segunda-feira, agosto 29, 2011

Panis et circenses pós-mambembe

As colunas sociais da capital paraibana se esbaldaram nos últimos dias exibindo as presenças hilárias de políticos e outros VIPs no camarote especial do Circo Tihany Spetacular, luxuosamente armado no estacionamento de um megasupermercado, na Estrada de Cabedelo. A propaganda do circo internacional saiu até no jornal A União.
Confesso que não gosto de circo. Não vejo graça, nem nos palhaços. Acho que sou duma geração pós-circense, mais tecnológica, mais televisiva, mais virtual.
Mas o que me deixa mais indignado com esse tipo de “cultura” é o financiamento público ao Tihany, através do Ministério da Cultura e das leis de incentivo, tipo Rouanet. É a institucionalização daquela velha estratégia romana, criticada pelos velhos comunistas, em que os governos burgueses enganam o povo oferecendo-lhe apenas “panis et circenses”.
Reforçado pela mídia provinciana, o entretenimento circense pós-mambembe funciona hoje, tão somente, como um escape para a pequena burguesia local fantasiar que está assistindo um espetáculo especial, tipo Cirque du Soleil.
Minha dúvida principal é: em que medida esse tipo de incentivo, com dinheiro público, favorece relamente a cultura brasileira? 

Se o Ministério da Cultura quer levar cultura ao povo, porque financia um espetáculo com ingressos com preços tão proibitivos para a maioria da população??

quarta-feira, agosto 24, 2011

Foi embora nosso "James Dean"!

José Roberto Araújo, o Zezinho do Geisel


Um trágico acidente de moto ceifou a vida do meu amigo José Roberto, a quem chamávamos carinhosamente de "Zezinho Bilau". Ele bateu, caiu da moto e foi atropelado na BR 230 perto da Unipê.
Bilau vai deixar saudades pela sua energia alegre. Sua pressa em curtir a vida. Mesmo morando em Tambauzinho, Zezinho estava sempre no Geisel, onde cresceu desde a fundação do bairro. Loiro, alto, forte com vibrantes olhos claros, Zezinho tinha um quê de James Dean.
Sua morte nesse tipo de acidente seria algo previsível, pelo estilo de vida que levava. Mas Zezinho não era só aventura: festivo por natureza, ele estava envolvido com vários projetos culturais, como o teatro de bonecos da Emlur e o bloco carnavalesco do Bar do Batente, no Expedicionários, do qual foi co-autor do hino oficial. Me lembro vivamente do dia em que foi lá em casa me mostrar a música.
Vascaíno e botafoguense doente, Zezinho sonhava em ser locutor esportivo... Mais uma voz silenciada cedo demais!

quinta-feira, agosto 18, 2011

Dinossauros e Ciganos, patrimônios de Sousa

Texto e fotos de Fabiana Veloso (fabiana.velosopb@gmail.com)

Fogão improvisado em casa cigana num dos ranchos de Sousa
Ouro, luxo, riqueza, fartura... Essas seriam algumas das palavras que comporiam o imaginário sobre os ciganos. Até seria para os que vivem em outras regiões, mas não para os ciganos que moram em Sousa, Alto sertão da Paraíba.

Miséria e fome foram apontados pelos participantes da conferência de segurança alimentar regional em visita a comunidade cigana do local. Uma terra seca, que contrasta com as, aproximadamente, 800 vidas que moram no local. Falta água. Falta autoestima dos remanescentes que ficaram nas comunidades, chamadas de ranchos. São três ao todo, organizados por famílias. Todas marcadas pelo mesmo estigma do preconceito e da discriminação. É sabido que a população de Sousa, aqueles que não moram nos ranchos Raimundo Benevides Gadelha (conhecida também como Pedro Maia), Vicente Vidal de Negreiros e Valério Correia, manifestam um tratamento ainda de desconfiança para com o povo cigano.

Em 1982 os “ciganos de Sousa” receberam um terreno do candidato à deputado, na época, Gilberto Sarmento, e na seqüência o então governador Antônio Mariz fez projeto para a construção de casas em alvenaria. José Maranhão, em seu governo, após a morte de Mariz, construiu umas 100 casas, faltando outras para a conclusão do projeto. Foi então o começo de um novo tempo, onde os ciganos deixariam a filosofia nômade para se fixarem em um lugar - já fazem trinta anos, mas pouco se conquistou depois disso.

Segundo dados da pesquisa da professora doutora Janine Marta, apresentados pelo gerente de Políticas de Ações Afirmativas da SEMDH, Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana do Estado da Paraíba, José Roberto da Silva, na Conferência de Segurança Alimentar Regional, em Sousa, estima-se que existam quatro mil ciganos na Paraíba. A maior parte no município de Sousa com cerca de 750. Destes apenas 32 ciganos sabem ler e escrever e quatro estão na universidade.

A pesquisa mostra o quanto os ciganos na Paraíba precisam de atenção do governo federal, estadual e municipal. Pois além do terreno doado por Gilberto Sarmento, a maior população de ciganos no estado pouco receberam. Projetos foram iniciados e abandonados com as mudanças de gestão.

CCDI: um computador para toda a comunidade
Numa situação de verdadeiro descaso do poder público. Francisco Vidal, conhecido como Nestor Cigano, vice-presidente da CCDI (Centro Calon de Desenvolvimento Integral), fala do potencial cultural das comunidades ciganas. Segundo ele, através do Centro, os ciganos poderiam estar desenvolvendo várias atividades como a confecção de roupas típicas e, através de cursos, o repasse do aprendizado na elaboração da comida e da música, por exemplo. A tradição da dança cigana ainda é mantida com dificuldades por um grupo de jovens que, vez ou outra, se apresenta. No entanto, o dialeto cigano está dia a dia sendo esquecido.

