quinta-feira, dezembro 01, 2011

Deputado Frei Anastácio denuncia que foi agredido pela Polícia

Anastácio: agredido por PMs (Foto: MAISPB)

O deputado estadual Frei Anastácio (PT) denunciou que foi agredido por três policiais militares,quando tentava entrar no assentamento João Gomes,em Alhandra,durante ação de despejo da polícia, no início da manhã desta quarta-feira, 30. Segundo o deputado, três policiais de moto tentaram impedir que ele tivesse acesso a área. “Eles torceram meus braços para traz, com força, e só não me espancaram porque os índios que estão na área correram para me acudir”, disse Frei Anastácio.
O parlamentar já comunicou o fato ao presidente da Assembléia Legislativa e irá fazer exame de corpo de delito, no Instituto de Polícia Científica. “Além de agredirem um parlamentar, os policiais também cometeram agressão contra um idoso, já que tenho 66 anos idade. Em toda minha luta, de quase 40 anos, nunca fui tão maltratado com força física pela PM, nem durante a ditadura militar eu passei por isso. Até mesmo quando fui preso, não passei por tanta humilhação”, desabafou o deputado.
O deputado explicou que o fato aconteceu a 200 metros dos três lotes do assentamento da reforma agrária, João Gomes, que está ocupado por índios Tabajaras, desde o início do mês. Os lotes foram comprados pela cerâmica Elizabeth, que tem projeto de implantação de uma fábrica de cimento na área. Frei Anastácio foi ao local para dar apoio aos índios e trabalhadores, já que mais de 200 homens da PM estavam na área para realizar o despejo.
O deputado reafirma que é contra a instalação da fábrica dentro do assentamento. “Essa fábrica irá explorar quase três mil hectares de terras.Outras três fábricas estão programadas para a área.Se isso acontecer,mais de 10 mil famílias irão ser atingidas”,disse o deputado.
Porque os índios ocuparam os lotes vendidos?
Frei Anastácio explicou que os índios ocuparam os três lotes comprados pela cerâmica Elizabeth, numa ação de retomada de suas terras na região do litoral sul do estado da Paraíba. Os indígenas reivindicam a demarcação de aproximadamente 10.000 hectares. “Essas terras hoje estão ocupadas, em sua maioria, pelo Grupo João Santos, pelo monocultivo de cana-de-açúcar da destilaria Tabú e por assentamentos, além de ser uma área que sofre intenso assédio de empresas privadas. Mas, as terras que estão nas mãos dos assentados não são reclamadas pelos índios, já que cumprem sua função social”,explicou Frei Anastácio.
O deputado relata que, no entanto, no momento em que as terras são vendidas para o capital privado, os índios entram em ação e querem a posse. “É isso que está acontecendo na grande Mucatu.Essa área está incluída na luta pela demarcação que os Tabajaras querem.Eles reivindicam as terras que vão do Rio Gramame até o Rio Pipoca, uma extensa área que fica entre os municípios de Conde, Alhandra e parte de Pitimbu. “Dessa forma, as terras que forem vendidas em assentamentos e as que estão sendo exploradas pelo capital privado, são alvo dos índios e eu estou ao lado deles e dos trabalhadores que querem viver de duas terras”,concluiu Frei Anastácio.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Bruno Roberto assume SFA-PB


Bruno substituiu Hermes na SFA-PB (foto: Dalmo Oliveira)
Numa solenidade simples e rápida, a Superintendência Federal de Agricultura na Paraíba (SFA-PB) realizou, na manhã desta quarta-feira, 30, a transmissão do cargo de superintendente do órgão. “Todas as ações serão baseadas na coletividade. Cada servidor terá sua voz e seu momento de participação. O estuário de nossa gestão deverá ser a transparência”, disse o novo titular, Bruno Figueiredo Roberto.




Ele destacou ainda que um dos diferenciais de sua gestão será o acesso direto aos parlamentares paraibanos que compõem a banca federal em Brasília. “Até 2050 teremos que aumentar nossa produção agrícola em 70%. Nossa bandeira é fazer com que o agronegócio da Paraíba possa ter condições de competir também no nível internacional, procurando novos parceiros”, destacou o novo superintendente.


