quinta-feira, julho 26, 2007

Portadores de anemia falciforme reestruturam associação na Paraíba














Portadores de anemia falciforme reestruturam associação na Paraíba
*por Dalmo Oliveira


Pessoas com a doença falciforme, familiares, médicos e outros profissionais de saúde realizam neste sábado, 28, a partir das 9h, no auditório principal do Hospital Universitário da UFPB, em João Pessoa, assembléia geral da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH), para eleição da nova coordenação executiva e aprovação da reformulação do estatuto social da entidade.
“Estamos promovendo uma adequação do estatuto à nova legislação que regulamenta esse tipo de organização civil. Um dos pontos interessantes é o fim do modelo presidencialista, substituído pelo colegiado, ampliando a democratização na gestão da entidade”, diz o jornalista Dalmo Oliveira, componente da nova diretoria.
Em toda Paraíba a ASPPAH estima que algo em torno de 3% da população portadora da doença ou do traço falcêmico. “A diferença é que as pessoas com o traço não manifestam os sintomas da doença, mas podem gerar filhos doentes se reproduzirem com outras pessoas que também tenham o traço da anemia falciforme”, explica Marcelo Cidalina, outro membro da associação.
Entre os médicos que se dedicam ao problema na capital paraibana destaca-se o hematologista Alexandre Magno Pimentel que vem desenvolvendo há mais de dez anos ações de diagnóstico e tratamento a partir do laboratório de hematologia do Hospital Universitário da UFPB. Ele é membro do conselho técnico da ASPPAH e diz que uma das tarefas imediatas da associação deverá ser o de gestão junto aos órgãos dos governos municipais e estadual para implantação na rede pública da segunda etapa do teste do pezinho para recém-nascidos. “O diagnóstico precoce é a principal arma contra a doença que provoca alto índice de mortandade nos primeiros anos de vida”, revela Alexandre.
A idéia da associação é divulgar o problema junto à população, mobilizar os órgãos públicos e profissionais de saúde e apoiar os portadores desse mal que na Paraíba ataca boa parte da população, notadamente aquela com herança genética africana. “Queremos integrar a Paraíba no esforço pela implantação da Política Nacional de Atenção Integral à Pessoa com Doença Falciforme, já assegurada pelo Ministério da Saúde”, diz Dalmo.
Os membros da ASPPAH dizem que a elaboração de ações de fomento à atenção integral às pessoas com doença falciforme só será possível com políticas públicas voltadas para a organização do serviço de saúde prestado aos pacientes dessa patologia. “A necessidade de uma política de atenção integral à pessoa com doença falciforme se faz urgente no Brasil através de uma discussão ampla e aberta sobre redução dos riscos à saúde ligados a desigualdades étnicas, regionais e sociais. É preciso desenvolver ações para resgatar a identidade e a auto-estima das pessoas com essa doença”, acrescenta Oliveira.

O que é anemia falciforme?

A Anemia Falciforme tem origem desconhecida, mas provavelmente desenvolveu-se na África, há milhões de anos atrás. As evidências levam a crer que a doença surgiu como autodefesa do organismo humano para se proteger da malária, doença comum e muito séria nas regiões de clima quente. É uma doença genética e hereditária, causada por uma anomalia da hemoglobina dos glóbulos vermelhos do sangue. A hemoglobina é a responsável pela retirada do oxigênio dos pulmões, transportando-o para os tecidos. A falcemia faz com que os glóbulos vermelhos percam a forma discóide original, enrijecendo-os e dando-lhes um formato de “foice”, daí a denominação "falciforme".
A forma comum da Anemia Falciforme (Hbss) acontece quando uma criança herda um gene da hemoglobina falciforme da mãe e outro do pai. É necessário que cada um dos pais tenha pelo menos um gene falciforme, o que significa que cada um é portador de um gene da hemoglobina falciforme e um gene da hemoglobina normal.
Quando duas pessoas portadoras do traço falciforme resolvem ter filhos, é importante que saibam que para cada gestação há a possibilidade, na razão de um para quatro, de que a criança tenha doença falciforme. Esse mesmo casal poderá gerar até 50% de sua prole transmitindo-lhe o traço da falcemia. As chances de gerarem crianças com hemoglobina normal é de um em quatro.
No Brasil estima-se que em cada grupo de 100 pessoas 3 sejam portadoras do traço de Anemia Falciforme. Um em cada 500 negros brasileiros nasce com uma forma da doença. Outras denominações são: anemia por hemácias falciformes, anemia de células falciformes, drepanocitosis, anemia drepanocítica, falcemia e hemoglobinopatias SS e SC, em referência específica para ambas as formas genéticas.
Embora haja uma maior incidência na raça negra, os brancos, particularmente os que são provenientes do mediterrâneo (Grécia, Itália, etc.) Oriente médio, Índia, também desenvolveram a mutação no gene da hemoglobina e apresentam a doença.



