quarta-feira, julho 20, 2011

Documentário com Abdias Nascimento

Ativista tem prêmio nacional de jornalismo com seu nome



O Ateliê Multicultural de Nai Gomes promove nesta quinta-feira, 21, a partir da 19 horas a exibição do filme documentário "Abdias Nascimento - Memória negra", que tem direção e roteiro de Antonio Olavo, que conta a trajetória do histórico militante negro nascido em 1914, cuja obra e atuação politica ao longo do século XX são essenciais para a compreensão da importância do negro na sociedade brasileira.

O documentário é baseado em depoimento gravado em 2005, e registra passagens importantes da longa trajetória de vida de Abdias Nascimento em defesa do povo negro.

Local: Ladeira da Borborema 101 –Centro de João Pessoa. Mais detalhes pelo: 8822.4866

quinta-feira, julho 14, 2011

De volta ao Cerrado

Na mesa que discutiu mídia e ciência na 63ª SBPC
Cinco e trinta da manhã de hoje: desembarco em Brasília e dou de cara com um aeroporto quase vazio. O frio da madrugada começa a incomodar. De repente, um sonolento taxista me oferece a corrida...
- Preciso ir pra rodoviária, quanto custa? Quis saber
- É trinta reais, responde o motorista.
 O agasalho que eu trouxe está com o ziper quebrado e antes que o frio aumente aceito a oferta do taxi. Pelas vias expressas da capital federal aqueles relógios-termômetros avisam que a temperatura ambiente está na casa dos 10 graus. O taxista acha que os aparelhos estão errados e que deve estar fazendo uns 12 ou 14. Uma lua cheia surreal clareia o horizonte plano da cidade mais importante do Cerrado.
 Na rodoviária consigo comprar uma passagem de ônibus para Goiânia com partida às 6 horas. O frio aumenta. Corro pro ônibus em busca de abrigo. As primeiras luzes matinas teimam em não sair do horizonte. Esqueci de comprar água...

A paisagem seca do Cerrado desfila ligeira pela janela. Eu quase consigo tirar uns cochilos. O frio foi passando... Perto das 9h30 desembarcamos em Goiânia. Procuro ávido uma lanchonete e compro uma garrafinha de mineral. O cara do balcão me oferece comida...
- Não, valeu, respondo ao boy.
 - Onde é que tem uma farmácia?
 - Logo aí à direita, indica o jovem balconista.
 Na farmácia compro uma caixa de ácido fólico, um trident e mando colocar crédito no celular.
 Ligo prum colega das antigas que mora na cidade.
- Estou numa reunião e não posso ir te pegar. O taxi para a universidade vai dar uns trinta reais, avisa Lulinha.
- Ok, te ligo mais tarde pra combinarmos qualquer coisa, respondo ao paragoiano.
Ele me aconselhou a comer alguma coisa antes de ir para o local do evento. Numa lanchonete daquelas que se come em pé, devoro uma torta de frango com suco de uva. Com a barriga forrada e mais animado decido batalhar um buzú para ir ao campus da UFG, onde à tarde participarei duma mesa-redonda para discutir jornalismo científico.

-Descobri que ali perto passa ônibus para a universidade. Depois de quase meia hora esperando, descubro que os ônibus daqui não têm mais cobrador e que preciso comprar o tiquete antes de embarcar. No trajeto identifico outras pessoas que estão indo pro mesmo canto.

O campus II da UFG é imenso. Logo percebo que terei que fazer aquela velha caminhada forçada. Meu quadril direito está travado, mesmo assim caminho alguns quarteirõs até chegar ao local do credenciamento. Consegui achar o coração do evento. Transformei a sala de imprensa no meu bunker. Daqui só saio pra rangar e pra proferir a tal palestra. Definitivamente, não tenho mais idade pr'essas coisas!

quarta-feira, julho 13, 2011

Filhas indefesas

O estupro e brutal assassinato da menina Rebecca Cristina, ocorrido no início da semana aqui em João Pessoa é o tipo de crime que deixa o cidadão comum atordoado pelas características da crueldade e frieza do assassino. Por um momento ficamos a imaginar em que tipo de sociedade vivemos, que tipos de seres humanos estão do nosso lado, convivendo conosco, porque tanta maldade e crueldade...


Que tipo de patologia ou anomalia mental e moral levaria alguém a cometer esse tipo de monstruosidade? É o que todos querem saber. Não me convenço apenas com o discurso feminista de que esse tipo de crime é característico de uma sociedade machista, que vê no corpo das mulheres apenas mais um objeto. Tem algo mais que o puro machismo. Algo de perverso, de demoníaco e de inumano.

Ou Rebecca teria sido vítima de um crime de vingança, já que o pai é policial? Seja qual tenha sido o motivo, nada que possa passar por nossas cabeças justificaria tamanha ediondidade. O que nos incomoda, de fato, é que nossas filhas estão indefesas toda vez que saem sozinhas à rua. Prontas a cair no laço impiedoso do maníaco de plantão, do sociopata tresloucado em sua sede de desejo e de prazer.

Lembro imedatamente do best-seller "O Perfume: História de um assassino", do escritor alemão Patrick Süskind, um livro que virou filme, que aborda esse tipo de crime, na França do século 18. Publicado originalmente em 1985, o livro vendeu mais de 15 milhões de exemplares no mundo todo. No romance, o serial killer tinha uma meta: criar um perfume com as essências das donzelas mortas. 


