos e agredidos por assumirem determinada opção de sexualidade.
Some-se aos fatores psicossociais, as condições precárias e desumanas de trabalho, com cargas-horárias de até 12 horas ao dia. A necessidade de empregar-se em até quatro ou cinco lugares diferentes para tentar garantir uma vida mais digna, já que o piso-salarial dos jornalistas continua insatisfatório e aviltante.
Nossa saúde também é fragilizada em decorrência da exposição excessiva à telas de computador, aos ambientes super-refrigerados e a uma alimentação apressada e de baixa qualidade, dada a indisponibilidade de tempo para uma parada descente para a principal refeição diária.
O jornalista, assim, vai acumulando problemas neurocognitivos, gastro-intestinais, doenças da coluna vertebral, dos punhos e ombros, distúrbios da circulação sanguínea e da pressão arterial, tabagismo, alcoolismo, diabetes, cefaléias, AVCs, infartos e tantos outros males decorrentes de uma vida massacrada por um cotidiano profissional insalubre e comprometedor.
Em resumo: essa profissão é de matar!

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*Dalmo Oliveira é jornalista desde os 19 anos, formado pela UFPB, com mestrado em Comunicação pela UFPE. Foi diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba. É assessor ad hoc da Coordenação de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde.