quarta-feira, setembro 02, 2009

Jornalistas discutem mídia e ciência em Recife

foto: Assessoria de Comunicação da Fiocruz em PernambucoProfessores Cidoval e Isaltina: academia avalia jornalismo científico




Cerca de 200 jornalistas de todo país (a maioria do Nordeste) participam de hoje até a próxima sexta, 4, no Recife Mar Hotel, na capital pernambucana, do Curso de Jornalismo Científico - Ciência & Mídia, sob o patrocínio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A primeira mesa-redonda do dia de hoje discute ciência e jornalismo científico no Nordeste, com a coordenação de Fabiane Cavalcanti (JC) e facilitação de Cidoval Morais (UEPB), Isaltina Gomes (UFPE) e Mônica Costa (Fapern).

À tarde três palestras estão previstas: doeças negligenciadas, tomadores de decisão vs. conhecimento científico e Canal Futura.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Desregulamentação abre desafio de reorganização para jornalistas


“Do caos nascerá uma nova ordem !”

Mikhail A. Bakunin (1814-1876)




Quando um grupo de jornalistas brasileiros liderados por Gustavo de Lacerda, em 1908, resolveu criar no Rio de Janeiro, então capital federal, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), muitos dos intelectuais da época, atrelados ao patronato local, tentaram desqualificar a iniciativa taxando os líderes do movimento de “anarquistas”. Desinformados ou por pura maledicência, mal sabiam eles que os jornalistas fundadores da ABI adotavam os ideais libertários que mais caracterizam o pensamento e a prática anarquista: a livre organização e a autogestão.

Faço esse pré-âmbulo para deixar transparente minha simpatia por esse ideário, muitas vezes confundido como defensor da desordem e do caos. Mas na verdade, o pensamento libertário se apropria de aspectos da teoria do caos, originada nas áreas da física e da matemática, para tentar explicar o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos.

Se usarmos a argumentação anarquista sobre caos para tentar entender (e propor alternativas) o processo de desregulamentação da profissão de jornalista, cujo tiro de misericórdia foi dado semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, poderemos enxergar um pouco além do momento de desordem e desencanto por que passamos todos que investimos nas academias universitárias como locus de legitimação de um saber e de uma práxis para o exercício profissional em jornalismo.

Nosso esforço inicial tem se concentrado em diagnosticar a conjuntura econômica-política-social em que se dá a efetivação desta desregulamentação, entendendo, fundamentalmente, que o STF significa apenas um elo da cadeia ideológica que investe no caos organizacional do mercado de trabalho brasileiro. O STF funcionou nesse episódio tão somente como aquele capanga que recebe a ordem para eliminar a freira indefesa ou o seringueiro incômodo numa emboscada na floresta.

Em todos os momentos da história da moderna civilização os aparelhos do Estado, aí incluídas as assim chamadas “supremas cortes”, foram idealizados com o propósito sublime de ordenar o que estava “desordenado” e de desordenar o que naturalmente sempre esteve ordenado, equilibrado, em funcionamento. Ordem e desordem, portanto, são faces da mesma moeda simbólica em que a sociedade humana fundi seus anseios de evolução planejada.

sexta-feira, junho 26, 2009

Mídia ignora conferência pela igualdade racial

Reunião de jornalistas negros ocorreu na sala de imprensa do evento


Morte de Michael Jackson tornou discussão racial brasileira invisível



Jornalistas negros reunidos na segunda Conferência Nacional pela Promoção da Igualdade Racial denunciam a total ausência no noticiário da grande mídia nacional e brasiliense, onde o evento ocorre até o próximo domingo. "Não saiu uma linha nos grandes meios ontem e hoje", diz Dojival Vieira, da Agência AfroPress. O noticiário da mídia convencional preferiu dar ênfase ao falecimento do popstar Michael Jackson.