Bruno Roberto destacou ainda sua rápida passagem pela Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário do Estado da Paraíba, ao afirmar que destravou obras que estavam paradas há cinco anos. Ele citou a implantação do banco de sementes na cidade de Lagoa Seca e a aquisição de mais de 200 veículos para a EMATER-PB. “A Paraíba não pode ficar aquém das expectativas e do momento que vive o agronegócio mundial. A demanda vai ser grande e as oportunidades devem ser aproveitadas, as ameaças devem ser neutralizadas”, acrescentou o novo gestor da SFA-PB.




HERMES SE DESPEDE 


O ex-superintendente, Hermes Ferreira Barbosa, fez a transmissão do cargo com um discurso emocionado e pragmático. Barbosa estava à frente do órgão desde 2008. “Nesses anos construímos grandes parcerias com os setores público e privado. Não podemos nos dar ao luxo de nos isolarmos”, ponderou Barbosa.


Ele pediu ao seu substituto uma atenção especial para três projetos em andamento apoiados pela SFA-PB. O primeiro é o projeto de certificação do arroz vermelho, que está em faze final de implantação, na região do Vale do Piancó, que abrange 18 municípios daquela região, numa área plantada de cerca de 3 mil hectares, contemplando quase dois mil produtores. Segundo Hermes, o arroz vermelho da Paraíba tem condições de entrar no mercado de exportação, especialmente na Itália.


O segundo projeto destacado é em parceria com a Embrapa Algodão, que trata da conservação de solos e recuperação de áreas degradadas agricultáveis na Paraíba. Hermes pediu ainda uma atenção especial ao projeto de organização da cadeia produtiva do coco, nas várzeas de Sousa, com uma área cultivada de mais de 3mil hectares, em parceria com o SEBRAE-PB e a Prefeitura Municipal de Sousa.


FISCAIS


O evento abriu espaço ainda para a fala do representante da secção sindical do Sindicato Nacional dos Fiscais Agropecuários, Mageciene Chaves, que leu um documento público entregue em seguida ao novo superintendente. Ele solicitou que o novo gestor considerasse alguns aspectos na nomeação de sua equipe assessora, como por exemplo, que os nomeados sejam servidores efetivos e que possuam formação e experiência profissional compatíveis com a função designada. “E que não possua qualquer situação em sua carreira profissional que possa colocar em dúvida nossa conduta a frente dos interesses da sociedade, evitando que cargos eminentemente técnicos sejam ocupados por pessoas sem a devida preparação”, acrescentou Chaves.

terça-feira, novembro 29, 2011

Moura expõe imagens do Talhado em Nai

por Antonia Sousa



‘Talhado na Memória’ é tema da exposição do fotógrafo paraibano Gustavo Moura com vernissage nesta quarta-feira (30), às 19, na Galeria da Ladeira, do Ateliê Multicultural Elioenai Gomes, dentro das comemorações do Mês da Consciência Negra. A entrada é gratuita e ficará aberta a visitação até o próximo dia 20 de dezembro, no horário das 11 às 16h.

A exposição consta de cerca de 20 fotografias em preto e branco, tamanhos variados, com imagens clicadas há duas décadas, pelo fotográfo Gustavo Moura quando foi à Serra do Talhado, no município de Santa Luzia, em 1984, com a intenção de conhecer as locações do filme Aruanda, de Linduarte Noronha, retornando à região, em 1986 e 1988, para registrar percepções e a realidade dos moradores do local. Além dos rostos, horizontes, lugares e gestos desta população estão presentes nas fotografias.


A comunidade quilombola da Serra do Talhado- Trata-se de uma comunidade que vem conquistando, dia após dia, o seu valor histórico como quilombola. Serra do Talhado está localizada do município de Santa Luzia, no Sertão paraibano, distante 270 quilômetros da capital. Desde sua formação, na segunda metade do século XIX, o lugarejo ainda preserva características de um quilombo, evidenciadas na resistência dos seus habitantes e na relação com a terra. Dela sai o sustento: seja pela agricultura ou na forma de peças de barro, uma tradição local preservada até hoje.

