A Policía Federal deteve ontem à tarde, em Cabedelo, três cidadãos oriundos da República da Guiné. Depois de ouvidos pelo delegado Wilemar Rodrigues, os imigrantes foram conduzidos para o Centro de Ensino da PM, em Mangabeira, onde devem cumprir detenção provisória até a data da deportação. Segundo a imprensa local, os detidos foram submetidos a exames de saúde e de sangue para checar se possuiam alguma doença contagiosa.
O que se observa é que esse tipo de notícia e de procedimento não ocorre com outros imigrantes ilegais, mas que é uma prática corriqueira com os africanos. Seria interessante se o Conselho de Promoção da Igualdade Racial do Estado ouvisse os estrangeiros detidos essa semana, para verificar se seus direitos básicos estão sendo garantidos.
quarta-feira, julho 20, 2011
Documentário com Abdias Nascimento
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| Ativista tem prêmio nacional de jornalismo com seu nome |
O Ateliê Multicultural de Nai Gomes promove nesta quinta-feira, 21, a partir da 19 horas a exibição do filme documentário "Abdias Nascimento - Memória negra", que tem direção e roteiro de Antonio Olavo, que conta a trajetória do histórico militante negro nascido em 1914, cuja obra e atuação politica ao longo do século XX são essenciais para a compreensão da importância do negro na sociedade brasileira.
O documentário é baseado em depoimento gravado em 2005, e registra passagens importantes da longa trajetória de vida de Abdias Nascimento em defesa do povo negro.
Local: Ladeira da Borborema 101 –Centro de João Pessoa. Mais detalhes pelo: 8822.4866
quinta-feira, julho 14, 2011
De volta ao Cerrado
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| Na mesa que discutiu mídia e ciência na 63ª SBPC |
- Preciso ir pra rodoviária, quanto custa? Quis saber
- É trinta reais, responde o motorista.
O agasalho que eu trouxe está com o ziper quebrado e antes que o frio aumente aceito a oferta do taxi. Pelas vias expressas da capital federal aqueles relógios-termômetros avisam que a temperatura ambiente está na casa dos 10 graus. O taxista acha que os aparelhos estão errados e que deve estar fazendo uns 12 ou 14. Uma lua cheia surreal clareia o horizonte plano da cidade mais importante do Cerrado.
Na rodoviária consigo comprar uma passagem de ônibus para Goiânia com partida às 6 horas. O frio aumenta. Corro pro ônibus em busca de abrigo. As primeiras luzes matinas teimam em não sair do horizonte. Esqueci de comprar água...
A paisagem seca do Cerrado desfila ligeira pela janela. Eu quase consigo tirar uns cochilos. O frio foi passando... Perto das 9h30 desembarcamos em Goiânia. Procuro ávido uma lanchonete e compro uma garrafinha de mineral. O cara do balcão me oferece comida...
- Não, valeu, respondo ao boy.
- Onde é que tem uma farmácia?
- Logo aí à direita, indica o jovem balconista.
Na farmácia compro uma caixa de ácido fólico, um trident e mando colocar crédito no celular.
Ligo prum colega das antigas que mora na cidade.
- Estou numa reunião e não posso ir te pegar. O taxi para a universidade vai dar uns trinta reais, avisa Lulinha.
- Ok, te ligo mais tarde pra combinarmos qualquer coisa, respondo ao paragoiano.
Ele me aconselhou a comer alguma coisa antes de ir para o local do evento. Numa lanchonete daquelas que se come em pé, devoro uma torta de frango com suco de uva. Com a barriga forrada e mais animado decido batalhar um buzú para ir ao campus da UFG, onde à tarde participarei duma mesa-redonda para discutir jornalismo científico.
-Descobri que ali perto passa ônibus para a universidade. Depois de quase meia hora esperando, descubro que os ônibus daqui não têm mais cobrador e que preciso comprar o tiquete antes de embarcar. No trajeto identifico outras pessoas que estão indo pro mesmo canto.
O campus II da UFG é imenso. Logo percebo que terei que fazer aquela velha caminhada forçada. Meu quadril direito está travado, mesmo assim caminho alguns quarteirõs até chegar ao local do credenciamento. Consegui achar o coração do evento. Transformei a sala de imprensa no meu bunker. Daqui só saio pra rangar e pra proferir a tal palestra. Definitivamente, não tenho mais idade pr'essas coisas!
quarta-feira, julho 13, 2011
Filhas indefesas
O estupro e brutal assassinato da menina Rebecca Cristina, ocorrido no início da semana aqui em João Pessoa é o tipo de crime que deixa o cidadão comum atordoado pelas características da crueldade e frieza do assassino. Por um momento ficamos a imaginar em que tipo de sociedade vivemos, que tipos de seres humanos estão do nosso lado, convivendo conosco, porque tanta maldade e crueldade...