Ronaldo reclama do forte preconceito que seu povo ainda sofre
Ronaldo Carlos, líder das comunidades ciganas de Sousa, diz que o maior problema é mesmo o preconceito. Segundo ele, antes de qualquer apuração, tudo que aparece de ruim o povo cigano é responsabilizado. Esse tratamento é confirmado quando uma atendente do de um posto de saúde é chamada para fazer um curativo em uma cigana de 84 anos, e ao chegar ao local a prestadora do serviço se recusa a fazer o atendimento com alegações discriminatórias, diz Carlos. Fatos como estes são reforçados quando Renato Soraio, membro da comunidade cigana Pedro Maia. Ele informa que apenas 5% das famílias estão sendo beneficiadas com um programa de distribuição de pão.

Vida cigana: tradição e resistência
A Conferência Regional de Segurança Alimentar ocorrida em Sousa , no dia 13 de agosto, contou com apenas 25 inscritos. Segundo a organização, mesmo com os convites feitos as secretarias dos municípios, a participação foi baixa. Aparecida, Bom Sucesso, São José do Rio do Peixe, Poço de José de Moura, São Francisco e Sousa estavam representados e terão delegados para a estadual.

segunda-feira, agosto 15, 2011

SFA-PB vai compor comitê gestor da produção integrada da caprinocultura leiteira

Fonte: afe.com.br

Paraíba é o maior produtor nacional de leite de cabra, com 18 mil litros/dia

A Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento na Paraíba (SFA-PB) está compondo o comitê gestor do Sistema Agropecuário de Produção Integrada de Caprinocultura Leiteira no estado da Paraíba.  Segundo o fiscal federal Antonio Hybernon da Silva, o sistema deve se concentrar na região do Cariri Paraibano.
“A proposta do comitê é definir diretrizes e normas, com a participação de representantes de toda a cadeia produtiva da caprinocultura leiteira local, de forma a incentivar o uso racional dos recursos naturais, com aumento de produção e de produtividade”, explica Hybernon.
Outra iniciativa será a qualificação de técnicos multiplicadores, instrutores e produtores rurais. “Com isso queremos promover a qualidade do leite, agregando valor e competitividade a esse agronegócio, gerando as condições para a avaliação da conformidade dos produtos derivados dessa bacia leiteira”, acrescenta.
Segundo Hybernon, está sendo sugerida ainda a criação de uma central de comercialização do leite de cabras e seus derivados em uma cidade-pólo do Cariri. A Paraíba é o maior produtor brasileiro de leite de cabra, com uma produção diária de cerca de 18 mil litros. Os técnicos da SFA-PB deverão colaborar também na escrituração zootécnica, o que permitirá a rastreabilidade e auditorias para avaliações das conformidades técnicas do leite caprino e seus derivados.
Além da SFA-PB, o comitê será composto pela Embrapa Caprinos e Ovinos, localizada em Sobral (CE), Universidade Federal da Paraíba, a partir do campus de Areia, Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Pesca da Paraíba (Sedap), Emater-PB, Emepa, SEBRAE, Federação da Agricultura  e Pecuária da Paraíba (FAEPA), Associação Paraibana de Criadores de Caprinos e Ovinos (APACCO) e Banco do Nordeste. 

quinta-feira, agosto 11, 2011

Sousa sedia conferência do Alto Sertão

Evento acontece neste sábado, 13, no campus da UFCG

Aldenora, da Pastoral da Criança, é uma das principais ativistas na Paraíba (Foto: Dalmo Oliveira)

A cidade de Sousa recebe neste sábado, dia 13, a Conferência Regional de Segurança Alimentar e Nutricional do Alto Sertão. O evento ocorrerá entre as 9 e 17 horas, no auditório principal do campus da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
Segundo Arimatéa França, presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-PB), a conferência regional mudou de local por necessidade de ajustes na estrutura e organização do evento. “Estamos esperando cerca de 200 pessoas representando as cidades polarizadas por Sousa para trazer a indispensável contribuição nesse processo de erradicação da pobreza e da insegurança alimentar nos seus municípios e no estado da Paraíba”, diz Ari.
Além de Sousa, a conferência do Alto Sertão deverá atrair representantes de Cachoeira dos Índios, Bonsucesso, Brejo Santo, São José de Caiana, Santa Helena, Marizópolis, Santa Cruz, Nazarezinho, Aparecida, São José da Lagoa Tapada e Riacho dos Cavalos.
Três eixos nortearão as discussões do evento em Sousa: 1 – Avanços, ameaças e perspectivas para a efetivação do direito humano à alimentação adequada e saudável e da soberania alimentar; 2 – Plano de Segurança Alimentar e Nutricional; 3 – Sistema e Política de Segurança Alimentar e Nutricional.
Ao final do dia serão escolhidos os delegados à 3ª Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional da Paraíba, cujo tema é “Alimentação Adequada e Saudável: direito de todos”, programada para ser realizada nos dias 15, 16 e 17 de setembro, em Campina Grande, com local ainda indefinido.. A Conferência Estadual visa a elaboração do plano de segurança alimentar da Paraíba. Ela antecede a Conferência Nacional, prevista para o período de 7 a 11 de novembro, em Salvador (BA).
Para outras informações, os interessados poderão entrar em contato com o Consea-PB através dos endereços eletrônicos conseapb@yahoo.com.br ou conseapb@gmail.com, ou ainda pelos telefones (83) 3218.5630 e (83) 3211.8758 ou pelo celular 8846.6075.
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Redação: Dalmo Oliveira - (MTB-PB 0598)
(83) 8897.1340
twitter: @dalmo_oliveira