quinta-feira, julho 05, 2007

Diversidade do povo brasileiro presente na Conferência Nacional de Segurança Alimentar em Fortaleza










Diversidade do povo brasileiro presente na Conferência Nacional de Segurança Alimentar em Fortaleza


Dalmo Oliveira, de Fortaleza – Uma das coisas que mais chama a atenção na III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que ocorre até amanhã, 6, no Centro de Convenções do Ceará, é a diversidade étnica e cultural do povo brasileiro, representado pelas quase duas mil pessoas, entre delgados, especialistas, representantes de governos, entidades, conselhos e organizações da sociedade civil, além de convidados internacionais de diversos países.
Dentre eles, os representantes das comunidades tradicionais (negros, quilombolas, religiosos de matriz africana e índios) são os que chamam mais a atenção, com suas vestimentas peculiares, adereços, turbantes e colares. A multiplicidade das raças no evento é uma mostra clara da composição étnica desse país e da clara vocação que temos para a construção de um modelo real de democracia e diálogo interracial.
Esse ano a conferência avançou ao proporcionar a presença organizada de representantes dos povos e comunidades tradicionais brasileiros, escolhidos previamente em cada estado. Dessa forma, índios, negros e outros grupos puderam trazer reivindicações e propostas específicas, a partir de cada realidade, cada região e cada cultura.
Apesar de se tratar de um evento destinado à discussão alimentar, a terceira conferência vai abordar questões relacionadas a várias problemáticas nacionais, como transposição do Rio São Francisco, produção de transgênicos, geração de emprego e renda, merenda escolar, bolsa família, habitação, reforma agrária, agroecologia, biossegurança etc.
Para Maria Noelci Homero, coordenadora técnica da organização de mulheres negras Maria Mulher, de Porto Alegre, o evento deve apontar alternativas para a publicização das tradições alimentares e culinárias afro-brasileiras. “É preciso mostrar a influência da nossa ancestralidade na formação daquilo que chamamos de comida brasileira”, defende.
Grupos de trabalho e oficina estão sendo realizados para discutir questões específicas sobre a segurança alimentar e nutricional. Na abertura do evento, na terça-feira, dia 3, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o percentual de recomposição de 18,25% para o benefício pago pelo Programa Bolsa Família e a ampliação do atendimento da alimentação escolar para estudantes do ensino médio. "Até 2010, vamos acertar com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) a instalação da rede de esgoto e água potável em 90% das comunidades indígenas e em pelo menos metade das terras quilombolas", completou.

Abertura de Conferência é marcada por protestos anti-Lula



















Abertura de Conferência é marcada por protestos anti-Lula


Dalmo Oliveira, de Fortaleza - Servidores do Incra e do Ibama, em greve, realizaram protesto anti-Lula defronte a entrada principal do Centro de Convenções de Fortaleza, no final da tarde desta terça-feira, 3, no bairro Edson Queiroz, momentos antes da abertura da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O movimento recebeu o apoio de representantes de outros movimentos sociais, como o MST, Movimento dos Atingidos por Barragens e o Fórum Cearense de Mulheres. O protesto chamou a atenção dos delegados presentes ao evento e a comunidade circunvizinha ao centro de convenções.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou à cidade por volta das 16h para participar da abertura da terceira conferência. Antes de abrir o evento. Lula reuniu-se com o governador cearense Cid Gomes. Promovido pelo MDS e pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), o evento reunirá, até o próximo sábado (06), cerca de duas mil pessoas, entre especialistas, representantes de governos, entidades, conselhos e organizações da sociedade civil, além de convidados internacionais de diversos países.
A Paraíba será representada por 42 delegados, oriundos de órgãos governamentais e da sociedade civil organizada. Entre as questões trazidas pelos paraibanos para a conferência no Ceará, destaca-se a problemática envolvendo a produção de leite e a distribuição desse alimento para as famílias carentes do estado. A produtividade leiteira paraibana pode estar ameaçada com o avanço dos danos causados pela cochonilha do carmim que destrói as plantas da palma, principal fonte de alimentação dos rebanhos no Cariri e Sertão da Paraíba.

