terça-feira, novembro 29, 2011

Moura expõe imagens do Talhado em Nai

por Antonia Sousa



‘Talhado na Memória’ é tema da exposição do fotógrafo paraibano Gustavo Moura com vernissage nesta quarta-feira (30), às 19, na Galeria da Ladeira, do Ateliê Multicultural Elioenai Gomes, dentro das comemorações do Mês da Consciência Negra. A entrada é gratuita e ficará aberta a visitação até o próximo dia 20 de dezembro, no horário das 11 às 16h.

A exposição consta de cerca de 20 fotografias em preto e branco, tamanhos variados, com imagens clicadas há duas décadas, pelo fotográfo Gustavo Moura quando foi à Serra do Talhado, no município de Santa Luzia, em 1984, com a intenção de conhecer as locações do filme Aruanda, de Linduarte Noronha, retornando à região, em 1986 e 1988, para registrar percepções e a realidade dos moradores do local. Além dos rostos, horizontes, lugares e gestos desta população estão presentes nas fotografias.


A comunidade quilombola da Serra do Talhado- Trata-se de uma comunidade que vem conquistando, dia após dia, o seu valor histórico como quilombola. Serra do Talhado está localizada do município de Santa Luzia, no Sertão paraibano, distante 270 quilômetros da capital. Desde sua formação, na segunda metade do século XIX, o lugarejo ainda preserva características de um quilombo, evidenciadas na resistência dos seus habitantes e na relação com a terra. Dela sai o sustento: seja pela agricultura ou na forma de peças de barro, uma tradição local preservada até hoje.

Descende de negros provenientes do atual estado do Piauí, que chegaram à região do seridó ocidental da Paraíba por volta de 1885. Perceber os traços de uma realidade tão sofrida nos aproxima dos sorrisos e da resistência daquele povo, que expressa sua arte na confecção da louça a na música de seus bons forrozeiros.Indícios tão marcantes fizeram a comunidade receber, em 2004, a certidão de auto-reconhecimento, emitida pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura (MinC). A história dos quilombolas foi inclusive tema de um documentário, lançado em 1960, durante o período do Cinema Novo.

Segundo relatos dos quilombolas da região, a comunidade da Serra do Talhado teria surgido por volta do ano de 1880, quando o casal Zé Bento e Cecília estabeleceu uma família naquelas terras. Quem declara isso é o agricultor Sebastião Braz, 78 anos, bisneto dos primeiros moradores e uma das lideranças locais. “A história que eu conto é a mesma que me contaram. Meus pais diziam que ele (Zé Bento) veio do Piauí e acabou criando a família aqui no Talhado”, revela.A versão ganha ainda mais fundamento quando se descobre que todos que nascem na Serra do Talhado são parentes. “São todos aqui de uma mesma família”, conta Gilvaneide Ferreira da Silva, 39 anos, que além de ser sobrinha de Sebastião é casada com o filho do agricultor.


LOUÇAS


Do chão vem o que mais caracteriza a comunidade: as peças em barro que artistas e ceramistas quilombolas produzem. Segundo relato de moradores, a prática de moldar a argila surgiu durante a formação do quilombo. “Meus pais e avós diziam que desde o tempo de Zé Bento e Cecília já se fazia artesanato por aqui. Foi ela (Cecília) quem começou a mexer com o barro”, diz Sebastião Braz.

Além de retratar a cultura quilombola local, o artesanato é, hoje, uma grande fonte de renda para a comunidade. Um dos exemplos é a Associação das Louceiras Negras da Serra do Talhado, que reúne as artesãs do lugarejo, incentivando e valorizando a organização. A associação ajudou artistas e ceramistas a venderem mais peças, inclusive fora da Paraíba.

Para o artista visual e gestor cultural Elioenai Gomes, a exposição ‘Talhado na Memória’ de Gustavo Moura é “uma grande oportunidade para as pessoas conhecerem um pouco mais da história desse povo, suas expressões, seus costumes, crenças e alegrias e vem culminar com o encerramento das comemorações do Mês da Consciência Negra que nos trouxe reconhecimento, credibilidade e um grande fortalecimento para a cultura popular afro indígena”, destacou.

