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segunda-feira, dezembro 10, 2012

Comunidade cigana é grupo populacional mais vulnerabilizado com seca sertaneja na PB

Vida cigana sertaneja: jogo de cartas marcadas pela seca
 e descaso do poder público | Fotos: Clareana Cendy


A estiagem que assola o sertão paraibano atinge de maneira especial um grupo social que vive constantemente em situação de vulnerabilidade social, econômica e alimentar. São cerca de 4 mil ciganos sedentarizados nos municípios de Sousa e Marizópolis.



Mesmo sem estar diretamente ligada à produção agrícola ou pecuária, a comunidade cigana da Paraíba sofre de maneira ainda mais aguda os efeitos da seca na região. Nos ranchos que ficam por detrás do presídio, em Sousa, a situação de miséria pode ser vista a olho nu.
“Estamos cansados de ouvir as promessas dos governos. Queremos uma audiência com o governador Ricardo Coutinho”, diz o cigano Maninho, uma das lideranças em Sousa. Nas vielas do rancho “Pedro Maia”, crianças pequenas brincam em meio ao lixo que não é coletado pela prefeitura local.
Por ali não se vê redes de esgotos e o fornecimento de água também é precário. Numa das extremidades do rancho foi erguido o Centro Calon de Desenvolvimento Integral (CCDI), com recursos do governo federal, da Eletrobrás e da GAJUC-PB. O prédio está praticamente desativado, servindo apenas para reuniões esporádicas.
Lideranças ciganas fizeram relato aos membros do Conselho
 Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR-PB)

As lideranças reclamam que a estrutura foi levantada, mas não se deu condições da comunidade administrar o espaço, onde deveriam ocorrer cursos, capacitações e outras atividades em prol daquele agrupamento. Computadores e outros equipamentos instalados na inauguração foram levados por desconhecidos.
O poder municipal também não mostra interesse em oferecer serviços públicos na estrutura do CCDI. Até a placa de identificação veio abaixo. “Aqui poderia estar funcionando um PSF com outros serviços públicos”, diz Ronaldo Carlos, outra liderança local.
SECA E LIXO
Lixo a céu aberto é outro problema no Sertão da Paraíba

 O lixo espalhado às margens da BR 230, nas imediações de, praticamente, todas as cidades sertanejas, dá a dimensão de como essa parte da Paraíba precisa melhorar seus índices sanitários. Sacolas de plásticos se espalham por quilômetros, enganchadas nas cercas dos currais e nos arbustos ressequidos da região.
Açudes e barreiros vão minguando no percurso entre Campina Grande e Sousa. Da BR se pode ver que o açude Engenho Arco Verde, em Condado, se mantém imponente, mas suas margens recuaram visivelmente. Caminhões-pipa abastecem para transportar água para os sítios vizinhos. Nesse trajeto, poucos rebanhos podem ser vistos em busca de pastagem natural. Perto de Junco do Seridó, um bando de garças se refresca num pequeno espelho d’água que resiste ao clima desértico.
Caminhões abastecem no açude de Condado

Entre Sousa e Aparecida percebe-se um contraste forte: de um lado da rodovia a sequidão e miséria nos acampamentos dos trabalhadores rurais sem-terra, do outro lado, bombas de irrigação nas várzeas garantem o verde dos cultivos de coco e das áreas de pastagens.


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