Descende de negros provenientes do atual estado do Piauí, que chegaram à região do seridó ocidental da Paraíba por volta de 1885. Perceber os traços de uma realidade tão sofrida nos aproxima dos sorrisos e da resistência daquele povo, que expressa sua arte na confecção da louça a na música de seus bons forrozeiros.Indícios tão marcantes fizeram a comunidade receber, em 2004, a certidão de auto-reconhecimento, emitida pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura (MinC). A história dos quilombolas foi inclusive tema de um documentário, lançado em 1960, durante o período do Cinema Novo.

Segundo relatos dos quilombolas da região, a comunidade da Serra do Talhado teria surgido por volta do ano de 1880, quando o casal Zé Bento e Cecília estabeleceu uma família naquelas terras. Quem declara isso é o agricultor Sebastião Braz, 78 anos, bisneto dos primeiros moradores e uma das lideranças locais. “A história que eu conto é a mesma que me contaram. Meus pais diziam que ele (Zé Bento) veio do Piauí e acabou criando a família aqui no Talhado”, revela.A versão ganha ainda mais fundamento quando se descobre que todos que nascem na Serra do Talhado são parentes. “São todos aqui de uma mesma família”, conta Gilvaneide Ferreira da Silva, 39 anos, que além de ser sobrinha de Sebastião é casada com o filho do agricultor.


LOUÇAS


Do chão vem o que mais caracteriza a comunidade: as peças em barro que artistas e ceramistas quilombolas produzem. Segundo relato de moradores, a prática de moldar a argila surgiu durante a formação do quilombo. “Meus pais e avós diziam que desde o tempo de Zé Bento e Cecília já se fazia artesanato por aqui. Foi ela (Cecília) quem começou a mexer com o barro”, diz Sebastião Braz.

Além de retratar a cultura quilombola local, o artesanato é, hoje, uma grande fonte de renda para a comunidade. Um dos exemplos é a Associação das Louceiras Negras da Serra do Talhado, que reúne as artesãs do lugarejo, incentivando e valorizando a organização. A associação ajudou artistas e ceramistas a venderem mais peças, inclusive fora da Paraíba.

Para o artista visual e gestor cultural Elioenai Gomes, a exposição ‘Talhado na Memória’ de Gustavo Moura é “uma grande oportunidade para as pessoas conhecerem um pouco mais da história desse povo, suas expressões, seus costumes, crenças e alegrias e vem culminar com o encerramento das comemorações do Mês da Consciência Negra que nos trouxe reconhecimento, credibilidade e um grande fortalecimento para a cultura popular afro indígena”, destacou.

De acordo com Elioenai, o Ateliê Multicultural que fica na Ladeira da Borborema, 101, no bairro do Varadouro, Centro Histórico de João Pessoa está com programação cultural permanente. No próximo final de semana tem mais uma edição do projeto ‘Forró Luz do Candeeiro’ com o melhor do autêntico forró paraibano.Informações pelos telefones 83 8730-9629, 88030786, 81 96479294 ou pelo site www.ateliemulticultural.com.br



Serviço:

Programação do Mês da Consciência Negra do Ateliê Multicultural Elioenai Gomes

30/11 – Exposição Talhado na Memória, 19h


Aberto de 30/11 a 20/12 das 11h às 16h


Entrada franca


Tel. do Fotográfo Gustavo Moura- 9984.4794

quinta-feira, novembro 17, 2011

Sem pêlo

O tratamento contra o câncer costuma ser uma fase que mexe não só com a saúde biológica, mas também com a autoestima da pessoa acometida. Ao divulgar fotos depois de raspar o cabelo e a barba, o ex-presidente Lula, dá novo exemplo de positividade e humildade, características que o acompanham desde sempre.
(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