Reprodução humana

A Anemia Falciforme não deve ser confundida com o traço falciforme. Possuir o traço falciforme significa que a pessoa é apenas portadora da doença, o que possibilita uma vida social normal. Como a condição de portador do traço falciforme é um estado benigno, muitas pessoas não estão cientes de que o possuem. A falcemia transformou-se na atualidade num importante problema de saúde publica, nos países onde o número de portadores é expressivo, como no Brasil. Diante deste quadro é possível deduzir que a miscigenação racial existente no Brasil está gerando a continuidade desta anemia.
“Talvez não seja exatamente a miscigenação racial a grande responsável pelo alastramento do problema no país, mas a falta de uma cultura médica a respeito da falcemia. No sistema público de saúde não se vê qualquer campanha de esclarecimento para a população. No interior do país ainda é possível encontrar profissionais de saúde que desconhecem o problema ou tem pouquíssima informação a esse respeito”, comenta Dalmo.
Como a doença ataca mais severamente as crianças ainda no primeiro ano de vida, é bastante comum o caso de óbitos sem que a causa real tenha sido detectada. Geralmente é durante a segunda metade do primeiro ano de vida de uma criança que aparecem os primeiros sintomas da doença.
Os interessados em maiores informações podem ligar para o telefone (83) 9154.1535 ou escrever um correio eletrônico para o endereço asppah@gmail.com.

sexta-feira, julho 06, 2007

Diretor geral da FAO diz que combate à fome precisa de apoio popular














Diretor geral da FAO diz que combate à fome
precisa de apoio popular


Dalmo Oliveira, de Fortaleza - O diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf, considera que apenas programas governamentais, como o Fome Zero, não são suficientes para resolver a problemática da fome no Brasil. “É necessário que ocorra posteriormente um amplo apoio popular no combate á fome e à insegurança alimentar. Os programas governamentais são parciais e não alcançam toda a população”, disse Diouf durante entrevista coletiva com a imprensa no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza.
O senegalês veio ao Brasil para especialmente para fazer uma palestra especial dentro da programação da terceira Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Ele disse ainda que o combate à fome precisa avançar para além de uma estratégica política ou eleitoral.
Sobre a questão da bioenergia, Jacques Diouf considera que o Brasil é o único país com as melhores condições e disponibilidade de recursos naturais para desenvolver um programa de bioenergia com vista a oferecer alternativa à demanda mundial por combustíveis, mas precisa equacionar essa questão com a da produção de alimentos. “Os países desenvolvidos só tem capacidade de prover alimentos para apenas dois por cento de suas populações. É preciso que sejam desenvolvidas políticas que garantam as sustentabilidade da produção sem afetar a garantia de produção de produtos agrícolas alimentares”.
O diretor da FAO disse também que é preciso que seja avaliada a relação entre o preço do petróleo e o custo da produção de biocombustíveis, para se definir políticas de incentivo ao cultivo para o programa nacional de biodiesel.
Outro tema abordado pelos jornalistas na entrevista foi a questão da água. Diouf se reportou à problemática do acesso à água. “Sem água não há solução. Se como mais água que se bebe, levando em conta serem necessários de mil a dois mil litros de de água para se produzir um quilo de grão e até 13 mil litros de água para a produção de um quilo de carne”, avalia. Outro ponto se refere ao consumo. “Na cidade cada pessoa consome até 200 litros por dia, enquanto que nas zonas rurais o consumo médio é de 50 litros”, comenta.

quinta-feira, julho 05, 2007















Comunidades tradicionais exigem mais espaço em órgãos municipais e estaduais


Dalmo Oliveira, de Fortaleza – Representantes das chamadas comunidades tradicionais (índios, quilombolas, religiosos de matriz africana, lideranças do movimento negro, ribeirinhos, caboclos e outros) realizaram reunião ontem à tarde para redefinir estratégias de intervenção na III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que se encerra hoje, 6, no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza. A principal reivindicação do segmento é assegurar a criação de organismos inter-setoriais dentro das secretarias municipais e estaduais que tratam da questão da segurança alimentar e nutricional em todo país.
“Queremos também que cada segmento dos povos e comunidades tradicionais seja citado nominalmente no documento final, para evitar reducionismos, imprecisões e omissões do poder público na atenção especial ao problema da inseguridade alimentar desses grupos específicos”, diz Edgar Moura da organização Agentes de Pastorais Negros (APN).
Os representantes discordaram da retirada do artigo 126, do eixo temático 3 do documento base da Conferência, suprimido no momento da sistematização das proposições tiradas no grupos de discussão ocorrido na quarta-feira. “Precisamos garantir que os organismos estaduais e municipais sejam estruturados de forma a assegurar que estejam presentes nas comunidades e povos tradicionais de maior vulnerabilidade alimentar e nutricional. O objetivo é investigar e reparar a insegurança alimentar histórica que afeta essas populações”, acrescenta Roberto Oliveira, representante do movimento negro cearense.




