sexta-feira, agosto 28, 2026

Coluna Elejó

Eclipse I

Imagem: da Assessoria

Era para ser apenas mais uma daquelas entrevistas-massacre que o pessoal da Globo costuma fazer às vésperas de uma eleição para a Presidência da República: perguntas desconfortáveis de cunho pessoal dando a tônica. Só que, desta vez, esqueceram de combinar com o time adversário. Então, ontem à noite, Lula eclipsou o brilho das estrelas Renata Vasconcellos e Cesar Tralli, durante 40 minutos no horário nobre da TV aberta brasileira.


Eclipse II

Firme, preparado e consciente daquela oportunidade midiática, o candidato do PT colocou em dúvida a escolha de perguntas que a dupla titular de atacantes do JN selecionou para ocupar quase 50% da sabatina ao vivo. Provavelmente, as respostas de Lula não tenham sido dirigidas, necessariamente, aos jornalistas ali na sua frente, mas aos elaboradores do discurso institucional que a Rede Globo construiu desde 1989, quando o JN colocou no ar sua visão sobre o debate entre Lula e Fernando Collor.


Eclipse III

No confronto de ontem, os entrevistadores impuseram uma discussão que tratou mais de acusações (que Lula chamou de ilações) contra seu filho mais velho, Fábio Luís, seu ex-chefe de Gabinete, Marcola, e ao senador baiano Jaques Wagner (PT). A estratégia discursiva foi óbvia: abordar o tema da corrupção atacando gente muito próxima ao Presidente. Mas o candidato entrevistado tirou de letra, mesmo perdendo tempo precioso do programa televisivo.


Eclipse IV

A entrevista poderia ter sido mais propositiva do que aquele arremedo de interrogatório proferido por Tralli e Vasconcellos. Não houve questões sobre enfrentamento às emergências climáticas, mesmo num momento de tragédia na região do Nepal e do Tibet. O jornalismo da Globo também “esqueceu” de indagar o petista sobre as discussões do fim da escala de trabalho 6X1 que está tramitando no Congresso Nacional. Outro tema importante negligenciado na entrevista diz respeito à soberania nacional e as relações internacionais do Brasil, especialmente frente aos tarifaços do Governo do Presidente estadunidense Donald Trump.


Eclipse V

Enquanto, lá fora, a Terra encobria a luz do Sol sobre a Lua, Lula ofuscava a tentativa de manipulação da Central Globo de Jornalismo. Se a entrevista fosse de, pelo menos, 60 minutos o eclipse lular teria sido total. 

 

Adeus à Michèle

Imagem: Arquivo do CIESPAL

Quando os fascistas chilenos bombardearam o palácio presidencial La Moneda, em 1973, Michèle Mattelart já estava de volta à França, mas havia deixado em Santiago o esposo, Armand, e o filho. Considerada uma das grandes pensadoras da Escola Latino-americana das Ciências da Comunicação, segundo Alberto Efendy, que conheceu os Matterlat no período pré-golpe de Estado, ela "optou por amar, aprender e ser latino-americana na luta concreta pela justiça, pela autêntica democracia participativa e popular e, em especial, pela construção de conhecimento e saberes no campo da comunicação social". Falecida no último sábado, 22, em Paris, Michèle deu uma contribuição inestimável ao pensamento social, com uma abordagem de gênero que poucas puderam produzir nessas últimas cinco décadas.

 





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