Que tipo de patologia ou anomalia mental e moral levaria alguém a cometer esse tipo de monstruosidade? É o que todos querem saber. Não me convenço apenas com o discurso feminista de que esse tipo de crime é característico de uma sociedade machista, que vê no corpo das mulheres apenas mais um objeto. Tem algo mais que o puro machismo. Algo de perverso, de demoníaco e de inumano.
Ou Rebecca teria sido vítima de um crime de vingança, já que o pai é policial? Seja qual tenha sido o motivo, nada que possa passar por nossas cabeças justificaria tamanha ediondidade. O que nos incomoda, de fato, é que nossas filhas estão indefesas toda vez que saem sozinhas à rua. Prontas a cair no laço impiedoso do maníaco de plantão, do sociopata tresloucado em sua sede de desejo e de prazer.
Lembro imedatamente do best-seller "O Perfume: História de um assassino", do escritor alemão Patrick Süskind, um livro que virou filme, que aborda esse tipo de crime, na França do século 18. Publicado originalmente em 1985, o livro vendeu mais de 15 milhões de exemplares no mundo todo. No romance, o serial killer tinha uma meta: criar um perfume com as essências das donzelas mortas.
Mas qual será a motivação do assassino de Rebecca? Dinheiro? Prazer? Pervesão? No romance de Süskind, o matador acaba sendo vítima de sua própria sandice, devorado, literalmente, por moradores de rua enfeitiçados com o perfume que ele criou e se banhou na última cena. Metáfora intrigante para a canibalização que a sociedade atual pode fazer do seu próprio instinto auto-destrutivo. Uma antropofagia social e cognitiva, na ânsia de destruir o que de pior o instinto humano gerou.
Que tipo de patologia ou anomalia mental e moral levaria alguém a cometer esse tipo de monstruosidade? É o que todos querem saber. Não me convenço apenas com o discurso feminista de que esse tipo de crime é característico de uma sociedade machista, que vê no corpo das mulheres apenas mais um objeto. Tem algo mais que o puro machismo. Algo de perverso, de demoníaco e de inumano.
Ou Rebecca teria sido vítima de um crime de vingança, já que o pai é policial? Seja qual tenha sido o motivo, nada que possa passar por nossas cabeças justificaria tamanha ediondidade. O que nos incomoda, de fato, é que nossas filhas estão indefesas toda vez que saem sozinhas à rua. Prontas a cair no laço impiedoso do maníaco de plantão, do sociopata tresloucado em sua sede de desejo e de prazer.
Lembro imedatamente do best-seller "O Perfume: História de um assassino", do escritor alemão Patrick Süskind, um livro que virou filme, que aborda esse tipo de crime, na França do século 18. Publicado originalmente em 1985, o livro vendeu mais de 15 milhões de exemplares no mundo todo. No romance, o serial killer tinha uma meta: criar um perfume com as essências das donzelas mortas.
Mas qual será a motivação do assassino de Rebecca? Dinheiro? Prazer? Pervesão? No romance de Süskind, o matador acaba sendo vítima de sua própria sandice, devorado, literalmente, por moradores de rua enfeitiçados com o perfume que ele criou e se banhou na última cena. Metáfora intrigante para a canibalização que a sociedade atual pode fazer do seu próprio instinto auto-destrutivo. Uma antropofagia social e cognitiva, na ânsia de destruir o que de pior o instinto humano gerou.
SBPC discute mídia e comunicação
Participo amanhã à tarde de uma mesa-redonda que vai discutir o tema "Midialogia Científica e a sua Interface Com as Questões Ambientais no Bioma Cerrado", dentro da programação oficial da 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até o próximo dia 15, no campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.
A convite da Sociedade Científica de Estudos da Arte (CESA), vou apresentar o artigo "Cerrado: Ciência e neodifusionismo no jornalismo ambiental", onde discuto alguns conceitos a partir dos estudos que fiz durante o mestrado em Comunicação na UFPE. No miolo da discussão está o conceito de "neodifusionismo" aplicado ao jornalismo científico.
A mesa, coordenada pela professora Greicy Mara França (UFMS), terá ainda a participação de Luisa Massarani (FIOCRUZ) e Ricardo Alexino Ferreira (USP), cujas pesquisas comunicacionais desenvolvem as conceituações epistemológicas sobre "midialogia científica". Será uma ótima oportunidade para reencontrar colegas pesquisadores e exercitar mais um pouco a argumentação acadêmica.
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