Diversidade do povo brasileiro presente na Conferência Nacional de Segurança Alimentar em Fortaleza










Diversidade do povo brasileiro presente na Conferência Nacional de Segurança Alimentar em Fortaleza


Dalmo Oliveira, de Fortaleza – Uma das coisas que mais chama a atenção na III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que ocorre até amanhã, 6, no Centro de Convenções do Ceará, é a diversidade étnica e cultural do povo brasileiro, representado pelas quase duas mil pessoas, entre delgados, especialistas, representantes de governos, entidades, conselhos e organizações da sociedade civil, além de convidados internacionais de diversos países.
Dentre eles, os representantes das comunidades tradicionais (negros, quilombolas, religiosos de matriz africana e índios) são os que chamam mais a atenção, com suas vestimentas peculiares, adereços, turbantes e colares. A multiplicidade das raças no evento é uma mostra clara da composição étnica desse país e da clara vocação que temos para a construção de um modelo real de democracia e diálogo interracial.
Esse ano a conferência avançou ao proporcionar a presença organizada de representantes dos povos e comunidades tradicionais brasileiros, escolhidos previamente em cada estado. Dessa forma, índios, negros e outros grupos puderam trazer reivindicações e propostas específicas, a partir de cada realidade, cada região e cada cultura.
Apesar de se tratar de um evento destinado à discussão alimentar, a terceira conferência vai abordar questões relacionadas a várias problemáticas nacionais, como transposição do Rio São Francisco, produção de transgênicos, geração de emprego e renda, merenda escolar, bolsa família, habitação, reforma agrária, agroecologia, biossegurança etc.
Para Maria Noelci Homero, coordenadora técnica da organização de mulheres negras Maria Mulher, de Porto Alegre, o evento deve apontar alternativas para a publicização das tradições alimentares e culinárias afro-brasileiras. “É preciso mostrar a influência da nossa ancestralidade na formação daquilo que chamamos de comida brasileira”, defende.
Grupos de trabalho e oficina estão sendo realizados para discutir questões específicas sobre a segurança alimentar e nutricional. Na abertura do evento, na terça-feira, dia 3, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o percentual de recomposição de 18,25% para o benefício pago pelo Programa Bolsa Família e a ampliação do atendimento da alimentação escolar para estudantes do ensino médio. "Até 2010, vamos acertar com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) a instalação da rede de esgoto e água potável em 90% das comunidades indígenas e em pelo menos metade das terras quilombolas", completou.

Abertura de Conferência é marcada por protestos anti-Lula



















Abertura de Conferência é marcada por protestos anti-Lula


Dalmo Oliveira, de Fortaleza - Servidores do Incra e do Ibama, em greve, realizaram protesto anti-Lula defronte a entrada principal do Centro de Convenções de Fortaleza, no final da tarde desta terça-feira, 3, no bairro Edson Queiroz, momentos antes da abertura da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O movimento recebeu o apoio de representantes de outros movimentos sociais, como o MST, Movimento dos Atingidos por Barragens e o Fórum Cearense de Mulheres. O protesto chamou a atenção dos delegados presentes ao evento e a comunidade circunvizinha ao centro de convenções.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou à cidade por volta das 16h para participar da abertura da terceira conferência. Antes de abrir o evento. Lula reuniu-se com o governador cearense Cid Gomes. Promovido pelo MDS e pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), o evento reunirá, até o próximo sábado (06), cerca de duas mil pessoas, entre especialistas, representantes de governos, entidades, conselhos e organizações da sociedade civil, além de convidados internacionais de diversos países.
A Paraíba será representada por 42 delegados, oriundos de órgãos governamentais e da sociedade civil organizada. Entre as questões trazidas pelos paraibanos para a conferência no Ceará, destaca-se a problemática envolvendo a produção de leite e a distribuição desse alimento para as famílias carentes do estado. A produtividade leiteira paraibana pode estar ameaçada com o avanço dos danos causados pela cochonilha do carmim que destrói as plantas da palma, principal fonte de alimentação dos rebanhos no Cariri e Sertão da Paraíba.