Mas qual será a motivação do assassino de Rebecca? Dinheiro? Prazer? Pervesão? No romance de Süskind, o matador acaba sendo vítima de sua própria sandice, devorado, literalmente, por moradores de rua enfeitiçados com o perfume que ele criou e se banhou na última cena. Metáfora intrigante para a canibalização que a sociedade atual pode fazer do seu próprio instinto auto-destrutivo. Uma antropofagia social e cognitiva, na ânsia de destruir o que de pior o instinto humano gerou.

SBPC discute mídia e comunicação



Participo amanhã à tarde de uma mesa-redonda que vai discutir o tema "Midialogia Científica e a sua Interface Com as Questões Ambientais no Bioma Cerrado", dentro da programação oficial da 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até o próximo dia 15, no campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

A convite da Sociedade Científica de Estudos da Arte (CESA), vou apresentar o artigo "Cerrado: Ciência e neodifusionismo no jornalismo ambiental", onde discuto alguns conceitos a partir dos estudos que fiz durante o mestrado em Comunicação na UFPE. No miolo da discussão está o conceito de "neodifusionismo" aplicado ao jornalismo científico.

A mesa, coordenada pela professora Greicy Mara França (UFMS), terá ainda a participação de Luisa Massarani (FIOCRUZ) e Ricardo Alexino Ferreira (USP), cujas pesquisas comunicacionais desenvolvem as conceituações epistemológicas sobre "midialogia científica". Será uma ótima oportunidade para reencontrar colegas pesquisadores e exercitar mais um pouco a argumentação acadêmica.




terça-feira, julho 12, 2011

Caixeiras do Divino fazem apresentação na Paraíba

Caixeiras do Divino: do Maranhão para o mundo (Fotos: Fabiana Veloso)




por DALMO OLIVEIRA
Maria José Reis de Menezes (Zezé de Iemanjá), Maria de Jesus Belfort Ferreira, Rosa Maria Marques Barbosa (Rosa Barbosa), Rosenilde de Jesus Santos (Rosa Dias), as Caixeiras do Divino do Maranhão, fizeram uma apresentação inesquecível na noite da última segunda-feira, dia 11, na nave principal da Igreja de São Francisco, em João Pessoa.
O público, seleto, sequer preencheu todos os lugares dos bancos de madeira da milenar igreja, mas quem foi ver o “show” teve a rara oportunidade de testemunhar um precioso pedaço da riqueza cultural brasileira. De maneira totalmente acústica, a música produzida pelas Caixeiras do Divino tomou o ambiente com uma sonoridade que nos remeteu imediatamente ao imaginário ancestral das nossas existências.
O canto puro entrecortado com as marcações simples dos tambores (caixas), cria um efeito sonoro e estético típico daquilo que amalgamou a miscigenação cultural da nação brasileira.  O canto religioso que embala as louvações ao Divino Espírito Santo lembra as incelências e ladainhas secularmente reproduzidas pelas senhoras dos sertões e interiores Brasil afora.
Ritos e ritmos têm origem no sincretismo religioso
O tambor monta a base hipnótica para uma espécie de catarse profunda que a música causa em nossas cognições auditivas. A cada peça, uma das caixeiras levanta explica a fundamentação religiosa e ritualística da música a ser tocada. “Alvorada”, “Alvoradinha”, “Salva Coroa”, “Apareça Santa Crôa” e as músicas de saudação à “Senhora Santana”, à “Nossa Senhora da Guia” e “Espírito Santo Dobrado”.

Sonora Brasil – Finda a 34ª apresentação da turnê, fomos entrevistar as caixeiras. Sentadas junto à parede de azulejos azuis, elas revelaram um pouco sobre suas vidas e de como entraram no circuito 2011/2012 do projeto Sonora Brasil do SESC. Zezé de Iemanjá nos disse que o grupo foi montado em fevereiro para as apresentações do projeto, mas que tocam na festa do Divino em diversas comunidades há mais de 30 anos.
            “Eu comecei em 1981. É uma tradição que passa de pai pra filho, dos avós. Começou em Alcântara e veio de Portugal”, diz Zezé. Ela disse que o ritual começou na Casa das Minas (terreiro de tambor de mina), de culto de matriz africana, de Nação Nagõ, que é a casa mais velha que tem lá em São Luiz, fundada em 1840.  Nos terreiros, a celebração do Divino, dentro do sincretismo religioso, ocorre no Dia de Pentecostes, que é o dia do Divino Espírito Santo.
Zezé de Iemanjá toca caixa há 30 anos
            O circuito começou nos mês de maio em São Luiz e já passou por várias capitais e cidades brasileiras. No dia anterior elas se apresentaram em Campina Grande. A última apresentação deverá ocorrer em 13 de agosto em Maceió.
            Depois desta data as senhoras caixeiras retornam às suas comunidades e à rotina de atividades ligadas às tradições locais. Maria de Jesus, que é quilombola da comunidade de Santa Rosa dos Pretos, no município de Itapecuru, diz que quando começa o verão ela tem contratos para tocar em festas da região. Já dona Rosa Dias revelou que “hoje, lá em minha casa, estão derrubando o mastro da festa”.
            Zezé explica que as caixas já estão sendo confeccionadas por mulheres também. Os tambores são feitos de frande, com aros e semi-aros de madeira de jenipapo e couro de cabra.
            O grupo está se preparando para gravar um CD com o repertório apresentado no circuito do Sonora Brasil. Segundo Rosa Barbosa, provavelmente as gravações ocorrerão num estúdio no Recife, mas ainda sem data definida. O Sonora é um projeto de “formação de ouvintes musicais”, que tem como objetivo desenvolver programações identificadas com o desenvolvimento histórico da música no Brasil.