segunda-feira, novembro 14, 2011

Câmeras e fuzis







por Dalmo Oliveira


Os jornalistas brasileiros possuem um código de ética que foi sendo consolidado e validado pela categoria nos últimos anos. Sua última versão conhecida data de maio 2008, editado e amplamente divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas. Em seu segundo capítulo, que trata “Da conduta profissional do jornalista”, o artigo sexto que aborda os deveres desse profissional, diz em seu inciso I: “opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”.
O inciso sexto do mesmo artigo sexto diz que é dever do jornalista “não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha”. No artigo sétimo do nosso Código de Ética, no inciso nono, pode-se ler que o jornalista não pode “expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob o risco de vida, sendo vedada sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais”. O inciso quinto deste mesmo artigo diz que não podemos “usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime”.
Tem mais: o capítulo terceiro do Código, no artigo 11º, inciso II, proíbe que o jornalista divulgue informações “de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes”.
Há poucos dias a morte do repórter-cinematográfico da TV Bandeirantes, Gelson Domingos, durante a cobertura de uma operação policial no Rio de Janeiro, reacendeu a discussão sobre os limites e risco deste tipo de atividade jornalística. O sindicato carioca se apressou em acusar a empresa por fornecer equipamentos inadequados ao repórter. Soube-se, em seguida que o trabalhador havia sido contratado apenas para serviços internos, como operador de câmeras, e não como repórter-cinematográfico.
O noticiário sobre o caso também especulou se o jornalista não teria se posicionado de forma inadequada junto aos polícias da chamada “linha de frente”. Como todo repórter de imagem, Gelson queria captura o inédito, o confronto entre policiais e supostos criminosos. Buscava o furo, a imagem exclusiva. Mesmo que estivesse na rota das balas de lado a lado.
Mas até agora a sociedade brasileira não viu uma discussão sobre os princípios éticos da atividade que Gelson Domingos desempenhava no momento em que foi baleado num beco da comunidade Antares, em Santa Cruz, na zona oeste da capital fluminense. Evidentemente, não queremos aqui colocar juízo de valores sobre o profissional abatido em plena atividade laboral. Nossa discussão procurar estabelecer uma análise mais abrangente da praxis jornalística nas chamadas “coberturas de risco”.
Em primeiro lugar perguntaremos: há quebra do código de ética dessa profissão quando as empresas jornalísticas obrigam os repórteres a cobrir evento que vão de encontro à Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é o que ocorre geralmente nessas “operações” nas comunidades?
O jornalista que faz esse tipo de cobertura está colocando em risco a sua integridade física e de colegas? As imagens jornalísticas feitas nesse tipo de situação atentam ou não contra a recomendação de não expor as pessoas envolvidas nos conflitos, dando condições de identificação dos suspeitos e dos cidadãos ameaçados, explorados e sob constante risco de vida, que vivem em torno das áreas conflagradas?
Outra questão ética: essa modalidade de jornalismo acaba funcionando ou não como mecanismo social incitado de mais violência mais arbítrio e mais intolerância, por parte dos grupos em conflito (Estado e criminosos)? As imagens capturadas nesse tipo de cobertura são ou não informações de caráter mórbido, sensacionalista e contrários aos valores humanistas?
Se nossas respostas forem “sim!”, então concordamos que há algo de muito anti-ético nesse tipo de “jornalismo”.
Na minha opinião, as comissões de ética dos sindicatos de jornalistas e da própria FENAJ deveriam agir de maneira firme coibindo essa prática. Primeiramente junto às empresas de comunicação, convencionando com os patrões que a categoria não deva mais ser forçada a esse tipo de crime. O patronato tem alegado, repetidamente, que isso significa uma interferência na produção dos conteúdos jornalísticos e, que, portanto, seria uma espécie de censura externa.
Em nome da “liberdade de imprensa”, as empresas desses ramos têm cometido secularmente crimes odientos contra a coletividade, contra a consciência humanista dos profissionais da mídia, contra os direitos humanos, ignorando, solenemente o código de condutas éticas dos jornalistas.
A outra direção deve ser tomada diretamente em relação aos profissionais, que, em larga escala, desconhecem o código ético, ou simplesmente, descumprem suas exigências, em nome da busca desenfreada pelo “furo jornalístico”. Outra argumentação comum, e não menos cínica, é a de que, ou cumprem as pautas, ou serão demitidos.
O fato é que, omissão de um lado, ambição capitalista de outro, esse tipo de cobertura jornalística depõe contra a missão do jornalismo cidadão. É uma afronta aos princípios éticos da categoria. Ofende a cidadania. Desrespeita das comunidades onde os conflitos se dão. E coloca em risco a vida dos profissionais da imprensa, especialmente os fotógrafos e cinegrafistas.