Os jornalistas negros vão apresentar moção aos conferencistas sobre a importância estratégica da comunicação nas conferências públicas, além de alertar a sociedade para a participação na conferência de Comunicação, agendada para os dias 1,2 e 3 de dezembro também em Brasília.


Vários jornalistas credenciados no evento como delegados também fizeram intervenções nos painéis ocorridos hoje sobre a desregulamentação do diploma da profissão. "Outras categorias estão ameaçadas pelo STF. A sociedade pecisa saber da gravidade e do desrespeito com que a suprema corte do país trata a organização dos trabalhadores, a partir de exigências da iniciativa privada", diz Dalmo Oliveira, delegado pela sociedade civil paraibana.


As comissões estaduais de jornalistas pela igualdade racial (Cojiras) também estão empenhadas em realizar o primeiro encontro nacional de jornalistas negros, que poderá ocorrer ainda este ano em Maceió (AL). "O governo de Alagoas já sinalizou com apoio ao evento. Estamos aguardando o posicionamento da SEPPIR e de outros órgãos do Estado e da iniciativa privada", diz Valdice Gomes, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas.

quarta-feira, maio 06, 2009

Lei de imprensa, já vai tarde!




Duas reações extremas saíram dos discursos na mídia sobre o empastelamento da famigerada “Lei de imprensa”, decretado pelo STF semana passada. A primeira reação vem das “viúvas da Ditadura”, que lastimam o fim da lei, alegando ques os jornalistas perdem privilégios e notoriedade na sociedade brasileira. A outra reação vem do coro daqueles que acham que a antiga normatização já vai tarde, defendendo que a lei só era usada para censurar e perseguir jornalistas.
O STF também aproveitou o episódio para fazer das suas trapalhadas ao determinar que, enquanto não se regulamenta o consagrado “direito de respostas”, a justiça deve analisar, um-a-um, os pedidos das pessoas expostas à situação constrangedora nos veículos de imprensa.
O que importa, na real, é que nos livramos dum entulho autoritário elaborado e posto em vigência no ano em que eu nasci (1967), quando a censura institucionalizou-se no país da “República dos bananas”. A lei funcionava como um dispositivo discursivo que lembrava à sociedade que o jornalista é um tipo perigoso, especial, que precisava de uma lei também especial para domar essa categoria.
Naquele tempo, boa parte dos jornalistas que atuava em redações do eixão Rio-Sampa-BH, e em algumas redações no Nordeste, podia ser considerado pelos censores como “subversivos”. A subversão, aliás, tem sido uma característica dos melhores jornalistas do Brasil e do mundo.
Por outro lado, cresce exponencialmente o uso da imprensa para o ataque descarado à cidadania e às chamadas “minorias”. Basta ligar a TV ou o rádio para ouvir o modo como os profissionais da mídia tratam os acusados de crimes, os usuários de drogas, as pessoas homoeróticas, os praticantes de religiões de matriz africana etc.
A legislação brasileira precisaria avançar e garantir uma normatização não apenas dos “direitos individuais e coletivos de resposta” nos órgãos de imprensa e de comunicação em geral, mas, fundamentalmente, garantias ao controle externo da sociedade sobre os conteúdos da mídia, através de comitês de usuários que atuem dentro das empresas de comunicação.
Uma lei geral de comunicações precisa ser fomentada, para que os meios de comunicação passem a desempenhar o seu legítimo papel social, de defensores da cidadania, das garantias individuais e coletivas e do bem-estar da sociedade. O foco precisaria ser tirado do humano para o sistema. Os crimes de mídia são produzidos por profissionais despreparados, tendenciosos, pretensiosos, a serviço de empresas de comunicação.
A criminalização do jornalista é injusta e só protege as empresas, que são as verdadeiras responsáveis pelos abusos cometidos pelos jornalistas e comunicadores, de um modo geral. Obviamente não vamos postular a inocência dos assediadores midiáticos. Eles também têm culpa e devem ser exemplarmente punidos, mas é necessário que haja a solidariedade compulsória da empresas que receberam concessões públicas para informar à população.