quinta-feira, junho 21, 2007

Jornalistas paraibanos conhecem propostas da chapa 2







Na última segunda-feira, dia 18, Dorgil Marinho, candidato a presidente da Fenaj pela chapa 2 realizou uma maratona de visitas às principais redações de João Pessoa (Paraíba). Ele foi acompanhado por Dalmo Oliveira, diretor de mobilização e direito autoral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba, que apóia a candidatura naquele Estado.
A primeira redação visitada foi a do jornal Correio da Paraíba, onde os jornalistas receberam a visita com bastante simpatia. Ali Dorgil falou dos principais pontos propostos pelo movimento Luta Fenaj. Em seguida os sindicalistas percorreram as redações do Portal e da TV Correio e da rádio 98 FM, todas no mesmo prédio do Sistema Correio de Comunicação.
Na sequência, eles mantiveram contato com jornalistas do jornal e TV O Norte (Associados). Essa redação foi visitada também no período da tarde, quando havia uma maior concentração de profissionais. O candidato foi entrevistado pela jornalista Thais Cirino. Logo depois eles se dirigiram à redação da Rádio Arapuan (uma das mais tradicionais da cidade), onde mantiveram contato com o editor Giovanni Meireles e a produtora Josy Brito. Visitaram no mesmo prédio os estúdios da TV Miramar (TVE), mantendo contato com produtores e apresentadores.
No final da manhã Dorgil Marinho visitou as redações do Jornal da Paraíba e da TV Cabo Branco (afiliada da Globo). No jornal ele foi recebido pela editora Angélica Lúcio e pelo pauteiro Suetoni Souto Maior. Eles questionaram a posição da Fenaj em relação à regulamentação da profissão e exigência do diploma. Marinho falou também com jornalistas na redação da TV Cabo Branco, explicando a importância das eleições e do acompanhamento dos jornalistas sindicalizados ou não.
Depois o candidato esteve na redação do Portal de notícias WSCOM, pioneiro no jornalismo online no Estado. Ali Dorgil foi entrevistado por Onivaldo Junior, que quis saber da importância da Fenaj para os jornalistas da Paraíba.
No período da tarde eles voltaram à Redação de O Norte e em seguida foram à Secom da Prefeitura Municipal de João Pessoa. Depois de uma rápida panfletagem, partiram para a redação da TV Tambaú (SBT), onde mantiveram contatos com os jornalistas de plantão.
No início da noite a última redação visitada foi a do centenário jornal A União do Governo do Estado. Dorgil falou aos jornalistas e contactou o ex-presidente do Sindicato do Jornalistas da Paraíba, Carlos César, atual editor do tablóide oficial. Ainda em a União o candidato respondeu perguntas dos jornalistas Carlos Cavalcanti e Marcos Lima.
A partir das 19h30, na Associação Paraibana de Imprensa (API), foi iniciada reunião de Dorgil com os apoiadores paraibanos Dalmo Oliveira, Fabiana Veloso, Ricardo Peixoto, Olenildo Nascimento e Elizabeth Guedes. Eles discutiram vários pontos e os próximos passos da campanha no estado. Ficou acertado o planejamento da vinda do candidato a vice-presidente Cristian Góes (SE) e da vice-regional Nordeste, Enoleide Farias (RN), que devem centrar fogo em visitas às redações de Campina Grande (segundo colégio eleitoral do estado).
“Mesmo sem termos representantes na chapa, a passagem do Dorgil aqui foi muito proveitosa e produtiva. Muitos colegas manifestaram satisfação no surgimento de uma oposição para a diretoria da Fenaj, principalmente entre os colegas do Correio e A União”, avalia Dalmo. Para ele o corpo-a-corpo com os jornalistas serve para estreitar os laços de comprometimento dos postulantes à direção da Fenaj com os profissionais nas bases dos estados.
“Particularmente avalio que a vinda de Dorgil serviu ainda para que iniciemos aqui os primeiros movimentos da construção de uma alternativa sindical também para o sindicato da Paraíba, em opção ao grupo que se encastelou na entidade a quase 20 anos. Ninguém agüenta mais o quadro de paralisia e mesmice que assola o sindicato”, diz o sindicalista paraibano. Ele acha que o Movimento Luta Fenaj é o início de uma onda de renovação sindical que pode varrer a organização dos jornalistas por todo o país.
Fabiana Veloso, também diretora do sindicato da Paraíba, diz que depois da passagem de Dorgil pela cidade dá para perceber com mais clareza o clima de insatisfação nas redações com o processo atual de sindicalismo no estado. “A campanha da Fenaj é um termômetro da nossa situação aqui”, avalia. Os diretores do sindicato paraibano que apóiam a chapa 2 comentaram ainda que o que chama a atenção na chapa de oposição é o espírito de solidariedade do grupo e a seriedade com que seus membros assumiram a luta. “A Fenaj e todos os seus sindicatos filiados precisam urgentemente de representantes que estejam sintonizados com as demandas dos jornalistas, atuando mais de perto junto aos movimentos sociais”, defende Dalmo.





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Legendas: Foto 1 - Reunião com jornalistas e apoiadores na API; Foto 2 - Dorgil na redação do Portal Correio
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segunda-feira, junho 04, 2007

