segunda-feira, março 07, 2011

O Estado público e a substituição das cortes nos espaços de poder na Paraíba


por Dalmo Oliveira
Retrato de parte da Corte de Louis 14 (Google imagens)



















A Paraíba assiste na atualidade um dos fenômenos mais antigos do exercício do poder, seja ele autocrático ou, pretensamente, democrático. Trata-se da eterna substituição das cortes com a mudança dos regente-mores. Sai a “corte” maranhista, entra a “corte” ricardista!
O conceito de “corte” poderia ter caído no obsoletismo, acaso os mandatários de hoje não fizessem questão de manter um numeroso e voraz séqüito de auxiliares, apoiadores, cabos-eleitorais e toda a sorte de bajuladores que os levaram ao poder máximo estadual a cada quatro anos.
O revezamento das cortes – em grande medida composta de servidores contratados de forma precária em regime de prestação de serviço ou para os chamados “cargos de confiança” – se constitui numa afronta grotesca aos princípios de cidadania, impessoalidade, equidade, justiça e de mérito.
Com o passar do tempo, o cidadão comum, sem apadrinhamentos políticos ou filiações partidário-ideológicas, se vê alijado de qualquer possibilidade de ingresso nas carreiras públicas, aviltado, ad infinitun, pelos cartéis corporativo-familiares que sustentam o sistema da sesmaria pós-republicana.
O vergonhoso e ultrajante loteamento de gratificações, de cargos comissionados pelos grupos apoiadores do regime de plantão na máquina estatal pública na Paraíba é o sintoma inequívoco da crônica anemia democrática que nos assola desde sempre. No lugar da cidadania, o privilégio. Em vez de meritocracia, locupletação sem critérios.
Assistimos, tão somente, a expropriação da coisa pública por grupos minoritários, organizados em agremiações partidárias, corporações e ajuntamentos consangüíneos, cujo único interesse é usufruir ao máximo do período em que gerem o aparelho de estado.
Enquanto as coisas (e pessoas) se acomodam, enquanto o novo grupo gestor “arruma a casa”, os serviços públicos são criminosamente paralisados, programas e projetos sofrem descontinuidade até que os novos servidores tomem pé da situação, num recomeçar angustiante para o cidadão que precisa desesperadamente que o Estado funcione.
A universalização do acesso ao serviço público, através de concursos, seria a única solução para esse tipo de distorção. Não faz sentido que a cada quatro anos, grande parte dos servidores públicos seja trocada, nas prefeituras, no Estado e na máquina federal. Num país sério, serviços públicos de primeira ordem, como saúde, educação, segurança e agricultura, deveriam ser tocados por servidores estáveis, permanentes, concursados, por mérito e competência.
Na Paraíba, onde a gestão pública é responsável pelo salário de grande parte da população, fica ainda mais complicado a troca das “cortes”. O revezamento mostra que existe, permanentemente, um exército de mercenários e aproveitadores de prontidão, tentando tomar o poder na primeira chance. E um outro imenso contingente que jamais poderá disputar os cargos, reservados aos duques, barões e demais componentes da “nobreza republicana” paraibana.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Olhando por outro lado...


