RADIOWEB ZUMBI DOS PALMARES

quarta-feira, agosto 26, 2009

Desregulamentação abre desafio de reorganização para jornalistas


“Do caos nascerá uma nova ordem !”

Mikhail A. Bakunin (1814-1876)




Quando um grupo de jornalistas brasileiros liderados por Gustavo de Lacerda, em 1908, resolveu criar no Rio de Janeiro, então capital federal, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), muitos dos intelectuais da época, atrelados ao patronato local, tentaram desqualificar a iniciativa taxando os líderes do movimento de “anarquistas”. Desinformados ou por pura maledicência, mal sabiam eles que os jornalistas fundadores da ABI adotavam os ideais libertários que mais caracterizam o pensamento e a prática anarquista: a livre organização e a autogestão.

Faço esse pré-âmbulo para deixar transparente minha simpatia por esse ideário, muitas vezes confundido como defensor da desordem e do caos. Mas na verdade, o pensamento libertário se apropria de aspectos da teoria do caos, originada nas áreas da física e da matemática, para tentar explicar o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos.

Se usarmos a argumentação anarquista sobre caos para tentar entender (e propor alternativas) o processo de desregulamentação da profissão de jornalista, cujo tiro de misericórdia foi dado semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, poderemos enxergar um pouco além do momento de desordem e desencanto por que passamos todos que investimos nas academias universitárias como locus de legitimação de um saber e de uma práxis para o exercício profissional em jornalismo.

Nosso esforço inicial tem se concentrado em diagnosticar a conjuntura econômica-política-social em que se dá a efetivação desta desregulamentação, entendendo, fundamentalmente, que o STF significa apenas um elo da cadeia ideológica que investe no caos organizacional do mercado de trabalho brasileiro. O STF funcionou nesse episódio tão somente como aquele capanga que recebe a ordem para eliminar a freira indefesa ou o seringueiro incômodo numa emboscada na floresta.

Em todos os momentos da história da moderna civilização os aparelhos do Estado, aí incluídas as assim chamadas “supremas cortes”, foram idealizados com o propósito sublime de ordenar o que estava “desordenado” e de desordenar o que naturalmente sempre esteve ordenado, equilibrado, em funcionamento. Ordem e desordem, portanto, são faces da mesma moeda simbólica em que a sociedade humana fundi seus anseios de evolução planejada.

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