De acordo com Elioenai, o Ateliê Multicultural que fica na Ladeira da Borborema, 101, no bairro do Varadouro, Centro Histórico de João Pessoa está com programação cultural permanente. No próximo final de semana tem mais uma edição do projeto ‘Forró Luz do Candeeiro’ com o melhor do autêntico forró paraibano.Informações pelos telefones 83 8730-9629, 88030786, 81 96479294 ou pelo site www.ateliemulticultural.com.br



Serviço:

Programação do Mês da Consciência Negra do Ateliê Multicultural Elioenai Gomes

30/11 – Exposição Talhado na Memória, 19h


Aberto de 30/11 a 20/12 das 11h às 16h


Entrada franca


Tel. do Fotográfo Gustavo Moura- 9984.4794

quinta-feira, novembro 17, 2011

Sem pêlo

O tratamento contra o câncer costuma ser uma fase que mexe não só com a saúde biológica, mas também com a autoestima da pessoa acometida. Ao divulgar fotos depois de raspar o cabelo e a barba, o ex-presidente Lula, dá novo exemplo de positividade e humildade, características que o acompanham desde sempre.
(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

segunda-feira, novembro 14, 2011

Câmeras e fuzis







por Dalmo Oliveira


Os jornalistas brasileiros possuem um código de ética que foi sendo consolidado e validado pela categoria nos últimos anos. Sua última versão conhecida data de maio 2008, editado e amplamente divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas. Em seu segundo capítulo, que trata “Da conduta profissional do jornalista”, o artigo sexto que aborda os deveres desse profissional, diz em seu inciso I: “opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”.
O inciso sexto do mesmo artigo sexto diz que é dever do jornalista “não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha”. No artigo sétimo do nosso Código de Ética, no inciso nono, pode-se ler que o jornalista não pode “expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob o risco de vida, sendo vedada sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais”. O inciso quinto deste mesmo artigo diz que não podemos “usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime”.
Tem mais: o capítulo terceiro do Código, no artigo 11º, inciso II, proíbe que o jornalista divulgue informações “de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes”.
Há poucos dias a morte do repórter-cinematográfico da TV Bandeirantes, Gelson Domingos, durante a cobertura de uma operação policial no Rio de Janeiro, reacendeu a discussão sobre os limites e risco deste tipo de atividade jornalística. O sindicato carioca se apressou em acusar a empresa por fornecer equipamentos inadequados ao repórter. Soube-se, em seguida que o trabalhador havia sido contratado apenas para serviços internos, como operador de câmeras, e não como repórter-cinematográfico.
O noticiário sobre o caso também especulou se o jornalista não teria se posicionado de forma inadequada junto aos polícias da chamada “linha de frente”. Como todo repórter de imagem, Gelson queria captura o inédito, o confronto entre policiais e supostos criminosos. Buscava o furo, a imagem exclusiva. Mesmo que estivesse na rota das balas de lado a lado.
Mas até agora a sociedade brasileira não viu uma discussão sobre os princípios éticos da atividade que Gelson Domingos desempenhava no momento em que foi baleado num beco da comunidade Antares, em Santa Cruz, na zona oeste da capital fluminense. Evidentemente, não queremos aqui colocar juízo de valores sobre o profissional abatido em plena atividade laboral. Nossa discussão procurar estabelecer uma análise mais abrangente da praxis jornalística nas chamadas “coberturas de risco”.
Em primeiro lugar perguntaremos: há quebra do código de ética dessa profissão quando as empresas jornalísticas obrigam os repórteres a cobrir evento que vão de encontro à Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é o que ocorre geralmente nessas “operações” nas comunidades?
O jornalista que faz esse tipo de cobertura está colocando em risco a sua integridade física e de colegas? As imagens jornalísticas feitas nesse tipo de situação atentam ou não contra a recomendação de não expor as pessoas envolvidas nos conflitos, dando condições de identificação dos suspeitos e dos cidadãos ameaçados, explorados e sob constante risco de vida, que vivem em torno das áreas conflagradas?
Outra questão ética: essa modalidade de jornalismo acaba funcionando ou não como mecanismo social incitado de mais violência mais arbítrio e mais intolerância, por parte dos grupos em conflito (Estado e criminosos)? As imagens capturadas nesse tipo de cobertura são ou não informações de caráter mórbido, sensacionalista e contrários aos valores humanistas?
Se nossas respostas forem “sim!”, então concordamos que há algo de muito anti-ético nesse tipo de “jornalismo”.
Na minha opinião, as comissões de ética dos sindicatos de jornalistas e da própria FENAJ deveriam agir de maneira firme coibindo essa prática. Primeiramente junto às empresas de comunicação, convencionando com os patrões que a categoria não deva mais ser forçada a esse tipo de crime. O patronato tem alegado, repetidamente, que isso significa uma interferência na produção dos conteúdos jornalísticos e, que, portanto, seria uma espécie de censura externa.
Em nome da “liberdade de imprensa”, as empresas desses ramos têm cometido secularmente crimes odientos contra a coletividade, contra a consciência humanista dos profissionais da mídia, contra os direitos humanos, ignorando, solenemente o código de condutas éticas dos jornalistas.
A outra direção deve ser tomada diretamente em relação aos profissionais, que, em larga escala, desconhecem o código ético, ou simplesmente, descumprem suas exigências, em nome da busca desenfreada pelo “furo jornalístico”. Outra argumentação comum, e não menos cínica, é a de que, ou cumprem as pautas, ou serão demitidos.
O fato é que, omissão de um lado, ambição capitalista de outro, esse tipo de cobertura jornalística depõe contra a missão do jornalismo cidadão. É uma afronta aos princípios éticos da categoria. Ofende a cidadania. Desrespeita das comunidades onde os conflitos se dão. E coloca em risco a vida dos profissionais da imprensa, especialmente os fotógrafos e cinegrafistas.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Servidores e professores do IFPB rediscutem paralisação