por Dalmo Oliveira*




… Todo governo precisaria ter uma imprensa opositora, como poderá ocorrer nos primeiros meses da gestão do socialista Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba. Naturalmente, o Sistema Correio poderá ser o “calo” midiático mais difícil para Nonato Bandeira, o onipresente secretário da Comunicação Institucional e braço-direito do governador estreante. Quem mais leva vantagens com uma imprensa crítica e fiscalizadora é a população, o cidadão que nem lê jornal.
Todos lembramos que, momentos antes da queda do ex-governador, Cassio Cunha Lima (PSDB), o Sistema Correio, controlado pelo empresário e senador Roberto Cavalcanti (PRB), era taxado nas hostes peessedebistas como “o jornal do PMDB”. O próprio Cassio chegou a dizer, numa das últimas entrevistas concedidas a Josival Pereira & Gutemberg Cardoso, que se o Correio estivesse à venda, ele mesmo teria interesse em “comprar uma parte”.
Claro que Cassio falava em sentido figurado. Na verdade ele sabe que o Sistema Correio é uma empresa que “se vende”, mas não para qualquer um. É como aquela puta maravilhosa, com rostinho de atriz francesa, que se dá ao luxo de escolher e rejeitar possíveis “clientes”. O que poucos entendem – muito menos o ingênuo público – é que a mídia, na atualidade, não passa de um empreendimento capitalista como qualquer outro, que vende um produto simbólico e poderoso chamado “comunicação”.
Dentro da mídia, o jornalismo “vende” algo ainda mais precioso: verdades! Isso mesmo, os jornalistas vendemos verdades. Os teóricos da comunicação insistem em dizer que, na contemporaneidade, os meios de comunicação “fabricam” a realidade. Agora, imagine um governador, um prefeito, um presidente que consegue manipular os MCMs... Na atual e moderna história da humanidade temos casos clássicos do uso da mídia para o controle social das massas.
Então, para mim, vai ser surpreendentemente fantástico se Bandeira/Coutinho não conseguirem hegemonizar TODOS os meios de comunicação da Paraíba nos próximos quatro anos. Ficando com a análise apenas do grandes grupos, teremos os Diários Associados com sua falsa “neutralidade” centenária. Entra governo, sai governo, e o DA não deixa de amealhar uma parte considerável das verbas públicas destinadas à publicidade institucional.
O caso do Sistema Paraíba é mais complexo. Aliado histórico do esquema cassista, o grupo canjiquinha se comporta com bastante pragmatismo e usa o jornalismo como arma de ameaça aos governantes de plantão que, por ventura, tentem boicotar seu conglomerado de empresas. Sem falar que ninguém, em sã consciência, toparia enfrentar uma concessionária global.
O grupo Tambaú, vinculado à Marquise, já entra na cena comunicacional paraibana da era girasssol com a imagem maculada, em decorrência do forte apoio financeiro que ofereceu para a campanha eleitoral do agora governador da Paraíba, com a mãozinha do PSB cearense. Oficialmente foi pouca grana, mas chegou numa hora estratégica.
A novidade da praça midiática tabajara é mesmo o Sistema de Comunicação Arapuan, do empresário João Gregório, que tomou corpo nos últimos anos com a chegada da TV Miramar. De qualquer forma, não deve representar grande ameaça à nova governança estadual, por conta da forte vinculação com o ex-governador Cassio.
Outras mídias – O abacaxi mais difícil para Seu Raimundo descascar será mesmo a mídia eletrônica, representada por uma dúzia de “portais” sustentados por grupos políticos minoritários. Os blogs também vão incomodar, porque representam o pensamento de indivíduos, alguns nem tão satisfeitos assim com a chegada do “coletivo RC” ao poder.
Ocorre que na Paraíba não existe um único setor da mídia – nem da imprensa – em que a cidadania possa confiar integralmente. Todos os veículos têm interesses corporativos, em alguns casos, indizíveis. A maioria absoluta acaba com o rabo preso ao regime de plantão. Isso não é diferente na “classe” jornalística.
Devemos ser hoje um dos estados da federação onde atua o maior contingente de “comunicadores do batente”. Funciona mais ou menos assim: o cara é amigo do político de um lugarejo nos cafundós da Paraíba. Por acaso, esse político controla uma emissora de rádio. Nosso glorioso e sortudo “jornalista” começa então na profissão trabalhando de locutor ou “comentarista” numa dessas emissoras interioranas.
Depois de anos de bajulação midiática, o cara é promovido e acaba recebendo convite para ir trabalhar numa rádio da capital, ou de Campina Grande, na melhor das hipóteses. Taí nosso novo “homem da imprensa”, o radialista “boca-quente”, que virou jornalista, que logo passa a escrever nos jornais e, agora, ainda mais fácil, na internet. Se você conhece alguém assim na atual imprensa paraibana, não se espante, é mais comum do que se imagina...
Esse tipo de “profissional” é tão comum por aqui que até o sindicato dos jornalistas é dominado por eles, ainda mais agora que o STF desobrigou as empresas de comunicação de contratar apenas aqueles que possuem curso superior em jornalismo. Ocorre que esse tipo de “jornalista” não possui condição alguma de atuar com os preceitos do bom jornalismo: imparcialidade, independência, neutralidade, autonomia, etc, etc.
Eles têm limitações éticas e de formação deontológica. Fazem o jornalismo de ocasião, jornalismo de campanha, dentro de empresas que mantém a lógica chateuabriana do toma-lá, dá cá! Rubens Nóbrega, que foi recentemente destronado do posto de “martelo moral” da imprensa paraibana, me disse, uma vez, que o empresariado da comunicação paraibana tem o jornalismo apenas como apêndice de seus outros negócios capitalistas.
Na Paraíba, mais que em outro lugar, a mídia é uma espécie de “brincadeira luxuosa” de uma meia dúzia de magnatas. Não são empreendimentos surgidos originalmente no filão comunicacional, como ocorreu com os grupos Abril, Globo e Record, que expandiram-se da Comunicação para outros nichos.
Para piorar tudo, não temos no estado uma organização forte de sistemas comunitários e alternativos de comunicação. O jornal CONTRAPONTO, por exemplo, é mais uma excentricidade midiática do que um “jornal independente”, como João Manoel quer fazer crer. Já o WSCom se traveste de modernidades para tentar esconder sua crucial dependência dos esquemas político-corporativos, com aventuras de uma empresa multimídia com vocação regional.
Por essas bandas, conta-se nos dedos a emissoras de rádio fundamentalmente comunitárias. As poucas que a Anatel deixou funcionar estão controladas por pequenos grupos, manobrados por castas políticas paroquiais.
Esse é o tabuleiro midiático à disposição daqueles que agora possuem a máquina estatal nas mãos. A nós, cidadãos e consumidores de comunicação, resta termos clareza do que está por trás dessa realidade e das verdades que a mídia tabajara nos empurra diariamente.
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* Dalmo Oliveira é jornalista formado desde 1991 pela UFPB; mestre em Comunicação pela UFPE; Coordenador da ABRAÇO-PB.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Jornalismos