Mineiros sediam evento sobre anemia falciforme


Mineiros sediam evento sobre anemia falciforme



*por Dalmo Oliveira


Participo de quarta-feira, 06, até sábado, dia 09, do Encontro Mineiro e Fórum Nacional de Políticas Integradas de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme. O evento ocorre no GranDarrel Minas Hotel, em Belo Horizonte. Vou convidado pela Federação Nacional das Associações de Doença Falciforme (FENAFAL) e pelo Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias Cehmob-MG.
É uma etapa importante nos primeiros passos de um esforço que estamos fazendo em João Pessoa para fazer funcionar uma associação que agregue portadores da doença, seus familiares, médicos e pesquisadores da doença falciforme na Paraíba. Entre os médicos que se dedicam ao problema na capital destacaria o nome de Alexandre Magno (Hemato) que vem desenvolvendo ações de diagnóstico e tratamento a partir do laboratório de hematologia do Hospital Universitário da UFPB, onde já estive internado várias vezes.
A idéia da associação é divulgar o problema junto à população, mobilizar os órgãos públicos e profissionais de saúde e apoiar os portadores desse mal que na Paraíba ataca quase 6% da população, notadamente aquela com herança genética africana.
O Brasil possui um número significativo de afro-descendentes e conseqüentemente um número elevado de portadores do traço e com a doença falciforme no país. O encontro se faz oportuno, dessa forma, como marco inicial para subsidiar propostas concretas à implantação de uma Política Nacional de Atenção Integral à Pessoa com Doença Falciforme.
A elaboração de ações de fomento à atenção integral às pessoas com doença falciforme só será possível com políticas públicas voltadas para a organização do serviço de saúde prestado aos pacientes dessa patologia. A necessidade de uma política de atenção integral à pessoa com doença falciforme se faz urgente no Brasil através de uma discussão ampla e aberta sobre redução dos riscos à saúde ligados a desigualdades étnicas, regionais e sociais. É preciso desenvolver ações para resgatar a identidade e a auto-estima das pessoas com essa doença. Informações sobre o evento podem ser conferidas no site www.cehmob.org.br/encontro .

* Com texto auxiliar de Oscar Henrique Cardoso, ACS/FCP/MinC

quarta-feira, maio 30, 2007

Crimes de mídia: reflexões sobre Venezuela e Brasil


POR DALMO OLIVEIRA
Dois acontecimentos “midiáticos” me chamaram a atenção nos últimos dias. O primeiro deles, e mais recente, foi a atitude do presidente venezuelano, Hugo 'Fidel' Chàvez, que determinou a não renovação da concessão de licença de operação do canal televisivo mais antigo do país: a Rede RCTV. Afora reconhecer que a cassação da rede não deixa de ser uma atitude autoritária, é preciso encarar a questão também pelo viés ideológico.
A princípio, a não renovação da concessão da rede na Venezuela não pode ser classificada de ilegal, já quem em todos os países “modernos” e “democráticos” do mundo, a concessão dos serviços da mídia radiofônica e televisiva é uma prerrogativa da sociedade organizada aos gestores do Estado. Se Chàvez se mantém no poder por métodos escusos e pouco democráticos, aí é outra questão.
Num paralelo sul-americano, cassar a concessão da RCTV, seria o mesmo que tirar a Rede Globo do ar aqui no Brasil. Imaginem... Ora, o presidente Lula teria motivos ideológicos de sobra pra não renovar os canais globais. Todos sabem (ou quase todos) que a emissora do Jardim Botânico foi soerguida com o apoio dos militares em pleno golpe dos anos 60. Durante décadas a emissora respaldou os governos direitistas, a igreja reacionária e o capitalismo tupiniquim.
Na Venezuela, a RCTV desempenhava esse mesmo papel de sustentáculo do sistema anti-chavista, comandada por Marcel Granier (o Roberto Marinho anti-bolivariano). Em um dado momento da crise institucional que o país viveu recentemente a emissora de Granier noticiou amplamente que Chàvez havia renunciado. Claramente um crime de mídia.
Mas o que me deixa com a pulga atrás da orelha mesmo é o fato de que o presidente venezuelano colocou uma emissora “governamental” no lugar da RCTV. Na prática, para o cidadão daquele país, trocou-se seis por meia dúzia. Se a RCTV manipulava a construção da realidade pela mídia televisiva, o que fará a equipe de comunicadores ligados a Chàvez, quando a tv estatal estiver a pleno vapor?...
No Brasil mais inteligente a solução encontrada pelo Palácio do Planalto foi mais sofisticada: nada de tirar a Globo do ar. Está sendo construído um aparato televisivo (teoricamente público) para rebater ideológica e simbolicamente os ataques da “mídia burguesa”. O cidadão brasileiro teve mais sorte que o venezuelano, apesar de pagar mais caro, porque vai poder ter na telinha uma opção oficial à propaganda (subliminar ou descarada) debulhada diariamente pelos canais empresariais.

De primeira mão

O outro assunto que me deixou cabreiro foi uma notícia que vi dia desses no Jornal da Band. A emissora mais antiga na linha evolutiva da televisão brasileira divulgou uma reportagem acusando a Polícia Federal de oferecer exclusivamente à Globo (olha ela aí de novo!) imagens das ações de detenção dos acusados nas diversas operações que a gloriosa PF desencadeou nos últimos tempos, notadamente a recente “operação navalha”.
A emissora paulista alega que, como órgão público, a PF não poderia privilegiar determinado veículo de comunicação. Está correto. O fato de ser a Globo a maior audiência nacional não deve lhe dar o direito de obter informações privilegiadas em desfavor dos demais meios de comunicação. Esse é um princípio básico da democracia (igualdade de acesso e oportunidades). É um preceito que não deve ser desqualificado por quem exerce funções ligadas àquilo que nos países “desenvolvidos” se chama de comunicação pública. No miolo dessa questão estão os jornalistas profissionais que operam serviços de assessoria de imprensa nos órgãos mantidos pelo Tesouro Nacional.