por Fabiana Veloso (Texto e foto)




Alunos, servidores e professores discutem paralisação 

Acontece, durante todo o dia 7, paralisação geral e concentração no patio do IFPB, para aguardar resultado da apresentação de propostas ao Conselho Superior do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) A mobilização intitulada"Todos ao Conselho Superior!" visa pressionar a aprovação destas propostas que é também a pauta de reivindicação local do Sindicato dos Trabalhadores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica da Paraíba (SINTEFPB).

Desde a deflagração da greve, em 1º de agosto, foram formadas seis comissões temáticas compostas por representantes do IFPB e do SINTEFPB para trabalhar em cima das propostas sugeridas pelo sindicato que visam melhorias nos nove campi do Instituto. As propostas divididas por áreas, consistem, basicamente, na progressão e carga horaria dos servidores administrativos, progressão por titulação dos docentes recém ingressos na instituição e democratização do IFPB.

A expectativa é grande para os representantes do SINTEFPB, que aguardam aprovação das propostas pelo Conselho Superior do IFPB.  "A aprovação das propostas será uma vitória de todos os segmentos do Instituto", diz Arilde Alves, Coordenador do SINTEFPB. Para o sindicalista será decepcionante a não aprovação de todas as propostas pois elas vêem sendo trabalhadas em acordo com representantes do IFPB. Membros do Comando de Greve discutem a possibilidade de permanecerem em greve se as reivindicações locais não forem atendidas.

Os servidores dos campi do interior, Campina Grande, Cajazeiras, Sousa, Cabedelo, Picuí, Monteiro, Patos e Princesa Isabel, estão no Campus de João Pessoas em vigília para acompanhar a apresentação das propostas. Ao todo são 1.400 servidores que compõem o quadro do IFPB, entre técnicos administrativos e professores.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Primavera da Saúde deixa Brasília mais perfumada

Manifestação ocorreu ontem em Brasília (Foto: Jurema Werneck)