Uma das coisas que mais lastimo em ter seguido o viés do jornalismo em assessoria de imprensa foi a desenvoltura sofrível naquilo que no meio chamaríamos de notícias urgentes. Todos sabem que o grande lance do jornalismo é a rapidez com que se pode anunciar publicamente um fato ocorrido há instantes atrás. Pois bem, por isso meus artigos são tão dispersos e absolutamente devezemquandários. Isso é reflexo do ritmo de produção diferenciado entre redação de jornal e agências de relações públicas. Nesse segundo campo o jornalista tem mais tempo para investigar e apurar a notícia. Não há a pressão do deadline.A não ser que a matéria seja sobre eventos, que possuem lugar, data e hora para acontecerem.
Por outro lado, há uma acomodação natural de quem não tem um editor por perto pedindo a matéria. Nessa conjuntura de produção, o jornalista se dá ao luxo de produzir, revisar, editar, e – agora – publicar sua própria produção. Isso acontece nas assessorias que possuem as famosas euquipes. Com o desenvolvimento da internet, o trabalho jornalístico se tornou ainda mais “sedentário”. Daqui mesmo do meu teclado eu posso disparar para um bilhão de “endereços” esse monte de baboseiras alinhavadas no texto que se segue...
Então o que me resta é ficar analisando as diferentes praxis dos jornalismos. Fico olhando a euforia xerocada dos “portais” noticiosos, com sua replicagem frenética do relise institucionalizado. A notícia agora é outra e a pauta está recheada de propaganda subliminar de instituições insuspeitas. È nessa lógica que pedimos, aos berros, garantias a uma tal “liberdade de expressão”.
Mas, afinal, quem mesmo consegue se expressar nos meios de comunicação convencionais? A elite, o mundo corporativo, a burocracia estatal, os cientistas, os militares, o empresariado, a right society, o mainstream, ou seus legítimos representantes. Já a liberdade de imprensa, são outros quinhentos! Me expresso, logo, existo. É essa a lógica da economia discursiva na modernidade. A possibilidade de se posicionar, simbolicamente, numa conjuntura onde poucos podem exercer sua opinião.
Entender a sociedade pela semio(lógica) da mídia. Eis o desafio epistemológico imposto ao analista neófito, que possui dois instrumentos iniciais e distintos: as teorias da comunicação e os diversos ramos da sociologia contemporânea. Para analisar a mídia, é preciso analisar os que fazem a mídia. Interessa, especialmente, descobrir as origens sociais e a conformação societária dos homens de mídia. Quem são? De onde saíram? Falam com que intencionalidades subjacentes? Representam quem, que partidos, que organizações religiosas, que classe dos diversos segmentos da sociedade onde estão inseridas as mídias por onde falam, escrevem e opinam esses “comunicadores”??

terça-feira, dezembro 28, 2010

Cartões virtuais superaram os de papel

A seguir uma pequena mostra dos carttões que recebi esse ano via email. Cartões tradicionais... Nenhum ainda!