sábado, fevereiro 04, 2012

Atores negros de "Aruanda" ficaram invisíveis na cinematografia brasileira

Quem eram as atrizes anônimas da comunidade que
 atuaram no filme de Linduarte? (Fotos:  Rucker Vieira)


 Assistindo mais uma vez o filme "Aruanda" de Linduarte Noronha fiquei decepcionado com uma coisa: ele não deu o crédito a NENHUM do atores do filme que o consagrou como preceptor do Cinema Novo.
Para uma obra que se propõe referência do chamado "cinema antropológico", omitir o nome do elenco foi uma falha grotesca dos produtores/realizadores de "Aruanda". Os atores negros da comunidade quilombola do Talhado, na região de Santa Luzia, recrutados por Noronha e Vladimir Carvalho permaneceram invisíveis para a cinematografia brasileira até hoje.
Cinema Novo em xeque: atores de Aruanda ficaram invisíveis
Eu encontrei também no YouTube, um documentário de Manfredo Caldas e Walter Carvalho. Ali se percebe claramente que a Paraíba perdeu uma oportunidade histórica de criar uma fantástica escola de cinema. Provavelmente, a instalação da Ditadura Militar, a partir de 64, contribuiu decisivamente para que isso não tivesse ocorrido. 
O fato é que, com o estouro de "Aruanda" a UFPB deveria ter criado no DECOM uma habilitação em Cinema mesmo antes de criar o curso de Jornalismo. Hoje a Paraíba ainda mantém um esforço interessante na área do audiovisual, tanto na UFPB, quanto na UEPB, mas nada que seja digno daquilo que poderia produzir uma escola superior de cinema.
Cursos de graduação em  Cinema, ou Cinema e Audiovisual, existem nas principais universidades brasileiras. Os cursos pioneiros no Brasil são os da Escola de Comunicações e Artes da USP, da Universidade de Brasília e da Universidade Federal Fluminense, todos eles surgidos anos 60.
Nas últimas duas décadas, cursos de Cinema têm proliferado pelo país. Universidades como UNICAMP, UFSCAR (São Carlos), Universidade Católica de Pernambuco, UFSC, UFMG, UFPE, Universidade Tuiuti do Paraná, PUC/RGS; SENAC/SP e Anhembi-Morumbi, oferecem formação em Cinema em nível de graduação.

Manifesto Popular pela Autonomia da UEPB

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Valdívia Costa lança e-book com seu humanismo pós-literário


A jornalista Valdívia Costa acaba de estrear no mundo (oficial) das letras. Ela lançou na internet o ebook "CronicalMente HUMANA", com pequenas crônicas anteriormente divulgadas no seu blog "De acordo com...".

Bem ilustrado, o ebook mostra também a faceta artística dessa escriba potiguar que adotou Campina Grande como refúgio há duas décadas. Inovadora, corajosa, sagaz e irreverente, Val escoa, nas vinte e poucas páginas do livro, sua percepção diferenciada do mundo que a rodeia.

A primeira impressão é de que foi pouco. O ebook de Val poderia ser mais "grossinho". O bom gosto da diagramação e a fluidez dos textos também despertam no leitor a vontade de ver a obra impressa num ótimo papel reciclado (tendo em vista a consciência ecologicamente correta da escritora).

Bom demais! Esperamos que seja apenas o primeiro duma série generosa da materialização dos lampejos maravilhosos de sua mente brilhante.

Leia o livro agora clicando aqui

sábado, janeiro 28, 2012

Alô Comunidade! - Edição 33



Nesta edição você vai ouvir a primeira parte da entrevista que o jornalista Dalmo Oliveira fez com o Coordenador-executivo da ABRAÇO Bahia, professor Jonicael Cedraz.


Nos estúdios da Tabajara AM, a presença da jornalista,agitadora cultural e carnavalesca Ednamay Cirilo falando sobre a agremiação Anjo Azul, que completa 18 anos de atividades no carnaval de João Pessoa.


Tem ainda a música de Gessé Gel e do mestre Fuba, com o hino do Anjo Azul.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Milagre do rádio mantém ouvinte ligada por mais de seis décadas

Mozart entrega brinde à dona Aluizia, ouvinte de Mangabeira


por Fábio Mozart





O rádio vai completar 90 anos no Brasil. A Rádio Tabajara da Paraíba comemora 75 anos de transmissão ininterrupta em 25 de janeiro próximo, sendo a quarta emissora mais antiga em atividade no país. Antes da Primeira Guerra Mundial, quando dos primeiros experimentos radiofônicos, a imprensa noticiava: “as ondas de rádio poderão, no futuro, ser uma arma de guerra, explodindo minas à distância ou lançando torpedos”. O rádio revelou-se uma arma de paz.


Faço um programa na Rádio Tabajara da Paraíba, em amplitude modulada, frequência que está meio fora de moda. Quase ninguém ouve rádio AM. Diante da multiplicidade do rádio em frequência modulada, de melhor qualidade sonora, o rádio AM perde cada vez mais espaços. Mas é na amplitude modulada onde se ouve rádiojornalismo de qualidade, de certa forma distante dos “virais da mídia radiofônica convencional”, como bem define o jornalista Dalmo Oliveira, meu companheiro na produção e apresentação do programa “Alô comunidade”.


As mídias, hoje, invadem a vida dos cidadãos, oferecendo variadas opções no rádio, na televisão, nos jornais, nas revistas, na internet. Difícil encontrar ouvinte que acompanha a mesma programação todos os dias, anos a fio. Encontrei um exemplo dessa fidelidade, o nome dela é Aluízia Freire, uma jovem de 82 anos, nascida e criada em Boqueirão, na região do Cariri paraibano, moradora de João Pessoa há 36 anos. Viúva, dona Aluízia passa os dias ouvindo a Rádio Tabajara da Paraíba AM. Ela ligou para o programa “Alô comunidade”, ganhou brindes que fiz questão de levar pessoalmente em sua casa, no bairro Mangabeira. Ela garante que seu rádio só sintoniza a Tabajara há exatos sessenta anos. “Nunca ouço outras rádios. Meu filho me deu de presente um aparelho de rádio que não pegava AM, eu não quis”, diz dona Aluízia, citando todos os apresentadores e DJs da sua emissora do coração. “Gosto de todos. Quando o dia amanhece, escuto cantoria de viola com Severino Paulo, depois vem o Bolinha, Josy Aquino, a seresta de Spencer Hartmann e termino a noite com Luizinho do Pagode”, explica.

É incontestável a penúria de ideias e são cada vez mais comuns abusos de toda ordem no rádio que se pratica na Paraíba. Ouvintes sensíveis e inteligentes como dona Aluízia Freire preferem ouvir uma rádio decente que não incentiva e promove preconceitos, não explora a crendice popular, não espalha boatos nem divulga escândalos, apelando para grosseria e palavrões. A Rádio Tabajara AM não tem essa postura agressiva, até porque não precisa matar e morrer por publicidade e pontos de audiência. É uma rádio pública, pode ser bem comportada, digna de ouvintes honrados como dona Aluízia Freire, há sessenta anos


www.fabiomozart.blogspot.com