Centenas de manifestantes tomaram as avenidas pincipais do Plano Piloto de Brasília, na região da Esplanada dos Ministérios, para um protesto diferente em defesa do SUS. O evento foi organizado pelo Conselho Nacional de Saúde, com apoio do CONASEMS, da CUT, e de várias entidades não-governamentais. Veja abaixo algumas imagens da manifestação e o manifesto divulgado pelos organizadores do ato.
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O direito universal à saúde nem foi sempre uma realidade para os brasileiros. Esse direito, tão caro ao desenvolvimento e à promoção da justiça social em nosso país, foi conquistado através da LUTA de sindicatos, movimentos populares e sociais, gestores e profissionais de saúde, estudantes, igrejas, universidades e partidos políticos unidos em uma ferrenha defesa da vida, da dignidade humana e da democracia.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é produto desta luta de um povo que buscava redemocratizar seu país e garantir sua cidadania. A conquista do Sistema Único de Saúde na Constituição de 1988 criou as condições para a instalação da maior política social já vista na história deste país, porém nos anos que se seguiram à sua promulgação seguiu-se uma luta ainda mais dura: transformar o sonho de um sistema de saúde universal, integral, equânime e democrático em realidade. Interesses privados contrários a efetivação do SUS, competição com os planos de saúde, escassez de profissionais qualificados, insuficiência da rede de serviços assistenciais são apenas algumas das dificuldades encaradas ao longo dos últimos anos por aqueles que têm lutado pela efetivação do direito à saúde. No entanto, nenhum problema parece tão agudo para a implementação do SUS quanto as limitações impostas pelo sub-financiamento do sistema. Mesmo nas localidades onde a implementação do SUS conseguiu alcançar mais avanços, a falta de recursos financeiros impede a efetivação plena do direito à saúde, tão duramente conquistado. A regulamentação da Emenda Constitucional 29 permanece até os dias atuais como questão em aberto e em disputa. E é justamente em torno desta disputa que vê-se surgir uma faísca, e desta faísca uma nova chama que venha mais uma vez na história incendiar os movimentos sociais e movimentos populares na luta por direitos, pelo reconhecimento de cada brasileiro e brasileira como cidadão e cidadã, na efetivação do direito à defesa de sua vida, do direito à saúde.
A faísca foi lançada há alguns meses no congresso do CONASEMS onde se propôs um ato em defesa de uma regulamentação da emenda 29 que trouxesse efetivamente mais recursos para a saúde e no último dia 24 de agosto a faísca se fez chamas com um Ato Público que reuniu centenas de pessoas que tomaram o espaço do Congresso Nacional, a atenção dos parlamentares, e espaço da mídia, alcançando visibilidade nacional.
Incendiados pela força de mudança que mais uma vez se mostra viva, movimentos e entidades que lutam pelo direito à saúde e defendem o SUS, inspirados pelas várias primaveras revolucionárias de nossa história, anunciam a Primavera da Saúde” – uma grande jornada de lutas e mobilizações em defesa da saúde pública brasileira, que alcance os quatro cantos do Brasil e produza a virada necessária para tornar a saúde um direito efetivo para todo cidadão e toda cidadã brasileiros. Vamos incendiar corações e mentes em defesa do direito à saúde, vamos fortalecer o movimento por uma da regulamentação da EC29 que efetivamente traga os recursos necessários ao pleno desenvolvimento do SUS. Com as flores da mudança na mente, vamos produzir a Primavera na Saúde com a qual sonhamos e pela qual lutamos! Com a história na mão vamos embora fazer acontecer: a hora é agora, saúde prioridade para o Brasil!
A primeira atividade da jornada de mobilização da Primavera da Saúde” será a realização de um abraço ao Palácio do Planalto, previsto para o próximo dia 27 de setembro, onde os militantes do SUS presentearão com flores a presidenta Dilma, numa demonstração de que ela terá todo o apoio da sociedade e dos movimentos e entidades que lutam em defesa do SUS para cumprir o seu compromisso de campanha, registrado no programa de governo protocolado no TSE e reafirmado em seu discurso de posse, e regulamentar a emenda 29. Sabemos que está em disputa se a regulamentação de EC29 vai trazer ou não mais recursos para a saúde e precisamos mostrar a todos os atores do cenário político que para garantirmos o direito à saúde são indispensáveis mais recursos.
Estão previstas várias outras atividades para a Primavera da Saúde” , incluindo atos públicos nas conferências estaduais de saúde para sensibilização dos governadores estaduais. Todas as entidades e movimentos são convidados a participar das atividades e a propor atividades novas. Para mais informações e novas adesões, favor entrar em contato no e-mail: primaveradasaude@gmail.com. A lista de emails para as entidades se organizarem e dialogarem é primavera-da-saude@googlegroups.com.
Primavera da Saúde – Semeando lutas para o florescimento do SUS
Abraçar a Saúde: Nessa Luta eu vou!
Flores e indignação marcaram a manifestação em defesa do SUS neste dia 27 de setembro na Capital Federal.